agosto/2006
Durante três dias participei de todos os painéis de um debate numa faculdade de Educação paulistana. Abaixo estão as fontes de onde extrai informações, e um pequeno resumo do que foi discutido.
FACULDADE DE PEDAGOGIA DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO
ORGANIZAÇÃO DO PAINEL
Três dias
4/9/2006 parte da manhã: das 9 horas às 11.30 hrs
Iniciar a palestra dando um panorama do que será posto em debate:
O que é a Educação?
É o sistema pelo qual as gerações mais velhas transmitem às mais novas seus modos de convivência social, seus valores culturais e morais, além de repassa as ferramentas necessárias para que a proximas gerações tenham acesso ao mercado de trabalho. Todo este sistema é transmitido através da Educação que é cumulativa e precisa ser retransmitida à cada geração.
Vamos repassar e discutir cada um destes pontos para sabermos quais são os atrasos, as conquistas e os desafios que detectamos em nosso sistema educacional.
MÁ QUALIDADE NA EDUCAÇÃO FORMAL:
Gustavo Ioschpe, Veja 30/08 Consultor do MEC e levantamento feito pelo IPEA
Até mais ou menos o início da década de 70, a Educação brasileira era CONSIDERADA de boa qualidade, tanto na escola pública quanto na privada. Entretanto, na medida em que o país passou por um período de grande desenvolvimento gerando renda e dando chance ao surgimento de uma robusta classe média, alem de um enorme crescimento populacional, a demanda por educação aumentou.
A partir da década de 60, a sociedade brasileira experimentou mudanças extraordinárias. Um excepcional aumento da população com forte concentração nas periferias por conta dos movimentos migratórios ocorridos do nordeste em direção à região sudeste em busca de emprego nas fábricas que surgiam no ABC paulista. O fato mudou a face da sociedade brasileira. Após um período de intenso crescimento econômico que chegou a chamar a atenção mundial para o que chamaram de O Milagre Brasileiro, o país passou a oscilar entre fases de desenvolvimento e de estagnação sem, entretanto voltar aos patamares atingidos na época do milagre. . Houve um recrudescimento da florescente classe média que, a cada plano econômico está mais encolhida tornando-se dependente dos serviços públicos. E é no pós milagre brasileiro, que devemos nos situar para entender de que forma criou-se no Brasil um fosso quase intransponível entre analfabetos, semi-analfabetos, jovens que interrompem o ciclo escolar, ombreando com uma oferta exagerada de cursos superior dentro de um sistema educacional da pior qualidade. É como se de repente o Brasil houvesse perdido o rumo. E chegamos ao ponto em que perdemos a condição de competir nos mercados de trabalho, além da visível perda de produtividade. Ficamos para trás. Os emergentes asiáticos cresceram, o nosso vizinho Chile cresceu, e atualmente paises como Índia, China, países do leste europeu, Irlanda estão a caminho acelerado do desenvolvimento. Mas quanto ao Brasil?
Diferentemente do palavrório de alguns, o trabalhador brasileiro não ganha pouco por ser vítima de uma elite branca e má, mas por ser pouco produtivo. È assim porque a escola falhou com ele.
Trabalhadores: o salário é definido pela produtividade e esta pela ênfase na educação
A situação educacional brasileira é trágica. Poucos discordam dessa constatação. Muito poucos se perguntam por que isso é tão ruinoso, e, ainda, por que é tão mais desastroso agora. A primeira e mais óbvia resposta seria: porque estamos privando uma enorme fatia da nossa população dos conhecimentos mínimos necessários para uma vida engajada, consciente, livre e produtiva. Mas basta notar que os cruzamentos de nossas grandes cidades se tornaram abrigos ou espetáculos circenses dos marginalizados para entender que qualquer apelo à solidariedade humana está fadado ao fracasso neste país cordial. Apesar da resistência que educadores e pedagogos têm à intromissão de economistas, empresários e afins em seu território, é neles que se encontrará a revolução educacional de que o país necessita. Porque esses grupos conseguem deixar de tratar a educação unicamente como um fim em si mesma para entender que ela tem um papel vital – e urgente – a cumprir no desenvolvimento do Brasil. Essas vozes dizem e dirão o que a sociedade precisa ouvir: com o nosso sistema educacional atual, estamos condenados ao atraso eterno. Se a fraternidade não o convence a cuidar de nossa educação, faça-o por interesse próprio, portanto.
É impossível a um país desenvolver-se no século XXI quando sua população ainda não resolveu problemas do século XIX. A comparação não é exagerada. Ainda não conseguimos ensinar nossas crianças a ler e a escrever, coisa que outros países já fazem há mais de 100 anos. O resultado final é termos só 26% de nossa população de 15 a 64 anos plenamente alfabetizada. A má qualidade do sistema – e não a falta de vagas – faz com que só 20% de nossos jovens cheguem à educação superior. Países como Coréia do Sul, Finlândia, Estados Unidos e Noruega já passaram dos 80% – quatro vezes mais, portanto. Os outros países desenvolvidos têm taxas próximas de 60%. Chile, Argentina e Uruguai estão na casa dos 40%. A China assusta ainda mais: foi de 6% em 1998 para quase 20% agora.
IPEA:


Ministro Paulo Roberto de Almeida
Trabalho de levantamento feito pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo:
Questionário a ser feito em escolas públicas e privadas
Nesta última legislatura, os deputados paulistas se organizaram formando uma comissão que viajou por todas as cidades do Estado, fazendo um levantamento de seus problemas. Mantiveram contatos com as lideranças locais e debateram estes problemas. Sugiro assim, que as estudantes desta Faculdade de Pedagogia, agendem uma visita à Assembléia e tomem conhecimento de quais foram os problemas ligados à área da Educação, apontados por nossas comunidades. Façam a seguir um levantamento estatístico para saber em que volume cada um daqueles problemas afeta a comunidade. Baseadas nestes dados preparem debates, encontrem soluções e a seguir, entreguem estes resultados aos senhores deputados via Comissão da Educação da Assembléia.
1º dia- Parte da tarde: Educação como ferramenta de produtividade
A primeira menção de que a Educação é uma ferramenta que expande a produtividade do trabalhador, veio de Adam Smith, no seu livro A RIQUEZA DAS NAÇÕES. Mas somente a partir da década de 70, a teoria chamou atenção através dos prêmios Nobel, Schultz e Becker ao consagrarem a teoria do capital humano. Sabe-se com segurança que as pessoas com níveis mais altos de educação tem maior probabilidade de receber salários mais altos. Em média no Brasil, a cada ano a mais de escolaridade, tem-se acréscimo de renda de mais de 10%. Mas é mais fácil constatar que a educação não está apenas relacionada ao nível de renda. Relaciona-se muito mais ao nível de desemprego. Mas há, contudo um erro ao se analisar o resultado em termos individuais e transferi-lo para a sociedade, pois o que é verdade para um individuo pode não sê-lo para a sociedade. Mas, em geral, quanto maior a escolaridade de uma sociedade, maior é o seu PIB. Em resumo, educação é necessária, mas não suficiente para o crescimento.
A demanda por educação depende do nível de complexidade da tecnologia, e da velocidade com que ela muda.
O resultado da baixa escolaridade é que de um modo geral, a população brasileira é formada por pessoas que podem ser tuteladas e podem até atingir bons níveis de produtividade, mas tem baixa capacidade para realizar tarefas mais complexas. Liderar, criar novos conhecimentos e tomar decisões que exigem capacidade analítica mais sofisticada. Isso é particularmente grave em um ambiente econômico que depende de emprego gerado no conjunto da micro e pequena empresa.
Educação de qualidade:
Esses dados não persistem apenas nas comparações internacionais. Internamente, os efeitos são sentidos no dia-a-dia de todos nós. E estudos que determinam a desigualdade de renda no Brasil confirmam que a causa mais importante é a desigualdade na educação. Essa desigualdade de renda e educação alimenta de forma brutal o que representa o maior pesadelo hoje em nosso país. A criminalidade. O aumento da escolaridade tem impacto sobre a redução da criminalidade. Isto é constatado em estudos comparativos com paises como os USA. O fato não justifica nem desculpa o crime.
No caso brasileiro fala-se muito que a educação é o gargalo do nosso desenvolvimento. Também afirmam que até a década de 80 a nossa educação era muito pior do que é hoje e não interferiu em nosso desenvolvimento. Por que agora seria uma trava?
Sabe-se que a demanda por educação e formação depende do nível de complexidade da tecnologia e tb da velocidade com que ela muda. Assim compreendemos que àquela época em que o Brasil liderou o ranking dos países em desenvolvimento, as tecnologias usadas eram estáveis, dando tempo para que os trabalhadores fossem treinados. Agora não. E se a tecnologia e os conhecimentos mudam o tempo todo, só quem tem um bom nível de escolaridade é capaz de se adaptar. Quanto mais tecnologia mais necessidade de Educação. Aqui reside uma falha em nosso país. A base da pirâmide social revela um contingente enorme de pessoas cuja educação não chega a sete anos de escolaridade. E sete anos de péssima escola o que impede o trabalhador de receber instruções, de buscar informações, e de produzir comunicações de uma certa complexidade. Além disso, como a maioria depende do emprego na micro e pequena empresa, a péssima formação de seus proprietários e empregados os impede de se modernizarem e assimilarem informações. Daí essa dependência generalizada de contadores, advogados e outros tipos de tutelagem.
Torna-se difícil para a maioria compreender porque o Brasil teve no passado um bom crescimento econômico sem a necessidade da educação e hoje ela se torna indispensável para que possamos progredir.
2º dia de traballho, parte da tarde:
AVALIAÇÃO FEITA PELO WORLD BANK: E UM APANHADO SOBRE A INCLUSÃO SOCIAL ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO
BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA PARA A MULHER:
Impacto na saúde
Incremento na produtividade agrícola e diminuição da desnutrição
Aumento da produtividade
Promoção do crescimento econômico, incluindo ai a educação do adulto, educação de qualidade e não por quantidade de tempo de escolaridade;
São Paulo, setembro/2006
Introdução:
A Educação nasce de uma responsabilidade social. Esta é a sua finalidade até entre os animais irracionais. Pois, sem educação, nenhum ser vivo pode formar comunidades.
Rodrigo Constantino
“Criar pessoas com elevada qualificação em países onde a atividade mais rentável é pressionar o governo por favores não é uma fórmula de sucesso.” (William Easterly)
Poucos pontos são tão consensuais como o caráter milagroso atribuído à educação para o crescimento econômico e prosperidade de um país. Mas será que tal senso comum encontra respaldo nos fatos? O economista William Easterly, que atuou por anos no Banco Mundial, tenta responder essa questão em um capítulo do seu livro O Espetáculo do Crescimento, cuja premissa base é que os indivíduos reagem a incentivos. No mínimo, o autor consegue forçar uma saudável reflexão.
Através de vários estudos estatísticos, Easterly conclui que a resposta do crescimento econômico à expansão educacional dramática nas últimas décadas tem sido bastante desapontadora. A causa do suposto fracasso das medidas governamentais em prol da educação é, segundo o autor, o fato de que os indivíduos respondem aos incentivos, e se estes não estiverem presentes para um investimento no futuro, expandir a educação terá baixo valor. Em resumo, investir em certas habilidades onde não existe sequer tecnologia disponível para seu uso não irá garantir crescimento econômico.
Como exemplo, Easterly cita os avanços no capital humano de determinados países africanos, ainda que largando de uma base baixa, que não foram correspondidos por elevado crescimento econômico. Em contrapartida, o Japão, que não experimentou um crescimento expressivo no seu capital humano, viveu uma forte aceleração econômica. Estatisticamente, não há correlação entre crescimento nos anos de escolaridade e aumento da renda per capita. Alguns estudos apontam, de fato, que um investimento no ensino básico pode surtir um efeito positivo no crescimento econômico, por determinado período. Mas isso está longe de ser a garantia de sucesso de uma nação a longo prazo, em termos de prosperidade. A conclusão é que a educação parece mais uma fórmula mágica que falhou na entrega das expectativas.
Na verdade, não é tão complicado entender a lógica disso. Quando o ambiente é hostil ao empreendedorismo, quando os incentivos para o investimento no futuro não estão presentes, e quando falta uma competição meritocrática calcada no livre mercado, o indivíduo mais educado ou irá migrar para um país mais favorável ou irá ceder aos encantos da “amizade com o rei”. No primeiro caso falamos do conhecido “brain drain”, onde vários indivíduos de bom intelecto partem para países mais livres e com maiores oportunidades de emprego. Basta lembrar a quantidade de cubanos, brasileiros e indianos com bom preparo que migraram para os Estados Unidos. No segundo caso, temos vários exemplos de que, quando o governo não cria as oportunidades devidas para a geração de riqueza, o ensino perde valor, dado que as atividades valorizadas são apenas as ligadas à redistribuição de riqueza. Passar em um concurso público ou obter um favor político e ser um burocrata compensa mais que disputar como engenheiro uma vaga no setor privado.
A grande falácia dos que depositam fé messiânica na educação imposta e financiada pelo Estado é que ignoram os incentivos individuais, partindo da premissa estranha de que os próprios indivíduos vão escolher algo pior para si. Ninguém mais que o próprio pai vai querer o melhor para seu filho. Como acreditar que políticos distantes, em busca de votos, vão realmente querer o melhor para o indivíduo em si? Logo, se o pai prefere a ajuda imediata do filho na roça em vez de investir na sua educação, é provavelmente porque a educação tem um baixo valor esperado, e não compensa o custo. Essa é a conclusão de estudos da própria Organização Internacional do Trabalho. Forçar crianças a freqüentar a escola sem ter uma contrapartida de valor esperado positivo para tamanho investimento parece ser uma medida inócua.
Em outras palavras, criar gente qualificada onde não há demanda para tanto pode representar um desperdício. Como exemplo sintomático, podemos pensar nos taxistas engenheiros, ou mesmo em prostitutas com diploma, além da migração para outros países, como já foi dito. Não pretendo com isso desmerecer o investimento em educação. Ele parece ser fundamental, ainda que não seja uma condição suficiente para o progresso. Mas a educação parece estar longe de ser o milagre que muitos acreditam, como se bastasse mais investimento estatal nesse setor para que um Brasil virasse uma Suíça. Sinto dizer, mas não é o caso. Sem ambiente favorável aos negócios, possível com maior liberdade econômica, teremos apenas subempregos com diplomados. Mas o povo ainda será muito pobre. Afinal, a educação, sozinha, não faz milagre.
# posted by Rodrigo Constantino @ 8:27 AM
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO
Regina Caldas 24/06/2006
Cerca de 100 empresários brasileiros (Paulo Lehmman, David Feffer, Gerdau dentre outros), participaram na Bahia, da Conferência Internacional “Ações de responsabilidade Social em Educação: Melhores práticas na América Latina”, encerrada em 25/06/2006. Alguns destes empresários manifestaram publicamente seu apoio à urgente necessidade de se investir em Educação, para que possamos progredir e nos situarmos no ranking dos países desenvolvidos, além de criar possibilidades de melhor qualidade de vida ao brasileiro.
De um modo geral, a Educação vai mal, seja nos países desenvolvidos ou naqueles em desenvolvimento e os subdesenvolvidos.
Um dos problemas que mais interfere na decadência da Educação de um modo geral, certamente são as transformações ocorridas em todas as partes do Globo, nas últimas três décadas. Globalização, novas tecnologias e meios de Comunicações evoluíram de tal forma que a Humanidade ainda não assimilou suas conseqüências a fim de propor novos parâmetros na Educação, que sejam ferramentas eficientes para nos situarmos na nova Era. Uma nova Era onde a moeda de troca no mercado de trabalho passou a ser o Conhecimento, e não mais a força braçal.
Segundo a opinião de alguns líderes mundiais, vivemos uma “segunda revolução industrial”, onde o que vale é saber lidar com robôs e os mais variados aparelhos eletrônicos que facilitam e agilizam o trabalho dentro das fábricas, e as comunicações entre os escritórios de todas as partes da Terra. Mas não assimilamos tais mudanças a ponto de entendermos até onde elas se refletem na sociedade e em nossas vidas pessoais, de forma cada vez mais acelerada e irreversível E se confrontarmos nossa cultura passada com o que divisamos em matéria de tecnologias e comunicações atuais, o sentimento que nos envolve é de que vivíamos na idade da pedra. .
O desenvolvimento de novas tecnologias, ao facilitar e agilizar as atividades humanas nos convida a reflexões. Como educar crianças e adultos para que se integrem harmoniosamente à nova era e possam usufruir os ganhos que ela traz consigo? Não é mais possível pensar a educação na sua forma tradicional. Aquele currículo escolar voltado para uma educação formal onde a criança inicia seu processo de alfabetização e está programada para permanecer dentro da escola durante mais de 15 anos, até que obtenha um diploma universitário, perdeu a razão de ser. A forma e o conteúdo da transmissão de conhecimento baseada em currículos de longo prazo tornaram-se incompatíveis com a velocidade das mudanças. Traz na sua maioria a repetição de matérias que hoje, através da Internet oferecem aos estudantes possibilidades mais ricas e condizentes com o grau de maturidade de cada um. Se no passado recente, nossas ferramentas escolares se resumiam em livros, cadernos, lápis e lousas, agora complementam o computador. O computador tornou-se produto de primeira necessidade. E as novas salas de aula não estão mais restritas aos prédios escolares. Escritórios, ciber-cafés, residências, chão de fábrica se tornaram vias utilizadas para uma educação moderna e continuada. Seminários, Congressos, Conferências entre empresas de qualquer parte da Terra, salas de cirurgia e consultórios médicos se beneficiam das Conference-Call, e é também pela Internet que acessamos Bibliotecas e Museus dos mais renomados e “viajamos” para as mais distantes cidades.
Dentro deste novo contexto qual o papel de professores, escolas, governos, empresas e comunidades? Que trabalhem juntos, pois o interesse é de todos. Será de pouca valia reinar estudantes em novas tecnologias e meios de comunicações se existir defasagem de conhecimento nos vários canais de intercomunicação social.
Ao professor caberá especializar-se no conhecimento aprofundado das novas tecnologias além de ser treinado para inserir seus alunos no universo tecnológico. Seu papel é fundamental. Além de orientador dos conteúdos de aprendizado, lhe sobram incontáveis tarefas. E talvez, a mais necessária delas é inserir no exercício do aprendizado diário a visão dos fatos que ocorrem além dos muros das escolas, para que as crianças adquiram formação que lhes dê o suporte necessário para saber lidar com elas. É na sala de aula que os estudantes precisam firmar seus valores de cidadania e civilidade sem preconceitos e ideologias políticas. Às escolas cabe a adaptação eficiente aos novos currículos, e abrir novos espaços de entrosamento entre escola/sociedade. Não só como forma de participação no treinamento e formação da mão-de-obra local, mas disponibilizando espaço para qualquer indivíduo disposto a dar continuidade à sua educação. Adotando as novas tecnologias tanto nas suas grades curriculares quanto na própria administração, a escola terá ao seu dispor sobras de tempo que poderá usar investindo na comunidade. Ao governo caberá investir racionalmente na adaptação dos novos programas. Às comunidades cabe o interesse em disseminar tais conhecimentos inteirando-se dos mesmos e permanecendo atenta para que os investimentos privados e públicos atinjam seus objetivos. Às empresas levarão à comunidade, ao governo e às escolas suas necessidades específicas de profissionais que se adaptem às novas tecnologias.
O conjunto das necessidades de adaptação dos indivíduos à nova era, não se limita à transferência de conhecimento dentro das escolas. Tais conhecimentos devem ser disseminados por toda a sociedade, criando conexões entre todos, obrigando as escolas a ampliarem seus currículos enriquecendo-os com variedade de classes que atendam às novas demandas recém criadas no mercado de trabalho.
Quando Moisés entregou ao seu povo a Tábua das Leis Divinas, o terceiro mandamento foi de fundamental importância para a evolução e acúmulo de conhecimento. Guardar o sábado. Reservar um dia por semana para o descanso do corpo, dando à mente a oportunidade de refletir, estudar, dedicar-se ao lazer, enfim, tempo para sonhar e desenvolver a criatividade. Da mesma forma, as novas tecnologias, facilitando o trabalho humano proporcionam enormes sobras de tempo a todos, que deverão ser preenchidas com educação e lazer que promovam o crescimento pessoal.
O preenchimento daquele tempo favorece as atividades de lazer, e caberá à educação incluir em seus currículos matérias voltadas para os esportes e outras formas de cultura e lazer. Todas estas atividades tornar-se-ão opções novas de trabalho para os excedentes nas fábricas e campo. A questão é jogada sobre os ombros da comunidade, cabe-lhes preparar aqueles excedentes para as novas atividades. Daí a importância do incentivo à educação continuada.
Outra questão a ser planejada pela sociedade em relação à Educação refere-se ao tempo de escolaridade exigido pelos currículos atuais. Partindo do princípio de que estes currículos foram preparados de forma a manter dentro das escolas os jovens durante sua fase de adolescência, atualmente este objetivo perdeu a razão de ser. Vejamos porquê:- Na atualidade os jovens amadurecem e assumem responsabilidades mais cedo que no passado. Assim, quando interrompem os estudos pela necessidade de busca de trabalho estão despreparados para qualquer tipo de atividade porque lhes falta um diploma. Se estes jovens, ao término do processo de alfabetização contassem com a chance de participarem de cursos de curto prazo, voltados para as áreas de serviços seriam mais facilmente absorvidos pelo mercado;
- É sem fundamento socioeconômico incentivar os jovens e suas famílias a valorizarem com obsessão o diploma universitário. Diploma de faculdade não garante emprego bem remunerado e nem status social a ninguém. Universidade é vocação. Faculdade pode ser escolha da maturidade, algo muito melhor que a mera continuidade dos estudos apenas para conquistar um diploma de grau superior porque o mercado exige… É preciso mudar esta mentalidade!
-O valor da Educação reside na sua capacidade de adaptar o indivíduo ao meio em que vive, incutir-lhe sentimentos de cidadania, e respeito aos valores morais e à ética, e dar-lhe a chance de viver através de um trabalho que lhe garanta a subsistência, o respeito dentro de sua comunidade e, se possível a ascensão social.
Sendo verdadeiras estas conclusões, cabe à sociedade unir-se e se propor a realizar uma revolução no ensino. A União faz a força, e se queremos de fato mudar a face de uma sociedade, apagando suas trágicas feições marcadas pelo crescimento de uma juventude que não sabe de si, que não encontra rumo para o próprio futuro, vamos agora realizar todas as mudanças necessárias na Educação. Que os 100 empresários brasileiros, quando se decidiram a participar do evento sobre a Educação na Bahia, liderem dentro de suas comunidades um movimento que concretize ações efetivas no âmbito da Educação. Estes são os meus votos, por um Brasil melhor!
s velhas transmitem às mais novas, seus modos de convivência e seus valores culturais e morais acumulados através do tempo.
O homem das cavernas, por gestos e gritos, expressou suas alegrias, tristezas, raiva e satisfação. Aprendendo a identificar seus sentimentos lhe foi possível organizar seu sistema de cooperação e sobreviver agregado. Suas necessidades básicas foram atendidas porque ele se organizou por meio da Educação. Por exemplo, a morte prematura de mães (parto), de pais (na caça e guerras), levou-o a desenvolver um sistema educacional que lhe permitisse cuidar adequadamente dos órfãos. A caça para alimentar o grupo lhe foi possível porque ele aprendeu a dividir e a transmitir tarefas através da cooperação. Tais atividades nasceram da percepção de uma responsabilidade social para garantir a sobrevivência do grupo. Sua impressão sobre o ambiente que o cercava e a forma como lidava com isto ficou expressa nas pinturas rupestres encontradas no interior das cavernas. Deste legado sabe-se que a sua incipiente Educação já estava voltada para as suas necessidades sociais. Disciplinar as crianças e encontrar a caça para alimentar a comunidade.
A Educação conduz à criatividade e promove a cooperação a fim de que metas sociais sejam alcançadas. A Educação beneficia e transforma a sociedade melhorando a qualidade de vida de todos. Quando a sociedade se organiza no intuito de promover convivência e desenvolvimento harmonioso entre os seus sujeitos, seu raio de ação provém de um projeto educacional. Existem momentos em que a humanidade não visualiza o papel social da Educação. São momentos em que o Homem entra num período de obscurantismo. Mas, cada vez que a sociedade se sente ameaçada de decadência, também percebe que seus desvios ocorreram porque não privilegiou a Educação como uma responsabilidade social.
Qualquer instituição social tem como finalidade primordial o atendimento da comunidade. Este é o significado real da expressão “responsabilidade social”. Na Educação podemos percebê-la através da forma como a sociedade se organizou para atender às necessidades sociais que marcaram cada época da nossa história. Os israelitas educavam suas mulheres porque as consideravam a guardiã do lar, e a elas caberia a missão de educar os filhos nas tradições judaicas. Da mesma forma, quando a palavra escrita pode ser impressa, Martinho Lutero apressou-se em incentivar a alfabetização dos camponeses para que pudessem ler a bíblia em família.
Antes de Lutero, a Educação formal tendia a atender os segmentos mais elevados da sociedade que recebiam uma educação aprimorada com os estudos das Artes Liberais. Esta elite educada liderava a sociedade. Para ocupar posições de liderança deveriam ser bem formados não só para o bom exercício da profissão, como também para que servissem de bons exemplos para toda a sociedade.
Com a iniciativa de Lutero e o nascimento da era industrial a Educação tornou-se acessível às massas. E sua responsabilidade social se voltava para a capacitação profissional. A partir de então o estudo das Artes Liberais foi posto. A Educação entrou em decadência e seus reflexos na sociedade não tardaram a se manifestar. Negaram uma Educação aprimorada dando condições de discernimento ao Homem para que ele entenda o mundo que o rodeia, para que aprenda a se relacionar de forma ética com o seu semelhante, para que seja cívico e responsável com a coisa pública. A ausência da cultura de valores tradicionais no sistema educacional esvaziou a mente humana da valorização do Ser. Conduziu-nos à cultura do Ter, seguida pela cultura das aparências.
A cultura das aparências domina as sociedades modernas. E vivemos um daqueles momentos quando, conforme afirma Fukuyama, sociólogo norte-americano, sentimos que chegamos ao final da História. Isto assinala que passaremos por mudanças profundas cujos ventos já se aproximam trazidos pelo choque de civilizações que presenciamos. Distanciados hoje de nossos valores morais, subjugados pelo Relativismo das ações humanas, olhamos com tolerância os julgamentos negativos que fazem do nosso patrimônio cultural. Estamos desorientados nas escolhas de nossos caminhos. Mas sabemos que temos que mudar. Quais as mudanças necessárias para se retomar um caminho que nos conduza à paz duradoura e ao progresso melhor partilhado entre todos? Qual será a responsabilidade social da Educação neste momento de mudanças? Considero que a responsabilidade social da Educação neste presente será resgatar a Educação humanística do passado. Abrir a nossa mente além da cultura do Ter e da aparência.
Nosso presente em decadência visualiza, em meio às brumas de nossas incertezas quanto ao futuro, uma nova era através de uma nova Educação. Trata-se do retorno à Ética dos nossos antepassados.
Ultimo dia:
Responsabilidade social da Educação
Como nossas idéias podem ser usadas?
Visões diferentes:
Piaget: as pessoas constroem um novo conhecimento como uma função de sua única experiência e caminho de saber. Saber o que as pessoas sabem para facilitar a conexão para a construção do novo conhecimento.
Vygotsky enfatizou a linguagem e a colaboração social na construção do conhecimento. Esta tese aparece nos centros de tecnologia rural. Assim por exemplo, não agrupamos crianças pela idade. Crianças e adultos trabalham juntos
Freire enfatiza a tese do engajamento de cada um com o mundo. Assim as pessoas podem aprender sobre matérias de vital importância para discuti-las e descobrir seus possíveis remédios.