Archive for the ‘História’ Category

O comunismo não passa de um blefe

Saturday, October 25th, 2008

Monday, August 20th, 2007

Regina Caldas

2004

“Eu estou em Berlin!”

J.F.Kennedy.

(reflexões sobre a queda do Muro de Berlin)

25 de dezembro de 1989. Acompanhada de minha família festejo o Natal em Berlin no Schausoielhaus. Leonard Bernstein e sua orquestra executam a “Ode à Alegria”, de Beethoven. A vibração musical que paira no ar mistura-se às lágrimas dos alemães, que externam a exultação que sentem pela reunificação da pátria querida. A letra da Ode não poderia ser mais apropriada ao momento, emocionada canto com eles:

“Meus irmãos, cessou o nosso pranto

que uma lágrima de alegria eleve aos céus

nosso canto de festa e nossos acordes piedosos!”

Em 31 de dezembro, festejamos a entrada do novo ano em frente ao Portão de Brandemburg. após a ceia num restaurante em Kurfürstendamm. A alegria mágica  pairava no ar, a profusão de luzes, as pessoas circulando soltas como se mal tocassem os pés nos chãos. A festa maior naquele reveillon era simplesmente comemorar a Liberdade diante do Portão.   

Hoje, primeiro dia do ano 2000, meus filhos enfrentam as baixas temperaturas e trabalham animados com suas ferramentas durante horas ajudando a derrubar o “muro da vergonha”.(Guardo como lembrança, pedacinhos daquele muro). Ao longo da cerca restam alguns soldados em posição de sentido olhando para o nada. Minha filha mais velha, com aquela verve de humor irreverente dos jovens mostra-lhes suas latinhas de coca-cola, um ícone da liberdade ocidental. Milhares de transeuntes caminham tranqüilamente em direção ao “Charlie chekpoint”. E eu não me dispondo a enfrentar o frio permaneço dentro do carro, enquanto meus pensamentos revivem o final da II Guerra Mundial. Relembro o D-Day e a extraordinária vitória dos aliados na Normandie devolvendo a liberdade à França e mais tarde à Europa.. Recordo os diálogos e acordos feitos entre Churchill, Truman e Stalin (os Big Three). A última conferencia entre eles foi nesta praça em julho de 1.945, quando ficou decidido que a Alemanha seria repartida em quatro zonas de ocupação. Recordo, que de agosto de 1961, a Novembro de 1989, o muro de Berlin com suas cercas elétricas, suas pedras e desenhos separando a Alemanha Oriental da Berlin Ocidental, formou um enclave que dividiu a cidade em duas. Por quase três décadas Berlin sofreu o mais negro período de sua gloriosa história. Berlin, a cidade cosmopolita, caíra nas mãos dos comunistas! Comparo Churchill e Stalin. Quanta diferença nas atitudes de cada um, Churchill anotando em seu diário de guerra: “Na guerra, resolução na derrota, desafio, na vitória, magnanimidade, na paz, boa vontade!”, que diferença do modo de pensar e agir dos comunistas que impuseram a divisão da Alemanha!

No final da tarde atravessamos o Portão de Brandenburger, e seguimos até a Berlin ex-comunista. Atrás das cercas ha um enorme campo abandonado coberto com o lixo deixado pelos que festejaram a chegada do Novo Ano. Sinto um aperto no coração quando vejo os miseráveis que procuram objetos de algum valor no meio daqueles entulhos, revelação pungente do que resulta do comunismo! Prometem o paraíso a uma turba de incautos e lhes dão o inferno!

Seguimos em direção ao centro da cidade. A Berlin comunista assemelha-se a uma cidade fantasma. Entrego-me ao cinza da tarde de inverno, e a todas as recordações que um tempo de acontecimentos extraordinários desperta nos poucos transeuntes que se aventuram a conferir a miséria causada pelo domínio comunista. Alguns Ladas circulam pelas ruas, são latarias enferrujadas pelo uso e falta de manutenção. Os prédios destruídos durante a guerra não passaram por reformas desde os bombardeios sofridos pela cidade. O comércio aberto mostra por trás das cortinas velhas e sujas, as lojinhas “comunistas”. Que visão deprimente! Entramos numa livraria. Os livros expostos insistem nas teorias marxistas e na ideologia comunista. Um destes livros atrai minha atenção: o título? Pasmem! : “Como fazer de seu filho um bom comunista desde a vida intra-uterina” Que título revoltante! Revelam de forma incisiva as obsessões que afligem os comunistas que sofrem de uma fobia: vergar o caráter humano! É fácil à propaganda comunista enganar e conquistar adeptos. Suas artimanhas são bem elaboradas, são pacientes quando se dedicam ao objetivo de doutrinar as pessoas com as suas mentiras impregnadas de fanatismo, com o seu jogo sujo de jogar pobres contra ricos, e de instigar o coração humano a se sentir culpado pelas desgraças alheias. São hábeis em reduzir a História num tosco relato de exploração do mais fraco pelo mais forte. Entretanto, quando conquistam o poder, dada a sua notória incompetência, gerir a “coisa pública”, é-lhes tarefa impossível. Usam de todos os ardis para arrancar o que podem do cidadão e sentem uma compulsão irrefreável de destruir o patrimônio nacional, pois lhes falta capacidade intelectual para entender como funcionam a economia e a administração pública e não entendem o passado. Só entendem que é melhor destruir para recomeçar nivelando por baixo. Não aceitam quanto somos diferentes uns dos outros porque não nos vêm como indivíduos. O comunismo é um amontoado de idéias utópicas que não se encaixa na realidade. São idéias incompatíveis com a natureza humana. Mas o comunista não compreende assim, e não se conforma por ter idealizado e lutado tanto, quando o resultado é o fracasso. Em suas mãos o sonho se desmorona! A miséria se instala no país, o povo perde o ânimo, o patrimônio público e privado, frutos de um trabalho persistente e continuo através dos séculos transforma-se em sucata. Mas são teimosos. Seus planos fracassam, e eles impassíveis incrustados no poder, concedem-se uma vida de luxo e alienação e culpam a humanidade pelo fracasso de suas idéias. Inconformados pelo descrédito e impaciência do povo, que aumenta à medida que compreende que o comunismo não passa de um blefe, os gênios esquerdistas reúnem-se e tramam a idéia absurda de “orientar” as mães a doutrinar seus filhos antes do nascimento! Se me contassem tal história não acreditaria que fosse verdadeira. Mas testemunhei com meus próprios olhos! Reflito que as nações comunistas reconquistaram a liberdade, mas só entenderão os seus significados daqui algumas décadas.

De Berlin viajamos para Dresden e Leipzig. As estradas são de terra, sem indicações e sem iluminação. Na noite de inverno viajar por elas é uma aventura tenebrosa, pois se damos asas às nossas fantasias vemos comunistas por todos os lados a criar emboscadas. Conseguimos vencer o medo e chegamos em Leipzig que está em guerra civil. Ao buscarmos um restaurante passamos pelo desprazer de ver um comunista exaltado estapear o rosto do porteiro chamando-o de traidor, porque ele aceitou nossos cinco marcos para nos dar acesso mais rápido ao restaurante. Após o jantar caminhamos pela praça principal da cidade. Dresden e Leipzig, não refletem mais a excepcional cultura alemã, estão destruídas. Através do silencio expressamos a nossa consternação, sabendo que a ferocidade comunista destrói o passado das nações que domina. Nem sei quanto tempo passo nestas ruas, a olhar para o nada e a indagar o que se passa na cabeça de um comunista.  

Nossa viagem se completa na Tchecoslováquia. Talvez tenha sido este o melhor presente que demos aos nossos filhos. Reconhecer in loco as trágicas consequencias para aqueles que crêem nas utopias comunistas. Para que aprendam a valorizar a Liberdade em todas as suas nuances. Para que nunca se esqueçam que o sonho de alguns loucos destruiu cem milhões de vidas, destruiu sociedades inteiras como aconteceu com a Ucrânia.

Dou um salto de seis meses no tempo, e tenho entre as mãos a revista Steiner, de abril/1990. Há uma longa reportagem repleta de entrevistas nas quais os alemães ex-comunistas contam como se sentem usufruindo a liberdade. Eu estava certa quando conclui naquela pequena livraria comunista, que a liberdade não seria compreendida por aquela geração. De fato. Uma enfermeira entrevistada, da janela de seu apartamento, no final da tarde olhava o vai-e-vem dos trabalhadores retornando ao lar. Seus passos já não eram lentos como outrora. O corre-corre nas ruas transpirava expectativas que a enfermeira não entendia. Assim, apontando as pessoas ela perguntou ao repórter: “- Foi para isto que conquistamos a liberdade?”.

 

Independencia dos estados Unidos da América do Norte

Friday, April 18th, 2008

Regina Caldas

2 de julho de 2004

Aproximando-se a data do aniversário da Independência dos Estados Unidos da América do Norte, declarada em 4 de julho de 1776, relembro os principais fatos que lhe dizem respeito.

Em retrospecto, a decadência da Casa de Hanover (sucessores dos Stuart), Grã-Bretanha, ocorreu com a perda de suas 13 de suas colônias, durante o período conhecido como “Revolução Americana”, de 1776/83. Àquela época, certamente ninguém imaginaria o potencial daquelas colônias espalhadas num imenso território inexplorado. E John Hancock assinou, sem maiores preocupações, a Declaração de Independência Norte-Americana, com letras enormes para que o Rei George III pudesse ler sem o auxilio de seus óculos. Para os rivais dos ingleses, França e Espanha, a revolta americana dava-lhes uma chance de se intrometerem, pois tinham interesses naquelas terras. Mas para a maioria dos paises europeus a questão era de princípios políticos fundamentais, já que transformaria os costumes monárquicos. O europeu sequer podia imaginar que naquelas distantes colônias despontariam estadistas brilhantes como Thomas Jefferson (Declaração da Independência), Alexander Hamilton, James Madison e John Jay que articularam as políticas para a criação do novo estado e para a elaboração da primeira e única Constituição dos Estados Unidos, além de George Washington que se tornou o primeiro Presidente da nova Nação. Muitos destes eram colonos que já alimentavam princípios radicais em questões de liberdade, igualdade e sufrágio universal.

Pelo conteúdo da declaração de independência dos Estados Unidos da América do Norte, constatamos a vontade manifesta de um povo que percebeu não ser mais possível continuar nas mãos de outros que decidissem a seu bel prazer pelos seus destinos.

O estopim da revolta norte-americana foi a decisão do reino de cobrar taxas pelo carimbo em todos os documentos legais. A pretensão ocorreu quando a colônia francesa no Canadá passou para a possessão britânica em 1763, e as 13 colônias britânicas ficaram dependentes da proteção inglesa. Para fazer frente aos franceses, os britânicos decidiram também cobrar taxas na importação de inúmeros bens para garantir os salários de seus oficiais estabelecidos na Colônia. Os colonos uniram-se para resistir àquela nova taxação e quebraram o maquinário destinado à confecção dos selos. A seguir, o “Act Tea”, baixado pelos britânicos e que permitia à Cia Britânica do Este da Índia, levar chá diretamente para seus agentes nas colônias, forçando a baixa dos preços para seus exportadores, levou um grupo de colonos a destruir um embarque de chá. A Grã-bretanha reagiu e os colonos se uniram e formaram um exercito liderado por George Washington. França, Espanha e Holanda aproveitaram-se da oportunidade para declarar guerra à Inglaterra, que pela vitória na Batalha de Todos os Santos continuou dominando os mares mas perdeu suas colônias, que, em Quatro de Julho de 1776, redigiram uma declaração de independência expondo suas revoltas contra os abusos cometidos pelos ingleses. As treze colônias britânicas, a partir de então vieram a ser os Estados Unidos da América. Suas principais lideranças trabalharam arduamente para tornar realidade o sonho da libertação daquele jugo. Não alimentaram a vã esperança de que um dia talvez deixassem de ser colônia inglesa, saíram à luta pela sua liberdade. Amadureceram um ideal através do esforço conjunto de suas melhores inteligências, que deu como retorno à Nação uma Constituição clara que formulava de maneira prática as idéias mais brilhantes do Iluminismo. Seus sete artigos são democráticos, racionais, firmados na teoria do contrato de Locke, no legalismo inglês e na divisão de poderes de Montesquieu. Uma Constituição escrita em nome do povo norte-americano. A ironia é que alguns de seus autores, como Jefferson e George Washington, foram escravos.

Os Estados Unidos organizaram-se primeiro como uma liga de estados independentes sob um acordo chamado “Artigos da Confederação”. Este acordo tornou-se insuficiente porque não cobria direitos essenciais em relação às taxas e ao comércio entre os estados. Da necessidade de aperfeiçoar aqueles artigos criou-se a Constituição unindo os estados numa federação, porem independentes com o poder dividido entre eles e o governo central. De Montesquieu tiraram a idéia de dividir o Estado em três poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo. Ao final, adicionaram à Constituição um “Bill of Rights” contemplando o cidadão com direitos de se manifestar livremente, liberdade de religião, e julgamento mediante provas.

O êxito da campanha norte-americana para se livrar do jugo inglês resultou no exemplo que aos poucos foi sendo seguido por outras colônias espanholas e portuguesas nas Américas Central e do Sul. Quando Napoleão invadiu a Espanha em 1808, os revolucionários das Américas viram ai a sua chance. Seus planos de independência iniciaram-se no México, seguido por áreas na América Central, e todos eles depois de revoltas sangrentas terminaram por conquistar sua Independência. Na América do Sul, o movimento iniciou-se com o crioulo Simon Bolívar conquistando a liberdade da Venezuela. O movimento se alastrou pelas colônias espanholas não sem derramamento de sangue. Apenas no Brasil ocorreu a Independência de Portugal, de forma pacífica.

Ao final da Guerra Civil, os USA já eram ativos jogadores nos affairs internacionais. Sua industria prosperava atraindo milhares de imigrantes do velho continente. Em 1823, o Presidente James Monroe advertiu os poderes europeus a não interferirem no hemisfério ocidental (Doutrina Monroe, pela qual os USA pleiteia o direito de se opor a intervenção estrangeira em qualquer região das Américas). E, quando em 1895, os britânicos entraram em desacordo com a Venezuela por questões de fronteira com a Guiana Inglesa, o USA persistiram na necessidade de levar a questão a uma arbitragem internacional.

Mais de dois séculos se passaram após a decretação da independência dos USA. E o Império Britânico não poderia de forma alguma imaginar no que se transformariam as suas colônias do continente norte-americano que das treze iniciais, evoluíram para 51 estados. O idealismo de um grupo de grandes estadistas traçou a rota de uma Nação que não encontra similar ao redor do mundo. O senso de dever e de liberdade, perceptível na leitura do “American Papers” (Coleção dos trabalhos escritos por Hamilton, Madison e Jay), foi a semente que se espalhou generosamente pelo território norte-americano, dando origem ao florescimento de uma grande Nação, cujos frutos são colhidos ao redor do mundo que, por causa deles, mudou para melhor. E se queremos continuar usufruindo os amplos benefícios desses frutos temos que combater, com todas as forças das nossas almas, o antiamericanismo. Dependemos das riquezas e da democracia norte-americana. Dependemos dos rumos que os USA dão às suas políticas externas. Se a grande Nação do Norte falhar, falharemos todos nós. As democracias e as economias mundiais ficarão acéfalas e expostas a governantes tiranos e a decadência econômica. É, portanto, dever de todo cidadão que preze os valores inerentes à Democracia, orar para que os céus protejam os USA. “God save América!”

Margaret Thatcher

Sunday, September 23rd, 2007


Quando nos lembramos de Ronald Reagan, memoravel ex-presidente dos Estados Unidos da América do Norte, nosso pensamento se volta para Lady Margaret Thatcher. Thatcher, também apelidada pelo Kremlim de “Iron Lady” e Ronald Reagan foram grande amigos. Formaram uma dupla imbatível em questões de política internacional, atuando juntos num momento bastante crítico da história mundial.

Thatcher e Reagan se encontraram pela primeira vez em 1975 , quando ela foi nomeada para liderar o Partido Conservador. Ela o conhecia através de seu marido Denis, que retornando dos Estados Unidos na década de 60, entusiasmado entregou-lhe uma cópia de um discurso feito por Reagan no Instituto dos Diretores. Thatcher pressentiu naquele texto o nascimento de um líder. E quando o encontrou pessoalmente, de imediato sentiu-se cativada pelo charme, senso de humor e diretrizes do cow-boy. Tornaram-se amigos, com Reagan a visitando na House of Commons, e Thatcher lendo todas as falas de Reagan e o percebendo cada vez mais forte e capaz.

Descendente de um clã de políticos pelo lado paterno, Thatcher nasceu numa pequena cidade do interior da Inglaterra, Lincoln, distrito de Grantham. Seu pai, além de proprietário de um pequeno mercado, também era militante do Partido Conservador, tendo sido prefeito. Isto deu a ela a chance de passar grande parte dos momentos de lazer durante a infância e juventude debruçada sobre os joelhos paternos, ouvindo-o em suas discussões políticas com a vizinhança. Sempre muito dedicada aos estudos passou pela Universidade de Oxford onde estudou Química. Já na época da universidade seu caráter participativo a levou a uma atuação importante no centro acadêmico (OUCA) daquela escola.

Profundamente religiosa Lady Thatcher considera o cristianismo a sua âncora de estabilidade. Introspectiva gosta de ler, gosta de estar consigo mesma, com seus próprios pensamentos digerindo suas leituras prediletas cujos temas versam sobre política e teologia. Chocada com a leitura de um livro de C.S.Lewis, “Mere christianity”, lido durante o tempo de faculdade, cujo ponto central partia da comparação entre o caminho que os cristão seguem em contraste com a fé que professam, compreendeu que deveria buscar a santidade através do exemplo dos santos.

Da riqueza de detalhes que encontramos na biografia de Thatcher, podemos ressaltar seu visceral repúdio ao pensamento dos intelectuais de esquerda. Estudiosa e responsavel dedicou-se à leitura e interpretação dos textos de grandes escritores como Popper, Hayek, Stuart-Mills, Tocqueville e outros que lhe serviram de modêlo em sua gestão pública.

Perfilando-se nos ideais paternos, Thatcher cresceu acreditando numa sociedade livre. Aos 16 anos de idade leu “Out of the night” do alemão Jan Valtin e impressionou-se muito. Segundo ela, os horrores do nazismo narrados no livro a afligiram muito, bem como as informações sobre os cínicos acordos que os comunistas fizeram com Hitler a fim de subverter a democracia na Alemanha entre o final e o início das décadas de vinte e trinta, quando o pacto nazi-soviético destruiu a Polonia, os estados bálticos e a Finlândia. O livro serviu para faze-la entender que nazismo e comunismo são faces da mesma moeda.

Desde a juventude militou no Partido Conservador. Ainda muito jovem observou que a esquerda inglesa (Labour Party) era extremamente efetiva em retratar os conservadores como os únicos responsáveis pelo abandono da política doméstica numa época em que a Europa se encontrava em plena II Guerra Mundial, e muitos assuntos externos eram mais imperativos que os problemas internos de seu país. As esquerdas inglesas militavam de forma irresponsavel e extremista bem junto ao Partido Conservador. E não queriam a reeleição de Churchill. Movida por esta observação Lady Thatcher iniciou sua militância ativa falando para os candidatos de seu partido incansavelmente. Afirmava sempre aos seus ouvintes: ” Estamos caminhando para uma grande batalha como este país jámais viu anteriormente. Uma batalha entre dois caminhjos de vida, um que leva inevitavelmente à escravidão, o outro à Liberdade. Nossos oponentes querem nos fazer crer que o conservadorismo é um privilégio de poucos. Mas o conservadorismo preserva tudo o que é de melhor e mais grandioso de nossas heranças culturais. Nossa política não é construir na inveja ou no ódio, mas na liberdade para todos. Não queremos suprimir o sucesso. Ao contrario, o encorajamos bem como a energia e a iniciativa. Em 1940, não choravamos o nacionalismo que levantou este país e combateu o totalitarismo. Chorávamos por libertação.” Chocada com as chances que se abriam para a esquerda inglesa, Thatcher saiu em campo para caminhar com seus próprios pés e lutar contra o inimigo.

Em fins de 1969, a convite dos russos, Thatcher realizou sua primeira viagem a Moscou durante um final de semana. Conhecedora das táticas soviéticas pagou por sua viagem e demonstrou interesse apenas em visitar igrejas e museus. Mas sua mente observadora captou através dos trabalhadores que que encontrou nas ruas de Moscou, e dos estudantes nas universidades, que o comunismo era um regime para uma elite privilegiada, e capitalismo o credo para o homem comum.

Na década de 70, com o intuito de combater o Marxismo-Leninismo, Thatcher fazia conferências por toda a Europa, iniciando suas palestras sempre com a mesma frase: ” Em alguns países europeus nós vemos agora os partidos comunistas vestido com roupas democráticas, e falando com vozes suaves…” vendo nestes inimigos dentes e apetite de lobo vorazes. No final desta mesma década, três novos rostos surgiram na Europa e Estados Unidos: um papa polonês ascendia ao trono de São Paulo sonhando reunificar a Europa cristã. Uma mulher de grasnde força moral foi ocupar os escritórios de Downing Street, 10, enquanto um ex-ator norte-americano foi colocado no Salão Oval da White House, e grande comunicador que era logo classificou a União Soviética como Império do Mal.

No início dos anos 80, duras experiencias mostraram que o Ocidente sofria de ilusões persistentes em relação à URSS. Estava em moda entre os cientistas políticos falar de “convergência”, uma idéia de que o tempo poderia drenar de volta para o ocidente o leste assolado por problemas políticos e economicos. Pura ilusão, pois no conceito deles havia o erro de acreditar numa diferenciação entre os regimes comunistas de acordo com sua dependencia de Moscou. Ao contrário, quanto mais repressivo fosse o governo mais favores recebia de Moscou, tal como acontecia com Ceausescu. A outra ilusão era a “detènte”: acreditavam que a conduta de Moscou dependia do bom comportamento do Ocidente. Mas o fato é que os comunistas não reagem à amabilidade. Mas estas esperanças drenavam a tensão das relações Leste-Oeste, vistas apenas como uma estratégia que no futuro talvez fosse bem sucedida. Em meio a estas procrastinações, em 1975 desponta uma nova estrela em Moscou, Mikhail Gorbachev. Para o partido ele não tinha credenciais democráticas , mas como ser humano era diferente. Era o único homem inoculado contra a memória stalinista. Era um homem com quem se poderia conversar, embora os primeiros contatos entre Reagam e ele não foram producentes. Mas, em 1987*, num encontro em Reykjavik entre líderes mundiais para uma discussão sobre desarmamento, Gorbachev surpreendeu propondo um corte de 50% na produção de armas nucleares. O tratado foi assinado. A seguir, um incidente tornou ridícula a Guerra-fria. Um jovem de 19 anos, Matthias Rust, pilotando um mono-motor invadiu o espaço aéreo russo, terminando sua aventura sem maiores problemas próximo às calçadas da praça Vermelha em Moscou.

Uns três anos após a eleição de Gorbachev para a presidência da Rússia, o último império colonial europeu começou a ruir. E a análise de Gorbachev sobre a crise soviética que pode ser deduzida de seu livro “Perestroika” lançado em q989, foi um catálago de desculpas. Os gastos com armamentos roubavam as possiblidades de melhorar a qualidade de vida das populações comunistas. Os métodos de planejamento comunista haviam falhado. O partido era corrupto. Os jovens se afastavam da ideologia comunista enquanto o cidadão perdia a paciência com promessas mentirosas, e a sociedade soviética estava tomada de apatia. Neste clima de necessidade de urgentes reformas Gorbachev deu boas vindas ao Presidente Reagan. E com a glasnost* finalmente rompeu com o silencio por trás da cortina de ferro. A partir daí o comunismo ´passou a ser denunciado ao redor do mundo.

Na magestosa Catedral de Washington, mesmo doente Lady Thatcher esteve presente para dar adeus ao amigo querido, Ronald Reagan. Com certeza seu pensamento retornou àquela criança que aprendeu política debruçada sobre os joelhos paternos. Deste privilegiado posto de observação do mundo, Thatcher pode refazer sua longa e gloriosa caminhada na política interna de seu país e na internacional. Reconheceu erros e acertos. A sua obsessão por disciplina deu um estilo autoritário em todas as esferas do governo. O efeito sem que fosse sua intençao foi uma centralização de poder, o que ela tanto condenava no sistema comunista. Mas em política externa movida pelo seu agudo espírito observador, pelo seu horror ao comunismo, com seu extraordinãrio conhecimento da matéria foi reconhecida como fonte de inspiração para Jacques Delors*** e para o amigo à quem diziam adeus naquele momento.

De seus 15 anos como militante política, e 11 e 1/2 ocupando o cargo de primeiro-ministro, Thatcher nos lega a certeza de que um mundo globalizado com grande mobilidade de pessoas e capitais, revoluções nas Comunicações e na Tecnologia, são o melhor antídoto contra o veneno destilado por mentes e governos com tendências totalitárias. Segundo ela, a experiencia russa demonstra que sem o respeito á lei, sem a compreensão dos limites do governo, sem o respeito á propriedade privada e à liberdade empresarial, é difícil construir instituições democráticas. Sua missão maior, entretanto foi persistir desde a juventude no ideal de combater o comunismo por uma questão de princípio moral.

* glasnost: uma política oficial russa enfatizando informações públicas.

** Jacques Delors: Primeiro Ministro francês, católico e socialista. Mas um discípulo de Monnet e Schuman, visto por seus oponentes como umEuro-fundamentalista. O principal instrumento para as suas ambições foi o Single European Act (SEA). Foi Primeiro Ministro entre 1985 e 1992. O SEA foi um programa elaborado para permitir a total abolição de barreiras e a mobilidade na Comunidade Européia. Apresentado em 1985, e adotado em 1986 pelos estados-membros.

O presente artigo foi escrito por ocasião do falecimento de Ronald Reagan

Batalha da Normandie

Wednesday, August 1st, 2007

Regina Caldas

2004

Em 2004 festejamos 60 anos da extraordinária vitória dos aliados sobre os alemães, na batalha da Normandie. Vitória que marcou o início do final da II Guerra Mundial, que na Europa chegou ao fim em 8 de maio de 1945, VE-Day, e, com a rendição do Japão em 14/6/1945, a humanidade pode reencontrar outra vez o caminho da paz.

Das lembranças de guerra registradas pela História, vale relembrar alguns fatos e personagens que tornaram o D-Day, como ficou mais conhecido o dia da rendição dos alemães na Normandie, um fato memorável.

NORMANDIE

Região situada ao norte da França, de onde a Inglaterra iniciou o famoso D-Day, II Guerra Mundial, preparado com a maior armada de guerra jamais vista anteriormente, a fim de dominar a costa francesa e dali se estender pelo território francês alcançando o coração da Alemanha nazista.

A ofensiva anglo-americana compunha-se de 1.200 barcos de comando; 10.000 aeroplanos; 4.126 embarcações de aterrisagem; 804 barcos de transporte; centenas de anfíbios e outros tanques especiais; 156.000 tropas (americanas, canadenses e inglesas), 132.500, vindas pelo canal da Mancha e 23.500 por via aérea.

O carisma de Wiston Churchill

Churchill qualificou o D-Day como “o mais delicado momento da história britânica”. Premido pela realidade que miraculosamente salvara as tropas inglesas da débâcle de 1940 em Dunkirk, ele se sentia sozinho imaginando que a qualquer momento as tropas alemãs poderiam atravessar o canal e invadir a Inglaterra. Era necessário conceber algum plano para defesa da ilha e dali partir um comando de guerra que nocauteasse as forças alemãs antes que elas surgissem nos horizontes do canal da Mancha.

Em 1941, Churchill visitou Bristol, quando a cidade acabara de sofrer um ataque aéreo. Caminhando pelo centro da cidade, o Primeiro Ministro encontrou uma velha senhora em prantos pela sua casa destruída. E, quando parou diante dela, a senhora retirou o lenço de seus olhos e começou a gritar: “Hurrah! Hurrah! Foi este carisma de Churchill que lhe serviu de suporte para idealizar a operação Overlord, e que manteve a nação unida no esforço de guerra, de uma forma jamais vista antes na Inglaterra. Sua retórica: “ sangue, suor e lágrimas” deu o toque de coragem e de esperança que os ingleses necessitavam. E o extraordinário paradoxo era o seu reconhecimento de que a sobrevivência nacional dependia dos Estados Unidos,cujos cidadãos não nutriam grande simpatia pelos ingleses. Churchill sabia que precisava do apoio moral e material dos americanos. E sentia-se angustiado relembrando suas experiências na I Guerra Mundial, sabendo que o mais importante seria preparar uma estratégia que superasse as forças alemãs que até o momento, além de estarem vitoriosas, anexavam territórios europeus à Alemanha, e cada vez mais se aproximavam da Inglaterra. Assim, durante o verão de 1943, o General Morgan e seus aliados trabalharam arduamente na organização de um plano de ataque ao inimigo. E na reunião do “Quadrante” em Quebec, toda a estratégia para o primeiro assalto à Normandie foi aprovada.

A França cai nas mãos do inimigo

Enquanto a moral das tropas alemãs estava em alta, os nazistas traçaram uma estratégia para realizar uma campanha baseada em três estratégias: uma operação nos Paises-Baixos, uma na França e uma terceira, aérea contra a Inglaterra para neutralizar a Fôrça Naval inglesa e manter os aliados aparte. Assim, os alemães bombardearam Rotterdam em 10 de maio de 1940, a seguir dominaram a Bélgica, e, em 18 dias os Países-Baixos estavam dominados. Cruzaram a fronteira francesa e, em 16 de junho dominaram Paris. A queda da França representa um daqueles eventos que marcam o fim de uma era. A França, por três séculos foi considerada o maior poder militar. Os invasores germânicos não tinham superioridade numérica, nem veículos armados, mas seus panzers provocaram confusão e pânico. Morte, captura ou fuga foram as únicas alternativas que restaram aos franceses. O Batalhão Especial Francês foi totalmente destruído nas dunas de Dunkirk. E, para não repetir a terrível saga de setenta anos atrás (1870), os líderes franceses tomaram a iniciativa de proporem um acordo. O Marechal Petain assinou a captulação. A França foi desarmada e 2 milhões de seus soldados levados a prestar serviços ao Reich. Quando Hitler veio para receber as saudações das Legiões Francesas em Champs-Elysées, ele era o senhor da Europa (Overlord), dos Pirineus ao Pripet. Mas uma nova voz emocionada, expressando-se num miserável francês desafiou o inimigo e cruzou o território dominado: “ Une nation qui produit trois cents sortes de fromage ne peut pás périr”, falou Churchill , enquanto de Gaulle afirmava: “A França perdeu uma batalha mas não a guerra.

Paris libertou-se do jugo alemão em 19 de agosto de 1944. Em 25, General de Gaulle desfilou em carro aberto por Champs-Élysées, enquanto a Catedral de Notre-Dame celebrava com um magnífico Te Deum. Paris estava livre!

Operação OVERLORD

A essência do grande plano de invasão da Nornandie seria montar uma operação partindo da Inglaterra, que assegurasse uma área no continente que contivesse todas as facilidades necessárias para sustentar uma força de até trinta divisões, e capacitada para absorver qualquer socorro adicional. De comum acordo foi decidido que o supremo comandante da operação seria o americano General Dwight D.Eisenhower, comandante do US na África, onde ele conheceu aquele que seria o comandante das forças, Sir Bernard Law Montgomery. A área selecionada para abrigar as forças foi o sudoeste francês, que oferecia as melhores vantagens. O local era protegido dos ventos do Atlântico e próximo do porto de Cherbourg, o que facilitava o suprimento das tropas. Do local também se poderia bombardear as pontes do rio Sena impedindo uma defesa alemã que viesse do leste. Assim, decididas as bases, deu-se inicio à operação Overlord. Durante o verão de 1943, o General Morgan e seus aliados trabalharam arduamente na organização do plano de ataque ao inimigo.

Retornando do norte da África em 1943, o Marechal de Campo, Erwin Rommel foi enviado para inspecionar as defesas alemãs no local que eles chamavam de muro do Atlântico. Retornou alarmado: não existia defesa na maior parte das áreas já ocupadas pelos alemães, os portos e suas tropas tinham sido destruídos, encontrou minas e cercas de arame farpado. Para marcar posição, deslocou tropas do grupo B (Armas Alemãs) estacionadas entre a Holanda e o Loire (França). Na ocasião ele predisse que o ataque dos aliados viria pela Normandie, e decidiu concentrar suas defesas na região. Sua iniciativa foi colocar obstáculos que impedissem a entrada dos invasores através das praias. Mas quando os aliados chegaram, Rommel tinha preparado apenas 20% de seu plano de defesa.

A Resistência Francesa foi de enorme ajuda para os aliados no assalto à Normandie. Mas dependiam das armas e da orientação que recebiam do governo inglês, desde 1940. Isto exigia ações cautelosas, pois quando descobertas eram violentamente atacados pelos nazistas. Muitos agentes da Resistência eram cidadãos franceses que foram retirados da França e treinados pelos agentes ingleses. Quando ocorreu o D-Day , eram 300 agentes trabalhando com a Resistência. Do total dos agentes, 64 foram caçados pela Gestapo, e 297 simplesmente desapareceram.

Com a aproximação do D-Day, o trabalho da Resistência acelerou, com sabotagens de estradas de ferro, de serviços de telefonia, e emboscadas nas estradas usadas para os transportes alemães. Outro importante trabalho da Resistência foi destruir as plantas de fábricas e as de fornecimento de energia elétrica utilizadas pelos alemães.

Nos três meses que antecederam o D-Day, 1.500 toneladas de equipamentos foram introduzidos na França, e, até o final da operação, 6.500 toneladas de equipamentos e 400 agentes especiais. Havia também os “Jedburgh”, times formados por pequenos grupos de franceses, britânicos e americanos que guiavam o lançamento de suprimentos por via aérea, onde e quando necessário. Mais de 1.900 oficiais ingleses e franceses desceram de pára-quedas para executar tarefas especificas.

A operação Neturno, parte naval do Overlord, compreendia duas forças-tarefa: uma para dar suporte â força americana nas praias de Omaha e Utah, e outra para assistir os britânicos nas praias de Gold, Juno e Sword. Cada força era conhecida por uma letra.

Durante as operações, mais de 1.500 maquinas das estradas de ferro francesas foram destruídas, uma façanha de grande importância para enfraquecer as forças alemãs. E, a partir de fevereiro de 1944, as ilhas britânicas foram fechadas para o resto do mundo. E então, em abril, 10 milhas distante da costa, todo o trajeto até a terra foi fechado para qualquer visitante, e os serviços telefônicos e postais censurados ou cortados. Em maio, nos portos ao redor do país navios mercantes foram retirados, e, a partir de primeiro de junho as tropas que faziam parte da armada foram trancadas nos campos de embarque. O D-Day deveria acontecer numa segunda-feira, 5 de junho. Mas, no sábado anterior, o tempo obrigou a mais um dia de espera. Eisenhower teria então que tomar a decisão mais perigosa da história militar. Depois de muitas reflexões ele decidiu: “We’ll go”, e os barcos começaram a se mover. A Overlord estava começando! A operação Netuno é um desafio à imaginação. Um total de 6.939 barcos cruzando o canal ! Os barcos se aproximavam da costa a uma distância suficiente para que os soldados divisassem as casas, mas foram ignorados pelos germânicos. Eles não acreditavam, que com o mau tempo daquela noite , pudesse ocorrer alguma invasão, e o marechal Rommel tinha viajado para a Alemanha a fim de comemorar o aniversário de sua esposa. Assim, em 6 de junho de 1944 iniciou-se a invasão da costa da Normandie. Apesar do mau tempo, toda a operação foi executada com uma precisão acurada. Os alemães foram pegos de surpresa por terra, ar e mar. O D-day foi considerado o dia mais longo da história. E, segundo as palavras de Lord Montgomery, com a operação Overlord, ganhou-se uma posição segura na Europa para uma vitória sobre as forças inimigas.

A Batalha da Normandie terminou em 27 de agosto de 1944. Vieram outras batalhas com ganhos e perdas, até que pudessem cruzar o Reno (esta também uma operação anfíbia excepcional), e invadirem o coração da Alemanha. A guerra na Europa terminou em maio de 1945, quando as luzes da Europa foram finalmente acesas.

Marechal Bernard Montgomery

Um dos personagens mais fascinantes da II Guerra Mundial é, sem sombra de dúvidas, o Marechal Montgomery. Levava o povo inglês ao delírio.

Bernard Montgomery nasceu em 1887, e foi educado no St Paul’s School e em Sandhurst, e, em 1908, aos 21 anos de idade, ganhou patente militar no Regimento Real de Warwickshire. Participou da I e II Guerras Mundiais. Assumiu posto de comando tanto na Índia como na Inglaterra, e, em 1938 foi promovido ao posto de major-general. Comandou a Batalha de Alamein, vencendo os alemães na Tunísia, tornando-se um ídolo do público britânico. Liderou a 8ª Arma na Sicília e Itália até dezembro de 1943. Ajudou a formular o plano de invasão na França, e, na Batalha da Normandia, foi comandante em campo de todas as batalhas terrestres até 1944, quando liderou o Grupo da 21ª Arma. Quando os alemães avançaram na Batalha de Bulge, Montgomery liderou as duas tropas americanas. Mais tarde cruzou da Alemanha para o Báltico e encabeçou entre 45/46, a ocupação das tropas inglesas no território alemão. Tornou-se Marechal de Campo em 1944, e recebeu as insígnias de Visconde em 1946. Tornou-se chefe geral do staff do Império entre 46/48, quando foi chairman dos comandantes em-chefe no Comitê de Forças Permanentes para a organização da defesa da França, Inglaterra, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. De 51 a 58, foi supremo comandante das Forças Aliadas na Europa. Escreveu vários livros: Forward to Victory; Normandy to the Baltic; El Alamein to the river Sangro; An Approach to Sanity ; The Path to Leadership; e A Story to Warfare.

 

The Overlord Embroidery

 

 

A historia bordada na Tapeçaria do Overlord, comemora a monumental vitória dos aliados sobre as forças alemãs, desde 1940 até a invasão da Normandie, também conhecida como “operação Overlord”, iniciada em 6 de junho de 1944, e terminada em 27 de agosto do mesmo ano. Este é um tributo ao esforço feito pelos aliados durante a II Guerra Mundial. Foi um presente que Lord Duvelton deu à Nação Inglesa. A seqüência de eventos que a tapeçaria retrata é militar. Os painéis retratam a vasta complexidade das preparações para a guerra que envolveu não só as populações civis da Inglaterra, como também a cooperação dos aliados. É uma pequena e maravilhosa amostra do esforço consumido na liderança da guerra, mas também do alto preço em vidas perdidas que os aliados precisaram pagar. Mas o propósito fundamental desta tapeçaria não seria revelar apenas a eficiência dos aliados e do alto comando inglês, mas um tributo ao esforço e ao sacrifício de todos os envolvidos; alto comando, soldados e o povo em especial, cada um deles esteve envolvido em algum grau.

A Tapeçaria foi encomendada à Escola Real de Needlework, em 1968. Contou com a supervisão da desenhista Sandra Lawrence, sob a orientação do Departamento de História do Ministerio da Defesa Britânica. 50 tipos diferentes de materiais foram usados na Tapeçaria, incluindo o cáqui dos uniformes das tropas e o galão dourado.O resultado foi um trabalho de mérito e importância histórica. A tapeçaria permanece exposta no Museu Naval de Porthsmouth, sul da Inglaterra. Vale a pena ser visitado.

Bibliografia:

Conquest & Overlord by Briaqn Jewell

Europa- Davies, Norman – Oxford University Press- 1996

The rise and fall of the British Empire- James, Lawrence- St Martin’s Press NY 1994

Partido Trabalhista Britânico

Thursday, July 26th, 2007

Regina Caldas

Dezembro/2004

“Onde quer que Sir Stafford Cripps* (Partido Trabalhista Inglês) tenta incrementar riqueza e felicidade,

a grama jamais volta a crescer” Margaret Thatcher

Em 1900, no Congresso do Sindicato dos Trabalhadores, numa cooperação com o independente Labour Party (fundado em 1893), estabeleceu-se o Comitê de Representação do Trabalhador, que, a partir de 1906 adotou o nome de Partido Trabalhista (Labour Party). O partido obteve adesão imediata e usufruiu a coalisão de governos durante a I Guerra Mundial. Em 1918, nas eleições gerais, tornou-se o segundo maior partido na “House of Commons”, chegando ao final da guerra, como o partido da oposição. Em janeiro de 1924, com o apoio dos liberais, Ramsay MacDonald formou o primeiro governo do Partido Trabalhista, que caiu logo a seguir. Em 1929, o partido obteve outra vez votação suficiente para formar uma administração apoiada pelos liberais, e governou até 1931 quando por desentendimentos sobre políticas econômicas lideradas por MacDonald**, resignou-se a formar uma coalisão governamental com os Conservadores.

Em 1945, uma campanha baseada em nacionalização, reconstrução e o aumento dos investimentos nas políticas públicas da Saúde, deram ao Partido Trabalhista uma vitória extraordinária. Nas eleições de 1950, entretanto a maioria do Partido, na “House of Commons”, ficou reduzida a cinco representantes e, em 1951 perdeu as eleições para os Conservadores. Na década de 50, a questão de quando e como adaptar um partido tradicionalmente socialista à uma sociedade afluente, especialmente em questões de nacionalização das indústrias, dividiu o partido. Os seguidores de Aneurin Bevan (Bevanites), queriam uma política econômica de cunho mais socialista além de se libertarem da dependência norte-americana. Os revisionistas desejavam abandonar o comprometimento com a nacionalização das industrias. O Partido não recuperou seu poder até 1964.

Uma política de governo é, em si mesma, o agente de importantes mudanças na vida de uma Nação. Na Inglaterra, alguns programas implementados pelo Partido Trabalhista após 1945, resultaram em modificações no funcionamento do sistema político: o aumento da ingerência do Estado na economia, o uso dos impostos para aumentar o atendimento à Saúde (foi introduzido o Serviço Nacional de Saúde), e à Educação Publica, e um incremento na organização das legislações trabalhistas além da implementação de programas nacionais de previdência social.

O governo do Partido Trabalhista nacionalizou algumas das maiores industrias inglesa: minas de carvão, aço, além das estradas de ferro, Banco da Inglaterra, aviação civil, serviços de cabogramas e telegramas, gás, eletricidade, estradas, fato ocorrido em parte pela doutrina socialista, bem como pela falência da industria britânica em se manter competitiva nos mercados internacionais. Entretanto, dadas as circunstâncias do momento político vivido pela Inglaterra na década de 40, não se pode afirmar que o Partido Trabalhista foi o único responsável pela terrível carestia que assolou o país na década de 50. Aliás, a opinião de historiadores e políticos ingleses não encontra unanimidade em tais afirmativas. Lawrence James (historiador), pondera que o país passava por um período de intensa descolonização, acatou as imposições norte-americanas para que desenvolvessem bombas nucleares além de manterem bases de defesa na região do canal (Suez) para atacar a URSS durante a guerra fria caso fosse necessário, uma desvalorização da libra dentre outras mazelas responderam pelo encolhimento da economia inglesa no pós-guerra. Já Margaret Thatcher , com a fleuma inglesa, afirma que a década de 50 foi muito boa para a economia do país. Na visão de Thatcher não havia carestia. Pelo contrário, a época era de reconstrução. Já o brasileiro Jorge Ernesto Macedo Geisel***, que residiu no país durante o período, afirma que a carestia era intensa , a tal ponto que as mulheres chegavam a economizar os sapatos colocando placas de metal em suas solas para que não fossem gastos. É dentro deste quadro que se deve incluir a colaboração que as medidas políticas, tanto externas quanto internas, adotadas pelo governo do Partido Trabalhista, contribuíram durante a década de 40, para que na subseqüente o país enfrentasse graves problemas econômicos.

Atualmente existe a tendência entre os ingleses para debater as condições políticas do país, em especial do período que vai entre 1940 e 1951. Estes debates revelam muito mais as dissensões internas no Partido Trabalhista, chamando a atenção para a necessidade de convergência política entre os partidos, do que o quanto contribuiu com suas políticas interna e externa para a pobreza experimentada durante décadas seguidas. Assim não é surpresa que o debate se fixe no Partido Trabalhista, pois a comparação entre o comportamento do partido durante a II Guerra e o pós-guerra aponta um avanço do mesmo em busca de consenso. O vigoroso debate sobre a direção que tomaram as estratégias do Partido foi atiçado pelas criticas de Harold Laski e Aneurin Bevan. E daí surgiram as dissidências entre suas lideranças. Os termos como estes debates foram conduzidos, mostraram que o partido manteve uma diferenciada aproximação política durante a guerra e que não submergiu na atmosfera da coalizão. Da mesma forma, as apaixonadas desavenças internas sobre estratégias mostrou que não encontrou suporte na coalizão , mas apenas a oportunidade para fazer as reformas que pretendia. Participação no governo nacional representava a chance para mudanças seguras no front doméstico, que fossem aceitáveis. Na área externa, Attlee deu continuidade às políticas adotadas por Churchill. Apesar disto, dentro do partido houve dissabores a respeito das políticas adotadas, mesmo havendo harmonia entre Attllee e Bevin. O consenso britânico na área externa, entretanto, após a guerra, representou a marginalização do partido, com o Gabinete se apossando de políticas mais conservadoras que o próprio partido dos Conservadores. Contrastando, nas questões referentes às colônias foram os Conservadores que aceitaram as políticas adotadas pelo Partido Trabalhista. Entretanto, não se deve exagerar a natureza do consenso desenvolvido entre os dois partidos em relação à política colonial. Descolonização foi matéria de intensa ideologia e geraram divisões internas em ambos os partidos.

O tema do consenso tem dominado muito mais a discussão dos partidos ingleses na atualidade, do que uma busca por responsáveis pelas políticas adotadas no passado que redundaram na decadência econômica inglesa. O que existe é um saudável debate sobre o quanto a política britânica mudou nas últimas décadas, apesar da ideologia, do pragmatismo e do estilo pessoal. O advento do governo Thatcher, a partir de 1979, é visto como modelo que veio para mudar o consenso político estabelecido imediatamente no pós-guerra, colocando limites para o Estado, uma grande ênfase no mercado e nos negócios, e novos modelos para a Saúde e Educação. Thatcher sabia fechar a boca de políticos que gritavam “estarem no meio do caminho”, observando que, na sua experiência, o povo também estava no meio de uma estrada usualmente correndo além deles. A clareza de Thatcher formou um contraste com as políticas do Partido Trabalhista, que na atualidade, liderado por Tony Blair, aparentemente aceitou muitos dos caminhos do Thatcherismo, e que, em conseqüência busca novo consenso.

*Sir Stafford Crips (Labour Party): Liderou em 1946, missão para entrar em acordo com a Índia sobre o futuro do país.

**Clement Attlee escreveu sobre MacDonald em sua auto-biografia:

“No passado eu vi MacDonald como um grande líder. Ele tinha uma fina presença e grande poder de oratória. A linha impopular que ele adotou durante a I Guerra Mundial deu a ele a pecha de homem de grande caráter. Apesar de alguns fatos negativos, não deixei de admirá-lo até que ele retornou ao governo pela segunda vez. Então percebi sua relutância para adotar ações positivas e notei decepcionadas sua imensa vaidade e esnobação, além do fato dele me falar mal de seus colegas de Gabinete, tudo isto me causou enorme decepção. Eu de fato não podia esperar que ele pudesse perpetrar a grandeza política de nosso país. Percebi que Snowden tinha se transformado num dócil discípulo da ortodoxia financeira. Mas eu não esperava que ele se tornasse vitima da violenta aversão daqueles que servia com lealdade. O choque para o partido foi enorme, especialmente para os trabalhadores que fizeram grandes sacrifícios por aquele homem”.

Muitos membros do Governo, dentre eles, eu, estavam seriamente descontentes pela falta de uma política construtiva exibida pelos membros do Governo. Percebíamos também um estranhamento entre MacDonald e os membros do partido. Ele se mantinha envolvido com pessoas que não partilhavam a visão do partido. Esta oposição não se cristalizou por causa da lealdade do único homem que poderia assumir o lugar de MacDonald: Arthur Henderson. Apesar da queda das medidas políticas adotadas, MacDonald e Snowden convenceram o partido à formação de um Comitê de Economia, sob o comando de Sir George May, chairmam da Prudential Insurance Company. As conseqüências já eram previstas. As propostas eram direcionadas para cortar os serviços sociais e, especialmente os benefícios dos desempregados. O remédio deles para uma crise econômica encabeçada pelo excesso de commodities sobre efetiva demanda foi cortar o poder de compra da massa dos trabalhadores. A maioria rejeitou aquelas propostas e foi por ai que o Governo quebrou. MacDonald teve que se resignar a aceitar uma Comissão Real para formar um Governo Nacional”.

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Estados Unidos e Europa: uma aliança vital e duradoura

Tuesday, July 24th, 2007

ESTADOS UNIDOS-EUROPA: UMA ALIANÇA VITAL E DURÁVEL

Donald Rumsfeld: Secretário americano de Defesa

Nos últimos anos, numerosos experts e comentadores têm afirmado que a Aliança do Atlântico (OTAN), tem sido quebrada ou que tem sido inútil. Como velho Embaixador da OTAN, (Organização do Tratado de Atlântico Norte), posso afirmar, por experiência, que estas predições não representam nada de novo. Na qualidade de Secretário da Defesa, parece-me que a parceria atlântica é hoje mais pertinente e essencial que no passado.

Considerando por um momento os eventos históricos ocorridos em 2004, e revisando o jogo dos Estados Unidos e Europa, a OTAN acolheu sete novos membros, nações que poderão contribuir com a Aliança de maneira significativa. No Afganistão, 8 milhões de cidadãos foram às urnas (40% mulheres), elegendo democraticamente seu presidente, pela primeira vez em cinco mil anos. Da mesma forma, para a Autoridade Palestina, o presidente eleito representa a esperança de uma nova chance para a paz. Na Ucrânia, os cidadãos deram provas da extensão do seu engajamento em eleições livres e equânimes.

No Iraq, os antigos companheiros de Saddan Hussein enfrentaram as ameaças e foram rendidos pelas urnas, onde, pela primeira vez, havia listas oferecendo uma oportunidade de escolha dividida entre sessenta partidos políticos. Em todo o país, os eleitores vindos de todos os lugares, e com ajuda e apoio, seguiam em suas carroças ignorando as ameaças: “Se vais votar, morrerás”

Mesmo que tenhamos quaisquer diferenças a respeito do Iraq, estas questões já não são novas entre amigos de longa data. Quais seriam as principais divisões conhecidas dos aliados da OTAN, no decorrer dos últimos decênios? Na década de 60, a França decidiu se retirar da OTAN e expulsá-la do território francês. Na década de 80, a controvertida decisão do presidente Ronald Reagan, de estender mísseis de meio porte n a Europa, criou um profundo desacordo. Na qualidade de embaixador da OTAN, na década de 70, testemunhei em Washington contra uma proposta de lei do Congresso americano, de retirada das tropas americanas da Europa, em plena época da Guerra-Fria.

A Aliança Atlântica tem navegado sob uma forte tempestade ao longo dos anos, mas temos até hoje superado as questões mais difíceis, porque somos fortemente unidos: por nossos valores partilhados, por nossa história comum, e por nossa fé indestrutível na democracia.

Atualmente nós partilhamos um inimigo em comum: são todos os extremistas que objetivam atingir as sociedades civilizadas ao redor do mundo: de Nova York e Washington à Istambul, Madrid, Beslan, Bali, etc. Eles não procuram mais fazer a paz com o mundo civilizado. E não vão negociar com nenhum país separadamente. Eles não esperam nada além da divisão entre a Europa e a América, e acima de tudo não querem vê-las trabalhando juntas.

Os numerosos arrestos de pessoas suspeitas de terrorismo na França e na Alemanha demonstram que nenhuma nação poderá sozinha fazer o trabalho necessário à vitória na luta contra os extremistas. A América e os paises europeus, partilham muitas vezes, discretamente, as confidencias que lhes permite caçar os terroristas e arrasar com suas finanças. Assim, os três quartéis conhecidos da Al Qaida puderam ser capturados, e outras capturas estão em andamento.

Uma nação isolada, não poderá lutar contra a proliferação de armas de destruição em massa. Isto porque, aquelas sessenta nações que assumiram a iniciativa de segurança contra aquela proliferação, o fazem num esforço para impedir que armas mortíferas caiam nas mãos de regimes perigosos. Em 2003, as autoridades alemãs, italianas, britânicas e americanas, confiscaram os equipamentos nucleares destinados a Trípoli, fazendo então com que a Líbia abrisse seus inventários de armamentos aos inspetores.

Todas as nações da OTAN estão engajadas nas tropas das Forças de Assistência e Segurança Internacional, atualmente a serviço no Afganistão, onde o general francês está passando o comando para um general turco. Um dos novos membros da OTAN, a Lituânia, à testa de uma equipe de reconstrução de províncias, une-se a outras nações européias para contribuir com a estabilidade e o progresso no Afganistão.

De fato, mais da metade das nações reunidas no seio da OTAN, estão aumentando suas forças no Afganistão e Iraq. Tanto que o povo iraquiano está progredindo no longo e difícil caminho da democracia, enquanto outros paises (também da OTAN), ajudam na formação do pessoal de segurança iraquiana no aporte de fundos e de equipamentos para a construção de uma Escola Superior de Guerra, e de academias militares.

Os membros da OTAN partilham mais que uma aliança: somos unidos pelas linhas de sangue vertido e de nosso objetivo comum, além de uma herança de liberdade e a vocação de nos opormos à violência extremista, e a vencer.

Durante os sessenta anos que são decorridos após a II Guerra Mundial, temos nos apoiado mutuamente em épocas perigosas e difíceis. Tenho idade suficiente para me lembrar da construção do muro de Berlin e sua derrubada, bem como do fim do nazismo, do fascismo e do comunismo soviético. Ao mesmo tempo, me lembro dos membros da OTAN, protegendo o Kôsovo, e, recentemente, levando uma ajuda humanitária às vítimas do Tsunami . Quando a comunidade do atlântico está unida, pode realizar grandes coisas.

Esta união de forma alguma poderá significar uniformização das táticas ou das perspectivas, mas significará, acima de tudo, uma união de intenções em tudo o que é apreciado pelos sistemas políticos e econômicos livres, e na partilha de esperanças semelhantes. Estas esperanças poderão se tornar realidade para outros povos se nos alinharmos com harmonia.

Ukrania

Tuesday, July 24th, 2007

UCRÂNIA

Regina Caldas

2003

Ucrânia é a região através da qual a maioria dos povos europeus se aproxima de suas terras natais. Nos velhos tempos, muito antes da chegada dos eslavos, era conhecida como Sarmatia. Suas terras ocupam grandes setores das planícies do sudoeste russo, entre o Volga e os montes Carpatianos, sendo o principal caminho entre a Ásia e a Europa. É um país rico em minérios como alumínio e ferro. A maior parte de seu território só foi povoado em tempos modernos. Até então, suas pradarias eram habitadas por pagãos e nômades, e suas regras eram ditadas pelas guerras entre cossacos e tártaros. As leis otomanas, entre os séculos 15 e 18, encurralaram este povo entre o Mar Negro e o mundo islâmico.

Vários estados existiram no território ucraniano. Kiev, Galícia, Cossaco, Criméia. No século 19, a região servia de rota de ligação entre o Báltico e o Mar Negro, fazendo com que Kiev fosse o maior centro político e cultural da banda oriental européia. Mas a invasão mongólica, na metade do séc.XIII, marcou o fim do poder de Kiev. No século XIV, grande parte de seu território foi anexada à Lituânia, exceto a Galicia, que passou para o reino da Polônia. Os poloneses comandaram a região após 1569, que foi dividida entre senhores da terra e judeus originários da Polônia. Os russos surgiram aos poucos, entre 1654 e 1945, impondo-lhes uma russificação. Os cossacos foram eliminados pelas armas russas em 1775, e os tártaros da Criméia, em 1783. Sob as leis dos Tzares, o país inteiro foi denominado “Pequena Rússia”, e as terras do sul, designadas para uma nova colonização, foram chamadas de “Nova Rússia”. Não causa então surpresa, que depois de terem sido dominados por tantas culturas diferentes, os ucranianos sejam tão apegados à sua terra. E este apego se manifesta em suas poesias:

“Após a minha morte, enterrem-me no velho morro; em minha própria e amada Ucrânia; no caminho sem fronteira, de onde se pode sentir o respirar dos campos de trigo”.

Entretanto, onde a planície tem sido sempre o playground do poder político, os ucranianos raramente tem tido a chance de serem senhores de seu próprio destino. Seu pequeno período republicano que entre 1918 e 1920 serviu de terreno para as guerras entre as armas Branca e Vermelha russas, foi esmagado pela vitoriosa Arma Vermelha. Após a revolução russa formou-se um governo central em Kiev, e a partir da revolução bolchevista, os comunistas transformaram a região na República Ucraniana Soviética Socialista na Cracóvia, tornando-se, a partir de 1924 apenas um satélite do governo central comunista russo.

Os ucranianos foram vítimas dos mais terríveis desastres provocados pelas mãos humanas, e vítimas indefesas de um genocídio. Numa época em que o desenvolvimento na Rússia se colocava atrás da Europa e dos Estados Unidos, e dependia da agricultura, surge Lênin, que, seguindo as teorias marxistas, considerou que a propriedade privada poderia ser abolida, e que, tanto a indústria quanto a agricultura poderiam ser controladas pelos trabalhadores. O resultado, segundo ele, poderia ser o paraíso na terra, sem desigualdades, injustiças e propriedade privada. Os bolchevistas foram convencidos das ideologias leninistas e permitiram que o Congresso fosse fechado em janeiro de 1918. Isto gerou o descontentamento entre as classes sociais, provocando a guerra civil da qual saiu vencedora a Arma Vermelha, os territórios foram anexados ao governo central e dai nasceu a União Socialista Soviética Russa. Na ocasião, por volta de 1930, os ucranianos foram subjugados à coletivização e, durante a II Guerra Mundial, mais de 40 milhões morreram ou foram deportados para a Sibéria. Alguns dentre eles, frustrados pela sua impotência diante da Rússia, Polônia e Germânicos, e sem encontrar saída para as suas desgraças acabaram se suicidando ou matando seus próprios conterrâneos. Sua população contém minorias importantes, mas os ucranianos são pouco encontrados nos livros de história. Por muitos anos eles nos foram apresentados como russos ou soviéticos, dependendo de quem os dominasse.

STALIN, A BESTA HUMANA!

Até 1917, a Ucrânia foi considerada o celeiro da Europa.

Entre 1932 e 1 933, como parte da campanha de coletivização soviética, o regime stalinista (o regime da besta), forçando a requisição de todos os estoques de alimentos, desencadeou uma fome terrível na Ucrânia e nas vizinhanças das terras cossacas. Um cordão militar impedia a entrada de suprimentos. E o povo foi deixado à míngua para morrer. A intenção de Stalin era eliminar a nação ucraniana e com isto, o inimigo, o proprietário da terra. Foram sete milhões de mortos. A humanidade tem tido notícias sobre carestias em vários cantos da terra através dos séculos, muitas agravadas por guerras civis. Mas, uma carestia organizada com o intuito de genocídio, talvez aquela oriunda do stalinismo, seja única.

O escritor Vasily Grossman, mais tarde descreveu a condição das crianças durante o período de fome na Ucrânia: “Tem você visto nos jornais, fotos de crianças nos campos germânicos? As crianças ucranianas estavam como elas. Suas cabeças como bolas de metal sobre os magros pescoços, como cegonhas… e o esqueleto inteiro se expandia na pele como gaze amarela. E, elas já não tinham face, em seu lugar havia como que pássaros bicudos ou cabeças de rã, lábios esbranquiçados, e algumas delas relembrando peixes com as bocas abertas. Assim estavam as crianças da Ucrânia, e quem as colocou para morrer foi o povo soviético”.

Um quarto da população rural da Ucrânia morreu de fome. O restante, em vários estágios de inanição, sequer tinha forças para enterrar seus familiares e vizinhos. Do lado de fora da Rússia, o fato era desconhecido. Um correspondente do NYT, falou livremente sobre o assunto nos Estados Unidos, mas nada foi publicado. Na Inglaterra, George Orwell, lastimou-se que o terror ocorrido na Ucrânia escapou da atenção da maioria dos russófilos ingleses. O escritor, que eventualmente pegou provas desta barbárie, escreveu um livro de 412 páginas, tendo em média 500 palavras por página, no qual prefaciou: “em torno de vinte vidas humanas foram perdidas, não por cada palavra, mas por cada letra neste livro”.

Liberdade exige permanente vigilância!

Adelante compañeros

Sunday, July 22nd, 2007

“ADELANTE COMPAÑEROS”

Regina Caldas

Julho, 2004

19/07/2007

Em comemoração ao início da Guerra civil espanhola na qual morreram mais de 1.000.000 de pessoas.

Na década de 30, a rivalidade entre comunistas e fascistas atingia o seu pico através da Europa. E, para infortúnio da Espanha, este país tornou-se um laboratório sujo para todo tipo de experiência política. Da mesma forma como nos dias atuais, a América Latina é o laboratório dos comunistas fracassados de alhures. Por volta de 1936, era grande a instabilidade política na Espanha, que, após um período de três anos de agonia, perdeu o seu status de Democracia. O país encontrava-se com problemas políticos insolúveis e com a sociedade polarizada. A escassez era geral. A massa de pequenos trabalhadores e de desempregados vagava pelo país abatida pela Depressão. A Igreja Católica, dominada por uma hierarquia ultra-reacionária, estava envolvida em questões econômicas, como a maior proprietária de terras do país. Em paralelo, existiam questões ligadas a sentimentos monarquistas insatisfeitos, e todo um imbroglio de interesses divergentes colocava o país na rota do confronto, obstruindo qualquer possibilidade de reformas tão necessárias ao reaquecimento da frágil economia espanhola. Os clamores sociais tornavam-se desesperados e anticlericais.

Enquanto os catalães clamavam autonomia, proliferavam os assassinatos políticos, o Marrocos declarava a 2ª República, o General Francisco Franco, de seu comando nas Canárias declarava que a Espanha era para ser salva pela Revolução Vermelha. O país tornou-se ingovernável. “Estamos atualmente presenciando os funerais da Democracia”, declarou então o Primeiro-Ministro saindo do governo. A situação era tão confusa que um simpatizante republicano chegou a conclamar uma cruzada contra o Marxismo que fosse organizada pelos mouros contra os católicos! Isto é, ninguém entendia mais nada do que ocorria no país!

A principio, o espectro político espanhol era extremamente grave e complicado. Na Corte, a Frente Popular era confrontada por uma coalizão de direita, a Ação Popular. E na extrema direita a Falange fascista espanhola, fundada sob a égide do nazismo, era liderada pelo filho do General Primo de Rivera, e na esquerda, os socialistas tinham como cabeça, Largo Caballero.

O quadro caótico de uma rebelião espanhola foi o estopim para que o chefe de propaganda do Comintern russo organizasse as Brigadas Internacionais que foram guerrear na República Espanhola. A idéia surgiu no Partido Comunista Francês rememorando a Legião Internacional da Revolução Vermelha, formada para lutar na guerra civil russa. Estas brigadas foram formadas por voluntários desempregados convocados ao redor da Europa, ficando, portanto subordinadas ao Partido Comunista russo. Tinham como slogan as frases: “Espanha! – cemitério do fascismo europeu! – No pasarán! ADELANTE COMPAÑEROS!” O principal recrutador dessas brigadas na França, foi Jozip Broz, isto é, Tito, futuro ditador da Iuguslavia, que usando passaportes falsos enviou seus recrutas para as fronteiras espanholas.

Os 50.000 recrutas que serviram na guerra civil espanhola, eram desempregados cadastrados na Confederação Geral do Trabalho Francesa, e também mineiros polacos da Bélgica e da França, além dos exilados alemães e “intelectuais comunistas “ (sic) de vários paises europeus. Muitos desses intelectuais responderam à convocação, sem, entretanto saberem do que se tratava. Mas, todos eles naquele momento, encontravam-se debaixo de uma condição miserável de vida: eram desempregados que vagavam sem rumo pela Europa. Milhares destes, perderam a vida nestas batalhas.

Quando em 1937, o Kremlin decidiu retirá-los da Espanha, os retratos de Negrin, Azaña e Stalin foram homenageados numa parada em Barcelona, organizada pela “La Pasionaria”. “Vocês são a história. Vocês são a lenda! Clamava o Kremlin. Não os esqueceremos. E quando renascerem as folhas das oliveiras, elas servirão de coroa para a vitória da República Espanhola, Voltem! Diziam os cartazes levados em desfile naquela parada”.

Um milhão de Vidas ceifadas na cruel guerra civil que assolou a pátria de Cervantes e de Picasso! Os comunistas transformaram as terras da Espanha, num campo de batalha internacional. Não estiveram lá para proteger os espanhóis, conforme afirmavam! Ao contrário, usaram os seus campos e as suas cidades para resolverem suas diferenças contra seus inimigos!

A Guerra Civil Espanhola terminou quando liderados por Franco, os rebeldes triunfaram no país. Foi uma guerra fratricida que calou fundo na alma não só do espanhol, foi também dura lição ao europeu. Ensinou-lhes o mecanismo pelos quais minorias disciplinadas podem tomar de assalto um país. E para a Espanha a experiência teria sido muito pior, caso Franco não tivesse resistido a Hitler, a Mussolini e a Stalin.

Em 1939, os políticos europeus ainda não sabiam que o comunismo representava um perigo muito maior que o fascismo.