Archive for the ‘Minhas poesias’ Category

Correção: Manhã Triste

Tuesday, July 22nd, 2008

Hoje a manhã nasceu triste….

Manhã Triste

Tuesday, July 22nd, 2008

13/09/1963

Hoje a manhã nascei triste,

Tão triste e fechada,

Que toda a natureza ao seu redor,

Quedou-se no silencio.

Pobre manhã,

Por onde andou?

Amanheceu assim,

com vontade de chorar.

Mas não chora!

permanece cinzenta,

envolta num alo de tristeza.

Chora manhã!

Conta para a terra toda a sua mágoa.

Chora, até que venha o sol,

Ele secará as suas lágrimas,

Ele fará o seu rosto tão lindo, sorrir!

O LUAR

Caminha no céu um luar de prata,

vai beijar teu rosto amado.

O luar hoje será luz em teu olhar,

será o guia do teu caminho.

Nesta noite,

o luar te encontrará triste,

porque nos dissemos adeus.

E nos caminhos por onde andavamos,

o luar te encontrará só….

NOITE DE RONDA

Mirando la luna, estremeço..

É noite fria, geme o vento…

Meu coração está atormentado,

“onde estará o meu amor?”

indago à noite..

Indiferente me olha a lua..

descre de meus sentimentos..

segue-me por onde vou!

Que solidão em mim,

que solidão encerra a noite!

silenciosa a lua me escuta,

“onde estará o meu amor?”

Não o sabe a lua….

RASTRO DE LUZ

Há um caminho em meu coração,

é o teu caminho meu amor.

Há uma lâmpada em meu coração,

estás aqui, este é o teu abrigo.

Repousa, esquece o mundo lá fora,

Volta a ser criança,

e adormece em paz…

Ao surgir a aurora,

terás que partir.

Mas não te esqueças,

quando outra noite chegar,

reguressa ao coração meu,

Vem pelo rastro de luz

que o amor deixa em minha vida…

CREPUSCULO

23/11/63

“dardeja o sol no poente,

seus últimos raios de luz,

que se espalham em clarões roseos

por todo o firmamento”.

Brilha solitária num cantinho do infinito,

a estrêla Vésper.

Canto a melodia do seu nascer,

nostálgica melodia de quem esatá só

sob um azul belo demais!

A tarde se espande

na alma de quem caminha na solidão..

está só todas as tardes,

e segue pela alameda florida,

de uma tarde triste porquê bela demais,

para quem está só…

De tanto azul, que faço eu?

os pássaros seguem para os ninhos..

os sinos repicam a Ave-Maria,

a seguir..o silencio,

e quem está só,

de nostalgia,

morre um pouco em cada fim de tarde…

As mãos de minha mãe

Friday, April 18th, 2008

Regina Caldas

1980

Orgulha-me ter entre as minhas mãos,

As mãos de minha mãe

Perco o meu olhar pelos caminhos,

Que o tempo fez em suas mãos.

Mãos que recendem a rosas,

Carregadas de trabalho, anéis e amor.

As mãos de minha mãe:

Envelhecidas e cansadas, repousando aconchegadas…

Entre as mãos que um dia acolheu.

Mãos que suavemente acariciam as dobras de minhas mãos,

Enquanto seu pensamento afaga com tanto amor,

A cabeça infantil debruçada em seu regaço.

Orgulha-me ter entre as minhas mãos,

As mãos de minha mãe!

Mãos que trabalharam

Fizeram e desfizeram leitos,

Estenderam o pão, o remédio e o saber.

Mãos generosas na disciplina e no afago.

Orgulha-me ter entre as minhas mãos,

As mãos de minha mãe!

Relembro suas mãos delicadas,

Realçadas pelo esmalte,

Estendidas para mim,

Como gaivotas alçando vôos.

Gaivotas sonhadoras e alegres,

Brincando entre as estrelas e o luar

Nas noites de amor e de entrega do ser.

Gaivotas construindo ninhos,

Com pétalas de rosas,

Em penhascos e esquifes.

Orgulha-me ter entre as minhas mãos,

As mãos de minha mãe.

Enquanto eu, pequeno ser,

Aconchegada em seu regaço adormeço,

Ouço quase num sussurro,

Suas memoráveis cantigas de ninar.

Cantigas guerreiras, bíblicas, folclóricas,

Onde a fé, a coragem e a esperança,

Tecem noite após noite,

As fibras do meu coração.

Orgulha-me ter entre as minhas mãos,

As mãos de minha mãe!

Não ser…

Thursday, January 10th, 2008

NÃO SER

 

 

Fugi do caminho nem me lembro quando!

Talvez naquela manhã enquanto o albor da primavera

Sufocava-me a razão.

Eu insensata, não querendo aguardar um instante mais,

Subjugando a prudência, lancei-me de corpo e alma,

Naqueles desvios das estradas.

 

Desde então que loucura viver!

Viver e não ser!

Na calmaria dos finais de tarde,

A esperança de que chegue o alento.

E no instante perdido,

A vida que passou.

Nas mãos, um punhado de cinzas,

Basta um sopro,

E adeus a todas as lembranças.

 

Nada restou de você,

E o meu espaço se tornou pequeno.

Angustia que explode numa lágrima!

 

Sonho Irreal

Thursday, January 10th, 2008

Sonho irreal

Regina Caldas

26/06/2006

Tuas asas batem em direção a outros crepúsculos,

Sigo teu rastro no inútil sonho de te alcançar.

Quando finda a tarde, cada tarde,

Meu coração freme na vã esperança

De te encontrar na linha do horizonte.

Enquanto os raios de sol jogam fugidia luz

Sobre tuas asas aventureiras

Meu olhar se perde na vã tentativa

De que teu vôo enfim

Encontre a paz no ninho que te ofereço.

És um sonho irreal,

O acalanto de um coração teimoso

Que se engana a cada final de tarde

Tecendo o fio da esperança,

O elo que me une a ti e me faz infeliz.

Sob quantos crepúsculos estendi minhas mãos

Tão próximas e tão distantes das tuas asas,

Asas aventureiras, desassossegadas,

Buscando o descanso que não encontrarás em outros ninhos.

Qual de nós vive um sonho irreal?

Lua cheia

Sunday, August 5th, 2007

São Paulo, março, 23h40’.

Maïtena

Meu olhar segue a lembrança do teu olhar,

Enquanto o teu olhar fixado na memória do passado,

Ainda me olha como só tu sabias me olhar.

Naquele tempo nem eu sabia

Que o teu olhar seguiria meus passos

Que o teu olhar me envolveria cada noite cada dia,

junto às lágrimas de saudades

Que ainda choro por ti.

Hoje eu sei que tu sabias

Que ao me olhar por tanto tempo tão seguidamente,

Deixarias eterna marca em minha vida

Que não se apagará jamais,

Que o teu olhar por toda eternidade

Seguir-me-á silencioso como sempre.

LEMBRANÇAS

26/06/2006

Maïtena

Se outrora eu me perdia no final da tarde

Ouvindo o trinado dos pássaros que ao ninho retornam,

Hoje as minhas lágrimas recontam…

Aqueles crepúsculos que se foram.

Se outrora nas tardes segui como o rio

Tranqüilo a caminho do mar,

Hoje enquanto morre o dia…

Sou como as nascentes

Que descem ansiosas em direção ao mar.

Se me fosse possível parar o tempo

Eu não o desejaria, não agora!

A vida ficou triste sem os amores que se foram,

As alegrias e os prazeres já não têm sentido.

Ouvir as músicas do passado,

Apenas lembram momentos

Preenchidos por presenças e paisagens

agora impregnadas de saudade.

Em que posso tocar minhas mãos?

Estão mortas as flores,

Embora ainda sinta seus perfumes.

Estão mortos meus amores,

Mas ainda ouço suas vozes.

O ninho está vazio

Mas preserva o seu calor.

25/06/2006

Noite de inverno. Noite fria trazendo um vento gelado para dentro do meu escritório. Um vento que traz a ameaça da chuva e junto traz a brisa marinha.
O meu coração entende que este desejo criado pela imaginação, de me deixar envolver pela brisa marinha, é a lembrança de você. Você que amava o mar. Você que amanhã estaria aniversariando se aproxima travestido de brisa vinda do mar.
As lembranças de cada aniversário seu retornam intensas. Você que gostava de comemorar e de receber nossos abraços e carinhos. Na fábrica, seu aniversário era comemorado com uma festa junina que dávamos aos funcionários e suas famílias. Como eu caprichava na encomenda daqueles doces e quitandas próprias de um São João festejado à moda mineira. Vivíamos em São Paulo, e tínhamos que respeitar o gosto de nossos convidados. Mas nem me passaria pela cabeça deixar de respeitar minhas tradições mineiras. Dá muita saudade lembrar como você circulava feliz no meio dos nossos operários e executivos que chegavam carregados de filhos, netos, irmãos, tios, avós e vizinhos. Você costumava dizer que para a maioria deles esta era a única ocasião no ano em que podiam passar um dia comendo e bebendo até se fartarem, dançar, cantar e participar de todas as brincadeiras.
Quando não tínhamos mais a fábrica, seu aniversário era comemorado em nossa casa. Com Cecília indo ao shopping escolher sua nova malha de inverno, presente que ela sempre lhe dava. Um detalhe interessante. Você gostava dos presentes que a Cecília lhe dava. Mas odiava os meus presentes. Num de seus aniversários encomendei na H.Stern um lindo par de abotoaduras´para presenteá-lo. Só que você não escondeu a sua insatisfação ao receber meu presente, desisti de lhe dar presentes…
Mas os seus presentes me agradavam, seus presentes pareciam-se comigo. Os perfumes, os tecidos, os livros, aquelas pequenas lembranças que às vezes você me trazia da rua e que ainda guardo ao lado dos meus livros. A caixinha com um desenho de coração onde se lê “eu te amo…” Aquela pequena âncora feita por você na fábrica.O casal de pássaros juntinhos…Ah querido! Que saudade de você!
Certa vez nós dois comemoramos seu aniversário em Paris. Estávamos hospedados no George V, e tivemos um magnífico jantar a luz das velas, vinho e lagosta a Thermidor. Depois fomos para a rua dar um passeio. Caminhamos por tanto tempo em direção à Tour Eiffel, entramos num bistrô, tomamos mais vinho e fomos para o metrô. No retorno ao hotel, dentro do trem tomamos conhaque e…Acabamos ficando bêbados. Dois bêbados apaixonados caminhando a esmo pelas ruas de Paris, rindo por nada!
Em outro aniversário , viajamos até Interlaaken, uma bela cidade situada nos Alpes no caminho do Mont Blanc. Usufruímos o aconchego do hotel Interlaaken, dançamos músicas românticas, tiramos fotos.
Dois dos seus aniversários foram marcantes para mim. O primeiro na Holanda. Chovia. Após um jantar em Delft naquele restaurante de comida indonesiana, no retorno a Haia fomos até o cais. Caminhamos lentamente toda aquela extensão de mãos dadas, silenciosos. O vento gelava meu corpo. No final do cais ganhei um abraço e um beijo inesquecíveis.Parecia coisa de cinema. Ou talvez, nem no cinema um abraço e um beijo como nos demos, acontece!
Um outro aniversário, o último, prenunciou as tristezas que logo viriam. Roger e eu chegamos na Holanda dois dias antes da data. Sylvia e Dirk já estavam com você, Roger tinha exames de meio de ano no Colégio e tive que aguardá-lo para que não viajasse sozinho. Vocês foram nos esperar no aeroporto. Estávamos felizes! E você decidiu que passaríamos seu aniversário em Hoogge Veellue, aquela floresta que há no centro da Holanda. Comemoramos a data com um bolo de chocolate. Alguns dias depois, em 9 de julho, no meio da noite você passou mal, estava enfartando. Levei-o para a UTI e você conseguiu sobreviver. Mas por pouco tempo, em 3 de agosto nos deu adeus.
Tantas lembranças Jan! Doze anos passados. Tanta saudade!Feliz aniversário, meu amado…

Meu príncipe, minha criança, meu homem.

Janeiro/2006

Regina Caldas

Sigo teus passos a distancia,

A respiração presa pela ânsia

Que não resiste ao encanto do teu porte!

És um príncipe!… Talvez não saibas!

Tudo em ti transpira nobreza.

Ah! Pudesse eu neste momento,

Ter-te qual criança junto ao coração.

Se te vejo de longe,

Comparo-te ao navegante

Que em triunfo ancora o barco,

Venceu o mar, tornou-se herói!

Em ti repousam todas as vitórias,

Esta é a leitura que faço do teu porte!

Mas, quando a noite se aproxima…

Deixa as tuas glórias de lado,

E despido de tudo que te torna príncipe,

Sê homem perdido em meu colo!.

Sou o amor quero te envolver.

E te entrego a minha vida.
Quando amanhecer,

Toma-me entre as tuas mãos,

Como príncipe me conduz,

Como criança confia em mim,

Como homem, me ama,

Como criança, me faz sorrir!

julho/1994

Último domingo de julho.

Fazia calor. Juntamos nossas crianças e fomos para a praia. Jan levou-as para que brincassem na areia ou nadassem, e retornou para junto de mim. Sentamo-nos num daqueles bancos de madeira que vemos nas praças e jardins públicos. Silenciosos, apenas observávamos do outro lado do caminho, uma família de alemães que se espremia num banco igual ao nosso.

Em certo momento, voltei meu rosto para o Jan. Vi muito nítido, um retrato amarelado pelo tempo. Era a fotografia de um casal de velhos…Perpassou-me pela espinha e pelo coração um gelo, e um doloroso pensamento. Aquele retrato éramos nós, Jan e eu. Era, entretanto o retrato de um adeus. Éramos o passado. Um passado que pressenti sem o Jan, mas que, por razões do coração, nos manteria unidos por toda a eternidade.

Três dias depois Jan me deu adeus. Um adeus que me fora dado com antecedência por meio daquele retrato amarelado pelo tempo.