Archive for the ‘Educação’ Category

Um domingo especial

Friday, November 30th, 2007

Hoje é um dia especial para mim. O domingo amanheceu cinzento, desde cedo chove, os meus jardins agradecem.

Meu pensamento está em Boston. Ontem a região sofreu a ameaça do hurricane Noel que causou tantas vítimas no México. mas hoje o sol alegra a cidade.

Estou aguardando os resultados do jamboree, aquela competição entre 53 faculdades ao redor da Terra, o IGEM 2007. O Dirk faz parte de um team de 10 jovens estudantes da Imperial, e foi um dos apresentadores do projeto desenvolvido por eles. Por volta de 10.30 hrs serão conhecidos os tres primeiros colocados. E às 12.30, o vencedor. No ano passado a Imperial ficou em segundo lugar. Por isto Dirk estava tenso nos últimos dias, pela responsabilidade de manter alguma colocação no mesmo nível ou quem sabe um primeiro lugar.

O trabalho desenvolvido por Dirk e seus colegas foi entitulado: “Infector Detector”. Durante tres meses a turminha sacrificou todos os dias de suas férias de verão, trabalhando em horário integral inclusive aos sábados, no dito projeto. E hoje quem sabe, o sacrifício poderá ser coroado com alguma vitória. Se tal acontecer não tenho dúvidas que o Dirk me ligará para dar a notícia. Mas neste momento torço para que eles tenham feito uma exposição honrosa do trabalho que ficou perfeito na sua apresentação gráfica. Só tres alunos se dispuseram a trabalhar nesta apresentação. O professor esteve mal humorado e deixou o team estressado. Nas várias conversas que o Dirk manteve comigo discutindo se seguiria ou não os passos de seus colegas. Estimulei meu filho por duas razões: uma que não é da minha natureza abandonar o barco. Aceito os desafios e fico atenta para que meus filhos também hajam desta forma. O outro motivo é que calculei que talvez o professor usou desta pressão para que eles aprendessem a encarar os desafios que viriam pela frente. Lembro-me que certa vez Dirk comentou comigo que sempre se sentia mais preparado para enfrentar um desafio quando sua carga de adrenalina aumentava no sangue. A pressão sobre nós pode nos colocar no ritmo mental adequado para reagirmos com mais inteligencia e objetividade. Que assim seja!

O domingo terminou e não tive noticias dos resultados do jamboree. O Dirk não me telefonou. Senti-me frustrada já acreditando num fracasso da turminha. Mas aconteceu pior: Numa pré-seleção os juizes escolhem todos os trabalhos que mereçam medalha de ouro. Havia uma unanimidade entre os 67 teans participantes que o melhor trabalho foi o da Imperial. Entretanto eles haviam ganho medalha de prata. E dentre os ganhadores da medalha de ouro a China saiu vencedora. O professor inconformado reclamou que alguma coisa estaria errada, pois no mínimo eles deveriam ter ganho a medalha de ouro. E descobriu o absurdo: os juizes não leram o trabalho da Imperial. Numa leitura posterior concluiram que além da medalha de ouro eles deveriam ser os vendecores. Mas…a China já festejava e ficou por isso mesmo. Não comentei nada com o Dirk, mas acho que estas competições sofrem interferencia política. Que outra conclusão se pode tirar de juizes que alegam não terem visto um trabalho? Como poderão julgá-lo?

Muito bem, de qualquer forma o incidente já aconteceu e reconheço que ficaria desagradável retirar o prêmio dos estudantes chineses. O team da Imperial ao menos retornou para casa sabendo que pela opinião de todos os grupos o trablho deles foi o melhor. E uma recompensa moral por ter feito o melhor vale mais do que um falso sucesso. Após uma semana do término do jamboree, o team concedeu entrevista ao News da Imperial, o trabalho está no site da faculdade.

Dirk conheceu Boston, e talvez circulando pelos corredores do MIT deve ter sido seguido pelos passos da memória do Jan, que no passado fez pós graduação nesta escola. E assim como o Jan deixou sua marca no departamento de Ar Condicionado e Refrigeração do MIT, tantos anos depois, o filho amado ai também deixou impresso um trabalho de biologia sintética.

PUC DE MINAS GERAIS: MINI-ONU

Sunday, September 30th, 2007

Já faz algum tempo que funciona na PUC-Minas uma réplica da ONU: Organizações das Nações Unidas. Qual o alcance educativo de uma iniciativa como esta?

nascida em 24 de outubro de 1945 em substituição à Liga das Nações, a ONU teve seu nome sugerido pelo presidente norte-americano Frnklin Delano Roosevelt, durante o Pacto de Washington em 1 de Janeiro de 1942, quando 26 nações que faziam parte do Axis Powers não queriam assinar um tratado de paz isoladamente. A primeira conferência foi celebrada em São Francisco contando com a presença de 50 Nações.

Dada a sua estrutura, a ONU é uma força positiva para a ordem mundial, pois se trata do único recurso que conta com legitmidade internacional. No preambulo de sua Carta consta que os povos das nações unidas resolvem preservar as gerações futuras do flagelo da guerra. Para tanto concluem que seus membros deverão solucionar suas contendas de forma pacífica, que devem respeitar a integridade territorial de qualquer Estado, e que deverão dar apoio às UN em qualquer ação que esteja em conformidade com os principios estabelecidos na presente Carta. Da ONU constam uma Assembleia Geral, um Conselho de Segurança, um Conselho Economico e Social, um Conselho de Tutela, uma Corte Internacional de Justiça e um Secretariado.

Pela sua estrutura organizacional, pelos objetivos a que se propõe e pelo seu raio de ação no cenário internacional, considero que destrinchá-la e conhecê-la da forma como os estudantes da PUC-Minas estão fazendo é uma excelente iniciativa. O mais importante é que estes estudantes estão levando o programa aos alunos de ensino médio da rede nacional. Um programa como este tem o mérito de conduzir o olhar da juventude para um sistema de ordenamento de leis internacionais que trabalham em direção à paz e harmonia entre os povos. O que não é fácil. Criar esta aproximação de tão imensuravel realidade leva o jovem a meditar sobre o quanto a nossa aldeia global é problemática nas suas comunições e nas necessidades dos povos subdesenvolvidos que precisam desesperadamente de auxilio e de orientação para que progridam. Enfim cria nos jovens uma visão política e humanitária ímpar de mundo. Trata-se de um programa que deve ser divulgado pelas lições de cidadania que contém. Parabenizo ao ilustre Professor Túlio Ferreira pela iniciativa e à PUC-Minas pela visão demonstrada ao apoiar semelhante programa.

Tempos Modernos

Thursday, August 30th, 2007

 Regina Caldas 2004        

As nossas tradições ocidentais não podem ser vistas como irrelevantes pela sociedade atual. Ao contrario, devemos buscá-las como nossos melhores exemplos, quando estes relatam as experiências de nossos ancestrais. São estas vozes que nos ensinam a viver melhor no presente. Não podemos esquecê-las! Não se trata de querer viver no passado. Mas é preciso que o mesmo nos sirva de referencia. Negar às novas gerações o conhecimento de nossa memória histórica é como incentivar uma lenta e degradante deterioração de nossos valores morais e culturais. 

          Um sistema educacional serve para perpetuar os ideais de uma sociedade. Se desejamos evoluir, usamos nosso sistema educacional para este propósito. Isto não significa, entretanto que a sociedade determine por si mesma que melhoras almeja, pelo menos esta premissa é válida para aqueles que acreditam que a liberdade e o exercício individual de julgamento é o melhor caminho para o seu aperfeiçoamento. 

          A grade curricular brasileira é carregada de ideais bem intencionados. Mas que não resistem à realidade. Nosso sistema educacional é fraco e incompatível com qualquer expectativa de desenvolvimento econômico e inserção social. As conseqüências do descaso com a educação de nossos jovens e adultos são notadas em todos os setores da vida nacional. Perdemos o rumo, cada cidadão preocupando-se apenas em garantir a si mesmo o sucesso profissional. Gastamos cada precioso momento de nossas vidas correndo atrás de realizações materiais sem valorizarmos um contínuo desenvolvimento de todas as nossas capacidades intelectuais. 

          Nos Estados Unidos, John Dewey, filósofo e sociólogo, propôs uma revolução social na Educação, com o seu método de educar através das atividades ocupacionais. No passado, nossa escola foi pautada pelos princípios de uma educação liberal, porém administrada somente àqueles que faziam parte de uma elite. Quando as massas tiveram acesso à Educação, o conceito de como educá-las já estava resumido em alfabetizá-las para que pudessem ler manuais de trabalho ou assinar o próprio nome. A necessidade de se criar um programa voltado para a educação do trabalhador, levou  Esther Figueiredo Ferraz , quando Secretária da Educação no Governo do Estado de São Paulo, a seguir o mesmo caminho de John Dewey. À mesma época nasciam entidades patrocinadas por parcerias entre o Estado e a classe empresarial como SENAI, SESI, SENAC , SESC e  SEBRAE, investindo na educação profissional do trabalhador. Não se duvida que prestem grandes serviços à Nação, mas dar ao jovem apenas a ferramenta que lhe garanta o sucesso profissional, negando-lhe o contato com valores que serviriam de base para melhor compreensão do mundo e que aumentem a sua capacidade de um julgamento independente a fim de que ele desenvolva todo o seu potencial como ser humano é como alimentar o corpo, esquecendo-se de alimentar a mente. É expô-lo 24 horas por dia, à manipulação da mídia e de doutrinações irracionais. É transformá-lo num ser amorfo que só é feliz e sente-se seguro quando se identifica com o maior número de pessoas pensando e agindo de forma igual.   

               O conceito moderno de educação, “determinismo sociológico”, deduz que a atividade intelectual deve ser regulada pelas atividades econômicas, concluindo que quando uma sociedade passa por transformações muito decisivas o que ficou no passado torna-se irrelevante. Mas esta visão de mundo ignora que o humano em qualquer época, sofre das mesmas ansiedades de seus antepassados. Existe Deus? O que é viver bem? Por que existem as guerras? Quem somos nós? De onde viemos? Para onde caminhamos?  Só conhecendo o passado, aprendemos que apesar de não obtermos respostas para a maioria de nossos questionamentos mais angustiantes estes são, desde sempre, partilhados entre todos nós. Daí ser um direito dos jovens usufruir livremente do legado intelectual que herdamos do passado. Retornar à leitura de obras como de Platão, Aristóteles e tantos outros filósofos e historiadores, saber de que forma questionaram o Universo; conhecer Newton, Copérnico, Lavoisier, Darwin, Freud e tantos outros cientistas que colaboraram com o desenvolvimento da ciência e da Tecnologia; encantar-se com as histórias dos navegadores ou com os grandes romancistas, conhecer as formas de governo como a democracia herdada dos gregos, que possibilitou à humanidade o desenvolvimento econômico e social, ou os regimes totalitários que trouxeram a escravidão e a morte; enfim, a obra intelectual deixada por centenas destes gênios, precisa retornar ao nosso convívio. Através destas leituras, podemos compreender que nascemos com o privilégio do raciocínio e da percepção do ambiente que nos rodeia e podemos evoluir mentalmente se adquirirmos uma formação liberal consistente. Também importa que o jovem entenda, que todos os bens que lhe trazem conforto e qualidade de vida são frutos dos estudos, trabalho e dedicação de seres humanos especiais, que fazendo uso da liberdade de pensar e agir dedicaram-se a desenvolver sua criatividade e a sonhar em tornar realidade uma melhor qualidade de vida para todos. 

           Atualmente, as faculdades da terceira idade estão em moda. Seu curriculo expõe a curta visão de futuro que tem a nossa sociedade. O adulto adquire durante a vida um certo grau de amadurecimento que o habilita a compreender as grandes obras intelectuais que herdamos de nossos antepassados. Os idosos em nossa sociedade assumem responsabilidades perante a família cuidando de seus netos. Os pais preocupados com a vida profissional, delegam aos avós a tarefa de cuidar dos netos. Não poderiam os idosos adquirir bagagem cultural mais sólida para transmiti-las às crianças sob sua responsabilidade? Ao invés de gastarem tempo nas escolas da terceira idade aprendendo artesanato, danças, ginásticas, ao invés de se distraírem a fim de empurrar a vida como se não fossem mais úteis não poderiam adquirir cultura? Nossas crianças precisam do socorro de quem lhes possa dar boas informações. Não incentivar o idoso a cumprir um papel mais relevante dentro da família ou da sua comunidade é jogar fora um valioso material educativo, que além de ser fonte de cultura confiável, é também fonte de lazer e alegria para quem chegou saudável à terceira idade.

Responsabilidade social na Educação

Thursday, August 30th, 2007

Regina Caldas

São Paulo, setembro/2006 

Introdução:

A Educação nasce de uma responsabilidade social. Esta é a sua finalidade até entre os animais irracionais. Sem a educação nenhum ser vivo pode evoluir ou formar comunidades. 

O que é a Educação? 

É o meio pelo qual as gerações mais velhas transmitem às mais novas seus modos de convivência e seus valores culturais e morais acumulados através do tempo. 

O homem das cavernas, por gestos e gritos, expressou suas alegrias, tristezas, raiva e satisfação. Aprendendo a identificar seus sentimentos lhe foi possível organizar seu sistema de cooperação e sobreviver agregado. Suas necessidades básicas foram atendidas porque ele se organizou por meio da Educação. Por exemplo, a morte prematura de mães (parto), de pais (na caça e guerras), levou-o a desenvolver um sistema educacional que lhe permitisse cuidar adequadamente dos órfãos. A caça para alimentar o grupo lhe foi possível porque ele aprendeu a dividir e a transmitir tarefas através da cooperação. Tais atividades nasceram da percepção de uma responsabilidade social para garantir a sobrevivência do grupo. Sua impressão sobre o ambiente que o cercava e a forma como lidava com isto ficou expressa nas pinturas rupestres encontradas no interior das cavernas. Deste legado sabe-se que sua incipiente Educação já estava voltada para as suas necessidades sociais. Disciplinar as crianças e encontrar a caça para alimentar a comunidade. 

A Educação conduz à criatividade e promove a cooperação a fim de que metas sociais sejam alcançadas. A Educação beneficia e transforma a sociedade melhorando a qualidade de vida de todos. Quando a sociedade se organiza no intuito de promover convivência e desenvolvimento harmonioso entre os seus sujeitos seu raio de ação provém de um projeto educacional.

Existem momentos em que a humanidade não visualiza o papel social da Educação. São momentos em que o Homem entra num período de obscurantismo. Mas cada vez que a sociedade se sente ameaçada de decadência, também percebe que seus desvios  ocorreram porque não privilegiou a Educação como uma responsabilidade social. 

Qualquer instituição social tem como finalidade primordial o atendimento da comunidade. Este é o significado real da expressão “responsabilidade social”. Na Educação podemos percebê-la através da forma como a sociedade se organizou para atender às necessidades sociais que marcaram cada época da nossa história. Os israelitas educavam suas mulheres porque as consideravam guardiãs do lar e a elas caberia a missão de educar os filhos nas tradições judaicas. Da mesma forma, quando a palavra escrita pôde ser impressa, Martinho Lutero apressou-se em incentivar a alfabetização dos camponeses para que pudessem ler a bíblia em família. 

Antes de Lutero, a Educação formal tendia a atender os segmentos mais elevados da sociedade que recebiam uma formação aprimorada com os estudos das Artes Liberais. Esta elite educada liderava a sociedade. Para ocupar posições de liderança deveriam ser bem formados não só para o bom exercício da profissão, como também para que servissem de bons exemplos para toda a sociedade. 

Com a iniciativa de Lutero e o nascimento da era industrial a Educação tornou-se acessível às massas. E sua responsabilidade social se voltava para a capacitação profissional. A partir de então o estudo das Artes Liberais foi posto de lado. A Educação entrou em decadência e seus reflexos na sociedade não tardaram a se manifestar. A falta da cultura de valores tradicionais no sistema educacional esvaziou a mente humana da valorização do Ser. Conduziu-nos à cultura do Ter, seguida pela cultura das aparências. 

 A cultura das aparências domina as sociedades modernas. E vivemos um daqueles momentos, quando conforme afirma Fukuyama, sociólogo norte-americano, sentimos que chegamos ao final da História. Isto assinala que passaremos por mudanças profundas cujos ventos já se aproximam trazidos pelo choque de culturas que hoje presenciamos. Distantes de nossos valores morais, subjugados pelo relativismo das nossas ações, ficamos desorientados nas escolhas de nossos caminhos. Mas sabemos que temos que mudar. Quais as mudanças necessárias para se retomar um caminho que nos conduza à paz duradoura e ao progresso partilhado com um maior número de pessoas? Qual será a responsabilidade social da Educação neste momento de mudanças?  Considero que a responsabilidade social da Educação será resgatar a Educação humanística. Abrir a nossa mente além da cultura do Ter e da aparência. 

Nosso presente em decadência visualiza em meio às brumas de nossas incertezas quanto ao futuro, uma nova era através de uma nova Educação.  Trata-se do retorno à ética dos nossos antepassados.

Circulo Fechado

Tuesday, August 14th, 2007

2004

A diretora de uma excelente escola privada paulistana contou-me que após as eleições de 2002, ocorreu algo estranho na cabeça dos pais cujos filhos ficaram para recuperação nos exames finais. Dirigiam-se ao colégio indignados com a punição, e a reclamação era sempre a mesma: “Eu nem posso entender porque meu filho tem que estudar tanto! Atualmente no Brasil, mesmo sem estudos se chega lá…!”, comentavam apontando o dedo para o alto! Em contrapartida, durante toda a minha juventude ouvi de meu pai: “-Estuda, estuda sempre, pois só os estudos levam o ser humano adiante”, frase que hoje completo afirmando convicta, -e só a Educação leva a nação adiante.

Numa época sobre a qual tentam passar a borracha a Escola Brasileira era de nível elevado. Tanto a escola pública quanto a privada foram prestigiadas pela alta qualidade de ensino, e os estudantes das classes mais abastadas consideravam um privilégio disputar vagas numa escola pública como a Caetano de Campos. A partir de então, quando o ensino brasileiro iniciou seu processo de decadência diziam que nossos políticos queriam manter o povo no cabresto. Um povo ignorante é facilmente conduzido ao bel prazer de sua classe política. E nas Terras de Santa Cruz inexiste a capacidade de se pensar em longo prazo, de se planejar o futuro nacional, o que importa é que os interesses imediatos sejam satisfeitos. O preço que a Nação paga pelo descaso com a Educação de seu povo assemelha-se a um teatro do absurdo. Na administração pública quase tudo funciona sem senso de responsabilidade.

Investimentos na Educação trazem retornos a curto, médio e longo prazo. É um patrimônio que se irradia, que enobrece a raça, além de nos distanciar dos animais soltos no pasto. Quanto menos estudamos mais imbecilizados ficamos. Trata-se de um retrocesso que não destrói o potencial de uma só geração. As gerações futuras tornam-se cada vez mais comprometidas com as conseqüências advindas da falta de investimentos na Educação de qualidade. Despreparados, não é estranho que sejamos governados por indivíduos que através de uma simples “canetada” desobrigam candidatos à diplomacia de, por exemplo, serem fluentes em língua inglesa! Isto é, o estudo do inglês que deveria ser obrigatório a todos desde as primeiras classes, a partir de agora sequer é exigido para quem representa o país perante o mundo! Em pleno século das Comunicações, quando a informação torna-se fundamental para qualquer simples mortal, quem deveriam representar a nata do conhecimento acumulado por um povo, o conhecimento do inglês perdeu o sentido. Não me refiro apenas à comunicação formal de um governo. Sem o inglês somos privados das mais importantes publicações cientificas, tecnológicas, literatura e jornais internacionais, etc, editados muitas vezes apenas naquela língua. O descaso com a Educação nos mantém atados a viseiras. De que adianta o Governo exaltar tanto a necessidade da inclusão digital se no pacote prometido não se inclui o estudo do inglês? Basta ir até o Google em busca de alguma informação para saber porque num pacote de inclusão digital seria necessária a inclusão do estudo do inglês em nosso currículo escolar.

A média brasileira de compreensão de texto com mais de cinco linhas, não ultrapassa a média de 20% entre os que freqüentaram a escola básica. O estudo de outras línguas além da materna beneficia o desenvolvimento mental. Mas a ignorância nacional pretendendo tolher nossa liberdade de expressão impõe limites em nossa comunicação com o Mundo. O governo Todo-poderoso arroga-se o direito de saber o que é melhor para o cidadão. Em conseqüência tranca a sociedade dentro de um círculo terceiro-mundista onde o que não seja “pão e circo” corre o risco de ser eliminado da vida nacional. De forma sistemática, lenta e cruel, desmantela nosso patrimônio econômico, cultural e nossas instituições. Se no mundo contemporâneo existe um fosso cada vez mais profundo separando as nações desenvolvidas das subdesenvolvidas, estamos no ranking das piores. Se formos um país em vias de desenvolvimento, assim ficaremos até acordarmos descobrindo que viramos chimpanzés. Brasil, um país do futuro…

Jeitinho Brasileiro

Tuesday, August 14th, 2007

O Brasil passa atualmente por uma decadência moral aflitiva. A corrupção generaliza-se e os comportamentos tornam-se anti-sociais. Este perverso “status quo” da sociedade reflete-se no nosso dia-a-dia, tornando-nos pessoas desorientadas. Numa espécie de catarse tentamos entender e justificar como foi que chegamos até o fundo do poço de nossas misérias morais, sem que percebêssemos.

Valores morais, boas maneiras e educação de qualidade deixaram de ser fundamentais para a formação da juventude atual. A ordem passou a ser não contrariar a criança, satisfazer seus caprichos para que não cresça com traumas. Disciplina e ordem nem pensar! Daí o culto do hedonismo. A criança, egoísta por natureza, desenvolve-se acreditando que tem direito a todos os prazeres sem assumir responsabilidades. Disto resulta a corrupção que hoje nos assusta, a alienação, a irresponsabilidade, e conseqüentemente o resultado é o baixo nível de qualidade de vida para o cidadão brasileiro.

Enganam-se os que acreditam que ao nos faltar auto-estima se possa elevar o moral nacional forjando mitos. Queremos uma Nação onde exista um projeto de ética e cidadania para todos, e principalmente para quem nos governa! Se existe falta de auto-estima busquemo-la no desrespeito que o próprio governo dispensa aos seus cidadãos. Aqueles milhões que são obrigados a permanecer desde a madrugada nas filas do INSS, que pagam preços absurdos pelo ticket de ônibus e viajam em pé, pais que competem noite afora por uma vaga escolar para seus filhos nas escolas públicas, doentes que enfrentam maus tratos e mau atendimento nas filas dos centros de saúde, só podem sofrer de falta de auto-estima! São tratados da maneira mais infame por governos que vêm o cidadão apenas como um pagador de impostos. Quanto aos seus direitos? Que se virem!

Tornando-nos uma sociedade medíocre que coloca nas mãos do Estado o próprio destino provamos que nos falta auto-estima. A ausência de respeito e confiança em si próprio, o vazio moral no qual vivemos, nos induz a mascarar nossa condição com aquela face tão familiar a nós brasileiros: somos felizes! Temos carnaval, foot-ball, shopings, academias de ginástica, cirurgiões plásticos, saunas, cerveja, cachaça, churrascos, praias e incontáveis feriados, temos uma mídia que nos ajuda a alienar a realidade. Então por que não jogar para o alto as nossas responsabilidades, a moral, a espiritualidade, realidades que só nos impedem de sermos felizes? Afinal, para que serve a nossa consciência? Essa coisinha inconveniente tem que ser abafada pela nossa crítica aos erros alheios. Quanto a nós, apenas batalhamos pela nossa felicidade, portanto o que importa é o vale tudo ou o famoso “jeitinho brasileiro”

Entrevista do cineasta Walter Salles

Thursday, August 9th, 2007

SP 2003

Todos nós trazemos, indelevelmente gravada, a.

memória de nossos começos, assim como as conchas

trazem, guardadas dentro de si, a memória do mar.

Por isso, o reencontro do homem com as raízes de

Sua formação há que se impregnar daquele misterioso

Encantamento das velhas baladas do outro tempo,

Quando os trovadores cantavam a elegia do destino.

(Pinheiro Chagas)

“A classe social de onde venho é asfixiante”. A frase inserida numa entrevista concedida pelo cineasta Walter Salles à revista “TRIP”, também não deixa de ser “asfixiante”.Trata-se de uma afirmação emblemática do que ocorre no Brasil, nas últimas décadas. Uma operação bem orquestrada que passe uma borracha na História Nacional, interpretando-a de forma a se identificar com a visão de mundo das esquerdas que desejam impor aos nacionais. Modificam os fatos históricos, recontando-os sob nova ótica e colocam as artes e literatura a serviço de suas ideologias. Bem treinados e disciplinados, atraem para as suas fileiras os ignorantes e a juventude idealista e sonhadora. Por isto, educar os jovens e as massas é o sonho de quem pretende o poder. Na verdade, se não fosse assim nem poderíamos sobreviver como sociedade organizada. A grande diferença é que alguns almejam uma sociedade livre onde o ser humano aprende a respeitar os direitos e as liberdades alheias, e recebe treinamento para expressar suas escolhas, enquanto outros sem considerar as diferenças individuais pensam o mundo de forma coletiva. Atuam com o objetivo de encurralar a sociedade, transformando-a num ser amorfo, disponível para projetos aparentemente idealistas. Sim, aparentemente, pois aqueles que tentam dominar seu semelhante através de suas ideologias falaciosas, melhor do que ninguém reconhecem em si mesmos, a irrefreável ganância pelo poder.

A preleção acima deixa claro que o cineasta Walter Salles, sofre de uma anomalia conhecida: o pobre menino rico que vivenciou as experiências intelectuais da adolescência ai estacionou a sua mente. Gostou do que viu e ouviu. Tornou-se um adulto diletante, com alma de adolescente rebelde. Se lhe ocorresse o crescimento intelectual, a curiosidade o levaria para a história de sua própria família, respeitaria e se perfilaria em suas próprias raízes. Em meio à saga de uma família das mais ilustres, na história socioeconômica brasileira, o pobre menino rico pinça um pai-de-santo que o fascina e se fixa unicamente neste parente a ponto de torná-lo seu inesquecível modelo de vida. É de se lamentar que o destino tenha sido tão malvado com um menino nascido num berço de ouro. É de se lamentar que o destino tenha sido tão injusto com a memória da família Moreira Salles. Bem diz o ditado: “em casa de ferreiro, espeto de pau…” A vida concede a um certo jovem o dom das artes cênicas, coloca-lhe nas mãos continuas safras da riqueza moral, intelectual e empreendedora via direitos hereditários, mas ele prefere jogar tudo na lata de lixo da História trocando as biografias de Amador Bueno (O Aclamado), Bárbara Heliodora, Peixoto Gomide, Leovegildo Mendonça de Barros, Eduardo Carlos Vilhena do Amaral, Presciliana Duarte de Almeida e tantos outros de sua genealogia, pela história de um outro menino rico e frustrado como ele, o sanguinário Che Guevara!

Finalmente, é de se lamentar, e este é o meu escopo, que um Brasil de memória curta não cultive e não respeite seus antepassados. Encerrando o meu texto, quero enriquecê-lo com as palavras constantes no livrinho da Sra Alvarina Amaral de Oliveira Toledo, que também faz parte do clã de Walter Salles, entitulado “ Uma história que já vai longe..”, no qual, à pagina XI do prefácio, afirma:…”Vale a pena recordá-lo, Eduardo Carlos Vilhena do Amaral, nesta hora em que a nação brasileira clama por uma reversão de valores, por uma prática política sadia e patriótica, é preciso que voltemos, como sugere Paulo Pinheiro Chagas, às origens de nossa formação nacional, às raízes venerandas de nossa história.”

Debate sobre Educação em faculdade de Pedagogia

Thursday, July 26th, 2007

agosto/2006

Durante três dias participei de todos os painéis de um debate numa faculdade de Educação paulistana. Abaixo estão as fontes de onde extrai informações, e um pequeno resumo do que foi discutido.

FACULDADE DE PEDAGOGIA DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO

ORGANIZAÇÃO DO PAINEL

Três dias

4/9/2006 parte da manhã: das 9 horas às 11.30 hrs

Iniciar a palestra dando um panorama do que será posto em debate:

O que é a Educação?

É o sistema pelo qual as gerações mais velhas transmitem às mais novas seus modos de convivência social, seus valores culturais e morais, além de repassa as ferramentas necessárias para que a proximas gerações tenham acesso ao mercado de trabalho. Todo este sistema é transmitido através da Educação que é cumulativa e precisa ser retransmitida à cada geração. 

 Vamos repassar e discutir cada um destes pontos para sabermos quais são os atrasos, as conquistas e os desafios que detectamos em nosso sistema educacional. 

MÁ QUALIDADE NA EDUCAÇÃO FORMAL:

Gustavo Ioschpe, Veja 30/08 Consultor do MEC e levantamento feito pelo IPEA

Até mais ou menos o início da década de 70, a Educação brasileira era CONSIDERADA de boa qualidade, tanto na escola pública quanto na privada. Entretanto, na medida em que o país passou por um período de grande desenvolvimento gerando renda e dando chance ao surgimento de uma robusta classe média, alem de um enorme crescimento populacional, a demanda por educação aumentou.

A partir da década de 60, a sociedade brasileira experimentou mudanças extraordinárias. Um excepcional aumento da população com forte concentração nas periferias por conta dos movimentos migratórios ocorridos do nordeste em direção à região sudeste em busca de emprego nas fábricas que surgiam no ABC paulista. O fato mudou a face da sociedade brasileira. Após um período de intenso crescimento econômico que chegou a chamar a atenção mundial para o que chamaram de O Milagre Brasileiro, o país passou a oscilar entre fases de desenvolvimento e de estagnação sem, entretanto voltar aos patamares atingidos na época do milagre. . Houve um recrudescimento da florescente classe média que, a cada plano econômico está mais encolhida tornando-se dependente dos serviços públicos. E é no pós milagre brasileiro, que devemos nos situar para entender de que forma criou-se no Brasil um fosso quase intransponível entre analfabetos, semi-analfabetos, jovens que interrompem o ciclo escolar, ombreando com uma oferta exagerada de cursos superior dentro de um sistema educacional da pior qualidade. É como se de repente o Brasil houvesse perdido o rumo. E chegamos ao ponto em que perdemos a condição de competir nos mercados de trabalho, além da visível perda de produtividade. Ficamos para trás. Os emergentes asiáticos cresceram, o nosso vizinho Chile cresceu, e atualmente paises como Índia, China, países do leste europeu, Irlanda estão a caminho acelerado do desenvolvimento. Mas quanto ao Brasil?

Diferentemente do palavrório de alguns, o trabalhador brasileiro não ganha pouco por ser vítima de uma elite branca e má, mas por ser pouco produtivo. È assim porque a escola falhou com ele.

Trabalhadores: o salário é definido pela produtividade e esta pela ênfase na educação

A situação educacional brasileira é trágica. Poucos discordam dessa constatação. Muito poucos se perguntam por que isso é tão ruinoso, e, ainda, por que é tão mais desastroso agora. A primeira e mais óbvia resposta seria: porque estamos privando uma enorme fatia da nossa população dos conhecimentos mínimos necessários para uma vida engajada, consciente, livre e produtiva. Mas basta notar que os cruzamentos de nossas grandes cidades se tornaram abrigos ou espetáculos circenses dos marginalizados para entender que qualquer apelo à solidariedade humana está fadado ao fracasso neste país cordial. Apesar da resistência que educadores e pedagogos têm à intromissão de economistas, empresários e afins em seu território, é neles que se encontrará a revolução educacional de que o país necessita. Porque esses grupos conseguem deixar de tratar a educação unicamente como um fim em si mesma para entender que ela tem um papel vital – e urgente – a cumprir no desenvolvimento do Brasil. Essas vozes dizem e dirão o que a sociedade precisa ouvir: com o nosso sistema educacional atual, estamos condenados ao atraso eterno. Se a fraternidade não o convence a cuidar de nossa educação, faça-o por interesse próprio, portanto.

É impossível a um país desenvolver-se no século XXI quando sua população ainda não resolveu problemas do século XIX. A comparação não é exagerada. Ainda não conseguimos ensinar nossas crianças a ler e a escrever, coisa que outros países já fazem há mais de 100 anos. O resultado final é termos só 26% de nossa população de 15 a 64 anos plenamente alfabetizada. A má qualidade do sistema – e não a falta de vagas – faz com que só 20% de nossos jovens cheguem à educação superior. Países como Coréia do Sul, Finlândia, Estados Unidos e Noruega já passaram dos 80% – quatro vezes mais, portanto. Os outros países desenvolvidos têm taxas próximas de 60%. Chile, Argentina e Uruguai estão na casa dos 40%. A China assusta ainda mais: foi de 6% em 1998 para quase 20% agora.

IPEA:

Ministro Paulo Roberto de Almeida

Trabalho de levantamento feito pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo:

Questionário a ser feito em escolas públicas e privadas

Nesta última legislatura, os deputados paulistas se organizaram formando uma comissão que viajou por todas as cidades do Estado, fazendo um levantamento de seus problemas. Mantiveram contatos com as lideranças locais e debateram estes problemas. Sugiro assim, que as estudantes desta Faculdade de Pedagogia, agendem uma visita à Assembléia e tomem conhecimento de quais foram os problemas ligados à área da Educação, apontados por nossas comunidades. Façam a seguir um levantamento estatístico para saber em que volume cada um daqueles problemas afeta a comunidade. Baseadas nestes dados preparem debates, encontrem soluções e a seguir, entreguem estes resultados aos senhores deputados via Comissão da Educação da Assembléia.

1º dia- Parte da tarde: Educação como ferramenta de produtividade

A primeira menção de que a Educação é uma ferramenta que expande a produtividade do trabalhador, veio de Adam Smith, no seu livro A RIQUEZA DAS NAÇÕES. Mas somente a partir da década de 70, a teoria chamou atenção através dos prêmios Nobel, Schultz e Becker ao consagrarem a teoria do capital humano. Sabe-se com segurança que as pessoas com níveis mais altos de educação tem maior probabilidade de receber salários mais altos. Em média no Brasil, a cada ano a mais de escolaridade, tem-se acréscimo de renda de mais de 10%. Mas é mais fácil constatar que a educação não está apenas relacionada ao nível de renda. Relaciona-se muito mais ao nível de desemprego. Mas há, contudo um erro ao se analisar o resultado em termos individuais e transferi-lo para a sociedade, pois o que é verdade para um individuo pode não sê-lo para a sociedade. Mas, em geral, quanto maior a escolaridade de uma sociedade, maior é o seu PIB. Em resumo, educação é necessária, mas não suficiente para o crescimento.

A demanda por educação depende do nível de complexidade da tecnologia, e da velocidade com que ela muda.

O resultado da baixa escolaridade é que de um modo geral, a população brasileira é formada por pessoas que podem ser tuteladas e podem até atingir bons níveis de produtividade, mas tem baixa capacidade para realizar tarefas mais complexas. Liderar, criar novos conhecimentos e tomar decisões que exigem capacidade analítica mais sofisticada. Isso é particularmente grave em um ambiente econômico que depende de emprego gerado no conjunto da micro e pequena empresa.

Educação de qualidade:

Esses dados não persistem apenas nas comparações internacionais. Internamente, os efeitos são sentidos no dia-a-dia de todos nós. E estudos que determinam a desigualdade de renda no Brasil confirmam que a causa mais importante é a desigualdade na educação. Essa desigualdade de renda e educação alimenta de forma brutal o que representa o maior pesadelo hoje em nosso país. A criminalidade. O aumento da escolaridade tem impacto sobre a redução da criminalidade. Isto é constatado em estudos comparativos com paises como os USA. O fato não justifica nem desculpa o crime.

No caso brasileiro fala-se muito que a educação é o gargalo do nosso desenvolvimento. Também afirmam que até a década de 80 a nossa educação era muito pior do que é hoje e não interferiu em nosso desenvolvimento. Por que agora seria uma trava?

Sabe-se que a demanda por educação e formação depende do nível de complexidade da tecnologia e tb da velocidade com que ela muda. Assim compreendemos que àquela época em que o Brasil liderou o ranking dos países em desenvolvimento, as tecnologias usadas eram estáveis, dando tempo para que os trabalhadores fossem treinados. Agora não. E se a tecnologia e os conhecimentos mudam o tempo todo, só quem tem um bom nível de escolaridade é capaz de se adaptar. Quanto mais tecnologia mais necessidade de Educação. Aqui reside uma falha em nosso país. A base da pirâmide social revela um contingente enorme de pessoas cuja educação não chega a sete anos de escolaridade. E sete anos de péssima escola o que impede o trabalhador de receber instruções, de buscar informações, e de produzir comunicações de uma certa complexidade. Além disso, como a maioria depende do emprego na micro e pequena empresa, a péssima formação de seus proprietários e empregados os impede de se modernizarem e assimilarem informações. Daí essa dependência generalizada de contadores, advogados e outros tipos de tutelagem.

Torna-se difícil para a maioria compreender porque o Brasil teve no passado um bom crescimento econômico sem a necessidade da educação e hoje ela se torna indispensável para que possamos progredir.

2º dia de traballho, parte da tarde:

AVALIAÇÃO FEITA PELO WORLD BANK: E UM APANHADO SOBRE A INCLUSÃO SOCIAL ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO

BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO PRIMÁRIA PARA A MULHER:

Impacto na saúde

Incremento na produtividade agrícola e diminuição da desnutrição

Aumento da produtividade

Promoção do crescimento econômico, incluindo ai a educação do adulto, educação de qualidade e não por quantidade de tempo de escolaridade;

São Paulo, setembro/2006

Introdução:

A Educação nasce de uma responsabilidade social. Esta é a sua finalidade até entre os animais irracionais. Pois, sem educação, nenhum ser vivo pode formar comunidades.

 

Rodrigo Constantino

“Criar pessoas com elevada qualificação em países onde a atividade mais rentável é pressionar o governo por favores não é uma fórmula de sucesso.” (William Easterly)

Poucos pontos são tão consensuais como o caráter milagroso atribuído à educação para o crescimento econômico e prosperidade de um país. Mas será que tal senso comum encontra respaldo nos fatos? O economista William Easterly, que atuou por anos no Banco Mundial, tenta responder essa questão em um capítulo do seu livro O Espetáculo do Crescimento, cuja premissa base é que os indivíduos reagem a incentivos. No mínimo, o autor consegue forçar uma saudável reflexão.

Através de vários estudos estatísticos, Easterly conclui que a resposta do crescimento econômico à expansão educacional dramática nas últimas décadas tem sido bastante desapontadora. A causa do suposto fracasso das medidas governamentais em prol da educação é, segundo o autor, o fato de que os indivíduos respondem aos incentivos, e se estes não estiverem presentes para um investimento no futuro, expandir a educação terá baixo valor. Em resumo, investir em certas habilidades onde não existe sequer tecnologia disponível para seu uso não irá garantir crescimento econômico.

Como exemplo, Easterly cita os avanços no capital humano de determinados países africanos, ainda que largando de uma base baixa, que não foram correspondidos por elevado crescimento econômico. Em contrapartida, o Japão, que não experimentou um crescimento expressivo no seu capital humano, viveu uma forte aceleração econômica. Estatisticamente, não há correlação entre crescimento nos anos de escolaridade e aumento da renda per capita. Alguns estudos apontam, de fato, que um investimento no ensino básico pode surtir um efeito positivo no crescimento econômico, por determinado período. Mas isso está longe de ser a garantia de sucesso de uma nação a longo prazo, em termos de prosperidade. A conclusão é que a educação parece mais uma fórmula mágica que falhou na entrega das expectativas.

Na verdade, não é tão complicado entender a lógica disso. Quando o ambiente é hostil ao empreendedorismo, quando os incentivos para o investimento no futuro não estão presentes, e quando falta uma competição meritocrática calcada no livre mercado, o indivíduo mais educado ou irá migrar para um país mais favorável ou irá ceder aos encantos da “amizade com o rei”. No primeiro caso falamos do conhecido “brain drain”, onde vários indivíduos de bom intelecto partem para países mais livres e com maiores oportunidades de emprego. Basta lembrar a quantidade de cubanos, brasileiros e indianos com bom preparo que migraram para os Estados Unidos. No segundo caso, temos vários exemplos de que, quando o governo não cria as oportunidades devidas para a geração de riqueza, o ensino perde valor, dado que as atividades valorizadas são apenas as ligadas à redistribuição de riqueza. Passar em um concurso público ou obter um favor político e ser um burocrata compensa mais que disputar como engenheiro uma vaga no setor privado.

A grande falácia dos que depositam fé messiânica na educação imposta e financiada pelo Estado é que ignoram os incentivos individuais, partindo da premissa estranha de que os próprios indivíduos vão escolher algo pior para si. Ninguém mais que o próprio pai vai querer o melhor para seu filho. Como acreditar que políticos distantes, em busca de votos, vão realmente querer o melhor para o indivíduo em si? Logo, se o pai prefere a ajuda imediata do filho na roça em vez de investir na sua educação, é provavelmente porque a educação tem um baixo valor esperado, e não compensa o custo. Essa é a conclusão de estudos da própria Organização Internacional do Trabalho. Forçar crianças a freqüentar a escola sem ter uma contrapartida de valor esperado positivo para tamanho investimento parece ser uma medida inócua.

Em outras palavras, criar gente qualificada onde não há demanda para tanto pode representar um desperdício. Como exemplo sintomático, podemos pensar nos taxistas engenheiros, ou mesmo em prostitutas com diploma, além da migração para outros países, como já foi dito. Não pretendo com isso desmerecer o investimento em educação. Ele parece ser fundamental, ainda que não seja uma condição suficiente para o progresso. Mas a educação parece estar longe de ser o milagre que muitos acreditam, como se bastasse mais investimento estatal nesse setor para que um Brasil virasse uma Suíça. Sinto dizer, mas não é o caso. Sem ambiente favorável aos negócios, possível com maior liberdade econômica, teremos apenas subempregos com diplomados. Mas o povo ainda será muito pobre. Afinal, a educação, sozinha, não faz milagre.

# posted by Rodrigo Constantino @ 8:27 AM

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO

Regina Caldas 24/06/2006

Cerca de 100 empresários brasileiros (Paulo Lehmman, David Feffer, Gerdau dentre outros), participaram na Bahia, da Conferência Internacional “Ações de responsabilidade Social em Educação: Melhores práticas na América Latina”, encerrada em 25/06/2006. Alguns destes empresários manifestaram publicamente seu apoio à urgente necessidade de se investir em Educação, para que possamos progredir e nos situarmos no ranking dos países desenvolvidos, além de criar possibilidades de melhor qualidade de vida ao brasileiro.

De um modo geral, a Educação vai mal, seja nos países desenvolvidos ou naqueles em desenvolvimento e os subdesenvolvidos.

Um dos problemas que mais interfere na decadência da Educação de um modo geral, certamente são as transformações ocorridas em todas as partes do Globo, nas últimas três décadas. Globalização, novas tecnologias e meios de Comunicações evoluíram de tal forma que a Humanidade ainda não assimilou suas conseqüências a fim de propor novos parâmetros na Educação, que sejam ferramentas eficientes para nos situarmos na nova Era. Uma nova Era onde a moeda de troca no mercado de trabalho passou a ser o Conhecimento, e não mais a força braçal.

Segundo a opinião de alguns líderes mundiais, vivemos uma “segunda revolução industrial”, onde o que vale é saber lidar com robôs e os mais variados aparelhos eletrônicos que facilitam e agilizam o trabalho dentro das fábricas, e as comunicações entre os escritórios de todas as partes da Terra. Mas não assimilamos tais mudanças a ponto de entendermos até onde elas se refletem na sociedade e em nossas vidas pessoais, de forma cada vez mais acelerada e irreversível E se confrontarmos nossa cultura passada com o que divisamos em matéria de tecnologias e comunicações atuais, o sentimento que nos envolve é de que vivíamos na idade da pedra. .

O desenvolvimento de novas tecnologias, ao facilitar e agilizar as atividades humanas nos convida a reflexões. Como educar crianças e adultos para que se integrem harmoniosamente à nova era e possam usufruir os ganhos que ela traz consigo? Não é mais possível pensar a educação na sua forma tradicional. Aquele currículo escolar voltado para uma educação formal onde a criança inicia seu processo de alfabetização e está programada para permanecer dentro da escola durante mais de 15 anos, até que obtenha um diploma universitário, perdeu a razão de ser. A forma e o conteúdo da transmissão de conhecimento baseada em currículos de longo prazo tornaram-se incompatíveis com a velocidade das mudanças. Traz na sua maioria a repetição de matérias que hoje, através da Internet oferecem aos estudantes possibilidades mais ricas e condizentes com o grau de maturidade de cada um. Se no passado recente, nossas ferramentas escolares se resumiam em livros, cadernos, lápis e lousas, agora complementam o computador. O computador tornou-se produto de primeira necessidade. E as novas salas de aula não estão mais restritas aos prédios escolares. Escritórios, ciber-cafés, residências, chão de fábrica se tornaram vias utilizadas para uma educação moderna e continuada. Seminários, Congressos, Conferências entre empresas de qualquer parte da Terra, salas de cirurgia e consultórios médicos se beneficiam das Conference-Call, e é também pela Internet que acessamos Bibliotecas e Museus dos mais renomados e “viajamos” para as mais distantes cidades.

Dentro deste novo contexto qual o papel de professores, escolas, governos, empresas e comunidades? Que trabalhem juntos, pois o interesse é de todos. Será de pouca valia reinar estudantes em novas tecnologias e meios de comunicações se existir defasagem de conhecimento nos vários canais de intercomunicação social.

Ao professor caberá especializar-se no conhecimento aprofundado das novas tecnologias além de ser treinado para inserir seus alunos no universo tecnológico. Seu papel é fundamental. Além de orientador dos conteúdos de aprendizado, lhe sobram incontáveis tarefas. E talvez, a mais necessária delas é inserir no exercício do aprendizado diário a visão dos fatos que ocorrem além dos muros das escolas, para que as crianças adquiram formação que lhes dê o suporte necessário para saber lidar com elas. É na sala de aula que os estudantes precisam firmar seus valores de cidadania e civilidade sem preconceitos e ideologias políticas. Às escolas cabe a adaptação eficiente aos novos currículos, e abrir novos espaços de entrosamento entre escola/sociedade. Não só como forma de participação no treinamento e formação da mão-de-obra local, mas disponibilizando espaço para qualquer indivíduo disposto a dar continuidade à sua educação. Adotando as novas tecnologias tanto nas suas grades curriculares quanto na própria administração, a escola terá ao seu dispor sobras de tempo que poderá usar investindo na comunidade. Ao governo caberá investir racionalmente na adaptação dos novos programas. Às comunidades cabe o interesse em disseminar tais conhecimentos inteirando-se dos mesmos e permanecendo atenta para que os investimentos privados e públicos atinjam seus objetivos. Às empresas levarão à comunidade, ao governo e às escolas suas necessidades específicas de profissionais que se adaptem às novas tecnologias.

O conjunto das necessidades de adaptação dos indivíduos à nova era, não se limita à transferência de conhecimento dentro das escolas. Tais conhecimentos devem ser disseminados por toda a sociedade, criando conexões entre todos, obrigando as escolas a ampliarem seus currículos enriquecendo-os com variedade de classes que atendam às novas demandas recém criadas no mercado de trabalho.

Quando Moisés entregou ao seu povo a Tábua das Leis Divinas, o terceiro mandamento foi de fundamental importância para a evolução e acúmulo de conhecimento. Guardar o sábado. Reservar um dia por semana para o descanso do corpo, dando à mente a oportunidade de refletir, estudar, dedicar-se ao lazer, enfim, tempo para sonhar e desenvolver a criatividade. Da mesma forma, as novas tecnologias, facilitando o trabalho humano proporcionam enormes sobras de tempo a todos, que deverão ser preenchidas com educação e lazer que promovam o crescimento pessoal.

O preenchimento daquele tempo favorece as atividades de lazer, e caberá à educação incluir em seus currículos matérias voltadas para os esportes e outras formas de cultura e lazer. Todas estas atividades tornar-se-ão opções novas de trabalho para os excedentes nas fábricas e campo. A questão é jogada sobre os ombros da comunidade, cabe-lhes preparar aqueles excedentes para as novas atividades. Daí a importância do incentivo à educação continuada.

Outra questão a ser planejada pela sociedade em relação à Educação refere-se ao tempo de escolaridade exigido pelos currículos atuais. Partindo do princípio de que estes currículos foram preparados de forma a manter dentro das escolas os jovens durante sua fase de adolescência, atualmente este objetivo perdeu a razão de ser. Vejamos porquê:- Na atualidade os jovens amadurecem e assumem responsabilidades mais cedo que no passado. Assim, quando interrompem os estudos pela necessidade de busca de trabalho estão despreparados para qualquer tipo de atividade porque lhes falta um diploma. Se estes jovens, ao término do processo de alfabetização contassem com a chance de participarem de cursos de curto prazo, voltados para as áreas de serviços seriam mais facilmente absorvidos pelo mercado;

- É sem fundamento socioeconômico incentivar os jovens e suas famílias a valorizarem com obsessão o diploma universitário. Diploma de faculdade não garante emprego bem remunerado e nem status social a ninguém. Universidade é vocação. Faculdade pode ser escolha da maturidade, algo muito melhor que a mera continuidade dos estudos apenas para conquistar um diploma de grau superior porque o mercado exige… É preciso mudar esta mentalidade!

-O valor da Educação reside na sua capacidade de adaptar o indivíduo ao meio em que vive, incutir-lhe sentimentos de cidadania, e respeito aos valores morais e à ética, e dar-lhe a chance de viver através de um trabalho que lhe garanta a subsistência, o respeito dentro de sua comunidade e, se possível a ascensão social.

Sendo verdadeiras estas conclusões, cabe à sociedade unir-se e se propor a realizar uma revolução no ensino. A União faz a força, e se queremos de fato mudar a face de uma sociedade, apagando suas trágicas feições marcadas pelo crescimento de uma juventude que não sabe de si, que não encontra rumo para o próprio futuro, vamos agora realizar todas as mudanças necessárias na Educação. Que os 100 empresários brasileiros, quando se decidiram a participar do evento sobre a Educação na Bahia, liderem dentro de suas comunidades um movimento que concretize ações efetivas no âmbito da Educação. Estes são os meus votos, por um Brasil melhor!

s velhas transmitem às mais novas, seus modos de convivência e seus valores culturais e morais acumulados através do tempo.

O homem das cavernas, por gestos e gritos, expressou suas alegrias, tristezas, raiva e satisfação. Aprendendo a identificar seus sentimentos lhe foi possível organizar seu sistema de cooperação e sobreviver agregado. Suas necessidades básicas foram atendidas porque ele se organizou por meio da Educação. Por exemplo, a morte prematura de mães (parto), de pais (na caça e guerras), levou-o a desenvolver um sistema educacional que lhe permitisse cuidar adequadamente dos órfãos. A caça para alimentar o grupo lhe foi possível porque ele aprendeu a dividir e a transmitir tarefas através da cooperação. Tais atividades nasceram da percepção de uma responsabilidade social para garantir a sobrevivência do grupo. Sua impressão sobre o ambiente que o cercava e a forma como lidava com isto ficou expressa nas pinturas rupestres encontradas no interior das cavernas. Deste legado sabe-se que a sua incipiente Educação já estava voltada para as suas necessidades sociais. Disciplinar as crianças e encontrar a caça para alimentar a comunidade.

A Educação conduz à criatividade e promove a cooperação a fim de que metas sociais sejam alcançadas. A Educação beneficia e transforma a sociedade melhorando a qualidade de vida de todos. Quando a sociedade se organiza no intuito de promover convivência e desenvolvimento harmonioso entre os seus sujeitos, seu raio de ação provém de um projeto educacional. Existem momentos em que a humanidade não visualiza o papel social da Educação. São momentos em que o Homem entra num período de obscurantismo. Mas, cada vez que a sociedade se sente ameaçada de decadência, também percebe que seus desvios ocorreram porque não privilegiou a Educação como uma responsabilidade social.

Qualquer instituição social tem como finalidade primordial o atendimento da comunidade. Este é o significado real da expressão “responsabilidade social”. Na Educação podemos percebê-la através da forma como a sociedade se organizou para atender às necessidades sociais que marcaram cada época da nossa história. Os israelitas educavam suas mulheres porque as consideravam a guardiã do lar, e a elas caberia a missão de educar os filhos nas tradições judaicas. Da mesma forma, quando a palavra escrita pode ser impressa, Martinho Lutero apressou-se em incentivar a alfabetização dos camponeses para que pudessem ler a bíblia em família.

Antes de Lutero, a Educação formal tendia a atender os segmentos mais elevados da sociedade que recebiam uma educação aprimorada com os estudos das Artes Liberais. Esta elite educada liderava a sociedade. Para ocupar posições de liderança deveriam ser bem formados não só para o bom exercício da profissão, como também para que servissem de bons exemplos para toda a sociedade.

Com a iniciativa de Lutero e o nascimento da era industrial a Educação tornou-se acessível às massas. E sua responsabilidade social se voltava para a capacitação profissional. A partir de então o estudo das Artes Liberais foi posto. A Educação entrou em decadência e seus reflexos na sociedade não tardaram a se manifestar. Negaram uma Educação aprimorada dando condições de discernimento ao Homem para que ele entenda o mundo que o rodeia, para que aprenda a se relacionar de forma ética com o seu semelhante, para que seja cívico e responsável com a coisa pública. A ausência da cultura de valores tradicionais no sistema educacional esvaziou a mente humana da valorização do Ser. Conduziu-nos à cultura do Ter, seguida pela cultura das aparências.

A cultura das aparências domina as sociedades modernas. E vivemos um daqueles momentos quando, conforme afirma Fukuyama, sociólogo norte-americano, sentimos que chegamos ao final da História. Isto assinala que passaremos por mudanças profundas cujos ventos já se aproximam trazidos pelo choque de civilizações que presenciamos. Distanciados hoje de nossos valores morais, subjugados pelo Relativismo das ações humanas, olhamos com tolerância os julgamentos negativos que fazem do nosso patrimônio cultural. Estamos desorientados nas escolhas de nossos caminhos. Mas sabemos que temos que mudar. Quais as mudanças necessárias para se retomar um caminho que nos conduza à paz duradoura e ao progresso melhor partilhado entre todos? Qual será a responsabilidade social da Educação neste momento de mudanças? Considero que a responsabilidade social da Educação neste presente será resgatar a Educação humanística do passado. Abrir a nossa mente além da cultura do Ter e da aparência.

Nosso presente em decadência visualiza, em meio às brumas de nossas incertezas quanto ao futuro, uma nova era através de uma nova Educação. Trata-se do retorno à Ética dos nossos antepassados.

Ultimo dia:

Responsabilidade social da Educação

Como nossas idéias podem ser usadas?

Visões diferentes:

Piaget: as pessoas constroem um novo conhecimento como uma função de sua única experiência e caminho de saber. Saber o que as pessoas sabem para facilitar a conexão para a construção do novo conhecimento.

Vygotsky enfatizou a linguagem e a colaboração social na construção do conhecimento. Esta tese aparece nos centros de tecnologia rural. Assim por exemplo, não agrupamos crianças pela idade. Crianças e adultos trabalham juntos

Freire enfatiza a tese do engajamento de cada um com o mundo. Assim as pessoas podem aprender sobre matérias de vital importância para discuti-las e descobrir seus possíveis remédios.

Democracia e Educação – Conclusão

Thursday, July 26th, 2007

Quando amamos nosso próximo nós o ajudamos a se educar e nele também buscamos fontes para a continuação do nosso aprendizado. Educar é um processo contínuo, inicia-se com o nascimento e só termina com a morte. Mesmo a morte tem algo a nos ensinar! E, após a morte, quem o saberá? Nos contos assídicos conhecemos aquela historia do rabino que teve o privilégio de estar no paraíso através de um sonho. Estranhou muito, pois tudo era diferente do que sempre imaginara. Ao seu redor havia um silencio sepulcral, enquanto seres humanos a perder de vista, sentavam-se em suas carteiras como se estivessem numa escola. Debruçavam-se sobre seus livros com impressionante atenção. O rabino não entendia nada até que o Senhor se aproximou dele, e o rabino arriscou-se a perguntar: “Senhor, isto é o paraíso?”- “Sim, por que?”.

- “Bem… Eu acreditava que fosse diferente, mas vejo que aqui eles só estudam”. Ao que o Senhor lhe respondeu: “Sim, eles passam o tempo estudando. A diferença é que agora eles entendem!” Moral da história: mesmo que passemos a vida toda estudando, ainda não srá nada diante do que precisamos aprender e entender. E quanto mais abrirmos nossos olhos, ouvidos e mente ao mundo que evolui ao nosso redor melhor para nós, que nos tornaremos um pouco menos ignorantes.

Sendo a Educação um processo contínuo em nossas vidas, torna-se necessário que seja iniciada o mais cedo possível, e sedimentada em sólidas bases que preparem as cabecinhas infantis para a absorção e interação com o maravilhoso mundo que as rodeia. Se refletirmos sobre as miseráveis condições materiais, morais e afetivas de vida da maioria das nossas crianças, entenderemos onde estão as raízes dos problemas brasileiros. Abandono, promiscuidade, comportamento anti-social de seus pais e de outros familiares e ignorância não faltam nos lares brasileiros. Portanto, não refiro somente a carência material. Menciono carências morais, intelectuais e afetivas. O ilógico, é que ao avaliarmos o tamanho da ação social em nosso País voltada para a Educação infantil, não percebemos que existem erros de enfoque que não nos permitem uma reversão ainda que lenta, dos nossos problemas. A impressão é que quanto mais se faz mais há o que fazer. Se dados estatísticos como: diminuição das taxas de nascimento, aumento das taxas de óbito entre jovens de 8 a 23 anos de idade (meninos ligados ao tráfico de drogas e acidentes), e a ocorrência da diminuição da nossa taxa populacional são verdadeiros, não entendemos porque aumenta cada vez mais o número de cidadãos marginalizados. Vivemos num circulo vicioso, conseqüência da nossa falta de um projeto que focalize sob um ângulo correto, a quem darmos a primazia na aplicação dos parcos recursos públicos e privados destinados à Educação.

Se a educação começa no berço, é para as crianças que devemos voltar a nossa atenção. Falta-nos, entretanto, um projeto educacional com a abrangência necessária para atender a demanda infanto-juvenil. Sem um projeto viável o Brasil não ocupará seu espaço entre as grandes Nações!

A criança deve receber a atenção de toda a sociedade. Se a preservação do meio ambiente é hoje assunto de alto interesse de todos os povos civilizados, o fazemos pensando nas gerações vindouras. Da mesma forma como cuidamos da natureza temos que cuidar das nossas crianças. Somos parte da natureza.

Qualquer Nação que almeje um desenvolvimento solidamente sustentado necessita estabelecer metas básicas de ações a serem perseguidas sistematicamente ao longo do tempo. Metas que jamais se saciam, seja pelo aumento da demanda ou pelas mudanças propiciadas pelas novas tecnologias e métodos de enfoque.

Todas as demandas ligadas aos serviços básicos têm sempre um caráter de urgência. Daí a necessidade de um governo bem preparado e responsável, ser capaz de criar projetos de eficiência comprovada. Falta-nos, entretanto, a visão de estadista necessária para assumirmos tais responsabilidades. Uma destas prioridades, ao longo de décadas e abandonada ao seu próprio destino, é a Educação. Em especial a Educação Básica. No passado nossas escolas públicas escolas públicas foram de tão alta qualidade que eram disputadas igualmente pelas elites e pelas massas. Mas houve um momento de ruptura causado pelo abandono do Estado quando a demanda cresceu. A partir de então a escola publica brasileira entrou em decadência. Tanta incompetência na gestão pública se reflete em todas as atividades nacionais. E o setor da Educação, dos mais importantes para nosso crescimento econômico carece de recursos de toda natureza: faltam bons professores, faltam escolas, falta material pedagógico condizente com as necessidades de um país, que além de possuir dimensões continentais, tem diferenças culturais e socioeconômicas gritantes.

De nada servem medidas governamentais destinadas a ampliar a oferta de vagas nas Universidades para alunos vindos da escola pública. Pois o que impede o acesso à Universidade para a maioria dos alunos da escola pública é a má qualidade do ensino básico. Como conseqüência, quanto mais estudantes com deficiências educacionais vindos da escola pública ou privada, mais decadente será a Educação. Agir assim é nivelar por baixo. Se os estudantes brasileiros tivessem consciência dessa realidade, melhor seria que se reunissem em assembléias no Congresso Nacional exigindo o que de fato é direito deles, uma EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS! .

Série Democracia e Educação I ONU

Thursday, July 26th, 2007

Democracia e Educação

ONU

2004 Regina Caldas

A Organização das Nações Unidas (ONU), nasceu em 26 de junho de 1946, através da Carta das Nações. Sucedeu a Liga das Nações, criada em 1917, pelo Tratado de Versailles. Tem como missão, levar a julgamento perante a Corte Internacional de Justiça (um de seus braços), disputas entre nações, discutir desarmamento, julgar criminosos de guerra e crimes de genocídio, dirimir conflitos territoriais e de direitos humanos, em especial o trabalho escravo, condições de prisioneiros, dentre outros.

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Atualmente é comum que membros da ONU, mediante solicitação, visitem paises acusados de violações de direitos humanos a fim de serem investigados “in loco”. Recentemente tivemos representantes daquela instituição investigando acusações de crimes cometidos pela policia brasileira, contra civis. Deu um grande bafafá, pois a ONU, ignorante da nossa Constituição Federal, que sujeita a policia diretamente ao Poder Executivo, queria jogar injustamente, responsabilidades nas costas do Poder Judiciário. Membros da mesma entidade, também estiveram por aqui, investigando as condições de nossas prisões, e muitas vezes o Brasil tem sido acusado de outras violações como o trabalho escravo, por exemplo.

Além da ONU e suas “visitas”, há na Holanda, uma escola de Direitos Humanos, ligada à faculdade de Direito de Utrecht, onde alguns de seus estudantes preparam suas teses de doutorado fazendo pesquisas nas favelas brasileiras. Parte das denúncias contra o Brasil, provavelmente origina-se dos levantamentos desses researchs. Trabalhando cerca de dois anos com pesquisas de campo, cujas teses às expensas do contribuinte (no caso, holandês), engrossam as resenhas de publicações acadêmicas.

Os pontos citados acima são previstos nas Convenções para proteção dos Direitos Humanos e Liberdades fundamentais, com a concordância dos países signatários, isto é, daqueles que espontaneamente aderiram à ONU, e da mesma forma assinaram ou assinarão suas Convenções.

Um dos artigos mencionados naquelas Convenções refere-se ao direito à Educação, com a indicação formal de que: “em relação ao educando e ao educador, os pais tem o direito garantido pelo Estado, de escolher o sistema educacional que desejam para seus filhos, de acordo com suas convicções religiosas e filosóficas”.Entretanto, no Brasil, ocorre o inverso. O currículo escolar é imposto pelo Estado, com poucas chances de variações e opções, pois as cartilhas usadas nas escolas públicas são criadas pelo Ministério da Educação, e distribuídas ao longo do país. Somente nas escolas privadas há a possibilidade de um currículo mais elaborado que atenda melhor a educação que os pais almejam dar a seus filhos. Porém, desde muito tempo, o sistema educacional brasileiro foi tomado pelas mãos das esquerdas que usam a Educação como oportunidade para doutrinação. E pobre das famílias que contestam tais currículos! Seus filhos acabam perseguidos e discriminados dentro das escolas que freqüentam. As esquerdas militam nas escolas, em nome de uma democracia que não admite contestação! Mas o que não convêm à ONU ela não fiscaliza. Pois o que menos pretende é que a Democracia real prevaleça como regime político nos países periféricos. A ONU, na sua pretensão de governar o mundo, aponta essencialmente as falhas cometidas por governos, quando estas são conectadas à OIT, outro de seus braços, como o trabalho escravo ou infantil. Áreas mais fáceis de serem manipuladas, pois a OIT não passa de uma matriz para sindicatos ao redor do mundo que podem então pressionar de forma mais efetiva seus governos jogando com sua força de trabalho. Educação liberta e abre a mente para a aceitação da Democracia, e os regimes democráticos têm em alto conceito o respeito às soberanias nacionais, algo que, como dissemos acima não interessa à ONU. Pois o que de fato ela quer é liderar um governo mundial.

Ao longo das últimas décadas a qualidade do ensino brasileiro além de tornar difícil o acesso à educação, o que percebemos é uma maioria de brasileiros que se não são de todo analfabetos, mal sabem compreender um texto escrito com mais de um parágrafo. Então é mais ou menos como se retornássemos ao tempo em que o ser humano desconhecia a linguagem escrita comunicando-se através de uma linguagem expressa por sinais e por algumas palavras que balbuciava para expressar suas necessidades mais imediatas de sobrevivência. Exagero de minha parte? Não, não é. Tenho provas concretas de que muitos de nossos conterrâneos não têm a mínima idéia, por exemplo, de que o globo terrestre não seja uma reta só, ou de que de fato o homem já esteve na lua! A falta de consistência informativa nos conteúdos escolares é tão grande, que fora o fato de terem assimilado as injustiças de um mundo capitalista porque assim foram doutrinados e o sentem na própria carne, os jovens criam uma linguagem deles, composta de palavras ou pequenas frases que só eles entendem. Ficam desconectados da realidade porque são educados para permanecer assim, alienados. Tanto os analfabetos quanto os alfabetos funcionais dependem essencialmente das informações advindas dos meios de comunicação. Não resta dúvidas de que com isto se tornam presas fáceis dos doutrinadores de plantão.

Quem reza na cartilha da Democracia aprende a ser leal aos princípios do direito à liberdade de pensamento, e entende que o direito à Educação é o único caminho possível para libertá-lo dos grilhões que lhe são impostos pelos governos.

Quem reza na cartilha da Democracia, sabe que a Educação é o poderoso guardião da liberdade de pensar e agir. A ONU, propagando suas ações em nome da Democracia, através do seu braço (UNESCO), encarregado de incentivar iniciativas educacionais que melhorem a qualidade da alfabetização e de outros conhecimentos indispensáveis ao desenvolvimento e crescimento econômico e social dos povos, deveria voltar sua atenção para esse aspecto da doutrinação que envenena a educação em muitos países. Mas não o faz! Suas ações contradizem os propósitos de sua existência Que Democracia é esta?