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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 20:37:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O véu de lágrimas não cega.
Vejo, a chorar,
O que essa música me entrega-
A mãe que eu tinha, o antigo lar ,
A criança que fui,
O horror do tempo, porque flui,
O horror da vida, porque é só matar!
Vejo e adormeço,
Num torpor em que me esqueço
Que existo inda neste mundo que há&#8230;
Estou vendo minha mãe tocar,
E essas mãos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O véu de lágrimas não cega.</p>
<p>Vejo, a chorar,</p>
<p>O que essa música me entrega-</p>
<p>A mãe que eu tinha, o antigo lar ,</p>
<p>A criança que fui,</p>
<p>O horror do tempo, porque flui,</p>
<p>O horror da vida, porque é só matar!</p>
<p>Vejo e adormeço,</p>
<p>Num torpor em que me esqueço</p>
<p>Que existo inda neste mundo que há&#8230;</p>
<p>Estou vendo minha mãe tocar,</p>
<p>E essas mãos brancas e pequenas,</p>
<p>Cuja carícia nunca mais me afagará-,</p>
<p>Tocam ao piano, cuidadosas e serenas, (Meu Deus!)</p>
<p>Un soir à Lima.</p>
<p>Ah, vejo tudo claro!</p>
<p>Estou outra vez ali,</p>
<p>Afasto do luar externo e raro</p>
<p>Os olhos com que o ví.</p>
<p>Mas quê? Divago e a música acabou&#8230;</p>
<p>Divago como sempre divaguei</p>
<p>Sem ter na alma certeza de quem sou,</p>
<p>Nem verdadeira fé ou firme lei</p>
<p>Divago, crio eternidades minhas</p>
<p>Num ópio de memória e de abandono.</p>
<p>Entronizo fantásticas rainhas</p>
<p>Sem para elas ter o trono.</p>
<p>Sonho porque me banho</p>
<p>No rio irreal da música evocada.</p>
<p>Minha &#8216;alma é uma criança esfarrapada</p>
<p>Que dorme num recanto obscuro.</p>
<p>De meu só tenho,</p>
<p>Na realidade certa e acordada,</p>
<p>Os trapos de minha&#8217;alma abandonada,</p>
<p>E a cabeça que sonha contra o muro.</p>
<p>Mas, mãe, não haverá</p>
<p>Um Deus que me torne tudo vão,</p>
<p>(ou) Um outro mundo em que isso agora está?</p>
<p>Divago ainda: tudo é ilusão</p>
<p>Un soir à Lima</p>
<p>Quebra-te, coração</p>
<p>17-9-1935</p>
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		<title>Algumas Poesias de Fernando Pessoa</title>
		<link>http://reginacs.com/?p=375</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 20:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ABDICAÇÃO
Toma-me, ó Noite Eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho&#8230;.Eu sou um Rei
Que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calams entreguei,
e meu cetro e coroa &#8211; eu os deixei
Na antecãmara, feitos em pedaços,
Minha cota de malha tão inútil,
Minhas esporas dum tinir tão fútil-
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ABDICAÇÃO</p>
<p>Toma-me, ó Noite Eterna, nos teus braços</p>
<p>E chama-me teu filho&#8230;.Eu sou um Rei</p>
<p>Que voluntariamente abandonei</p>
<p>O meu trono de sonhos e cansaços.</p>
<p>Minha espada, pesada a braços lassos,</p>
<p>Em mãos viris e calams entreguei,</p>
<p>e meu cetro e coroa &#8211; eu os deixei</p>
<p>Na antecãmara, feitos em pedaços,</p>
<p>Minha cota de malha tão inútil,</p>
<p>Minhas esporas dum tinir tão fútil-</p>
<p>Deixei-as pela fria escadaria.</p>
<p>Despi a Realeza, corpo e alma,</p>
<p>e regressei à Noite antiga e calma</p>
<p>Como a paisagem ao morrer do dia.</p>
<p>Lisboa, 01/02/1913</p>
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		<title>Comunicado</title>
		<link>http://reginacs.com/?p=342</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 21:28:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Infelizmente cumpre-me informar, que alguem entrou no meu blog, copiou, e a seguir apagou um trabalho de minha autoria &#8221; Algumas Fábulas&#8221;. Por duas vezes passei pelo desprazer de receber dois e-mails com duas das minhas fábulas modificadas e sem autoria, com títulos diferentes. Trata-se de uma desonestidade intelectual lamentàvel. 
Para evitar futuros dissabores, alerto quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Infelizmente cumpre-me informar, que alguem entrou no meu blog, copiou, e a seguir apagou um trabalho de minha autoria &#8221; Algumas Fábulas&#8221;. Por duas vezes passei pelo desprazer de receber dois e-mails com duas das minhas fábulas modificadas e sem autoria, com títulos diferentes. Trata-se de uma desonestidade intelectual lamentàvel. </p>
<p>Para evitar futuros dissabores, alerto quem roubou meu trabalho e o modificou em beneficio próprio, que não repita sua má ação. Tenho em meu computador todos os meus textos. E posso provar por meio de perícia adequada, que todos os trabalhos que constam em meu blog são de minha autoria. </p>
<p>Regina Caldas</p>
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		<title>Art Buchwald</title>
		<link>http://reginacs.com/?p=316</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 20:14:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Romancistas famosos]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[I&#8217;ll Always Have Paris
Regina Caldas
Livro de memórias esquecido em minha biblioteca sem que eu o lesse. Mas nestes dias de carnaval estou com ele em minhas mãos. É muito mais interessante do que imaginava. Em tempos passados li algumas cronicas de Art Buchwald e gostei de seu senso de humor , talvez por isto adquiri [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>I&#8217;ll Always Have Paris</p>
<p>Regina Caldas</p>
<p>Livro de memórias esquecido em minha biblioteca sem que eu o lesse. Mas nestes dias de carnaval estou com ele em minhas mãos. É muito mais interessante do que imaginava. Em tempos passados li algumas cronicas de Art Buchwald e gostei de seu senso de humor , talvez por isto adquiri o livro. </p>
<p>Passei quase uim ano sem retornar à minha atividade de comentar os livros que leio. E li uma infinidade deles. Alguns soberbos, como &#8220;Adeus China&#8221;,  de Li Cunxin sobre o qual comentarei em breve. </p>
<p>Em &#8220;I&#8217;ll always have Paris&#8221;, Buchwald relata suas aventuras como estudante da USC em Paris no pós-guerra (II Guerra Mundial quando ele serviu na Marinha), e como se tornou jornalista conhecido internacionalmente, um jovem do Queens reinventando-se por quarenta anos e convivendo com a nata da elite mundial. Seu senso de humor é excepcional o que transforma suas memórias numa leitura leve onde os fatos são narrados de maneira inesquecivel. Citarei a seguir algumas destas passagens.</p>
<p>Os &#8220;Cafés&#8221; , segundo Art, são o centro da vida parisiense. É nos cafés que circulam os estudantes, artistas, escritores, jornalistas, impostores, senhoras de todas as classes sociais e turistas. É nos cafés que se leem os jornais, se conseguem a preciosa assinatura dos famosos e onde correm as noticias do país e do mundo.</p>
<p>A primeira passagem que me chamou a atenção referiu-se a uma história que lhe contou Robert Redford. Quando Redford estudava em Paris, conheceu dois cantores folcloricos norteamericanos com os quais fez amizade. Eles cantavam no Bar L&#8217;Abbaye e todas as noites Redford estava ali ao lado deles. Mais tarde retornou aos Estados Unidos, tornou-se ator de cinema, e na época em que encenava &#8220;All the President&#8217;s men&#8221;, de passagem por Paris retornou ao L&#8217;Abbaye para rever os amigos. Redford perguntou-lhes se sabiam quem ele era. Um deles respondeu: &#8220;voce é o ator Robert Redford, não reconheceram nele o amigo de antigamente&#8230;.</p>
<p>&#8230;.Garry Davis (filho do lider de uma banda, Meyer Davis), queria iniciar uma campanha em prol de um governo mundial. Decidiu então ser o primeiro cidadão mundial, e para tanto planejou destruir seu passaporte americano em frente ao Palais de Chaillot onde a ONU teria um encontro. Sua ação foi planejada no bar do &#8220;Hôtel des Etats-Unis&#8221;.  Com os amigos planejou os pros e os contra, e foi advertido que a policia francesa poderia prende-lo se não apresentasse provas sobre quem era. Mas era exatamente isto que ele desejava, ser preso para chamar a atenção para seu projeto de um governo mundial. A novidade se espalhou e ele foi chamado a conversar com Eleanor Roosevelt que se encontrava em Paris para o evento na ONU. Ela o advertiu que ficaria muito mal ele destruir seu passaporte norteamericano durante um encontro de líderes internacionais. Ele não recuou, foi ao Palacio de Chaillot e fez seu passaporte em pedaços, sendo preso a seguir por falta de identificação. &#8220;Nasce uma estrela&#8221; comentou Art, pois todos os jornais publicaram o fato com enormes manchetes. Por alguns momentos todos ficaram fixados na idéia de uma cidadania mundial&#8230;.( vale notar, que atualmente a ONU encabeça algo similar, apoiada por algumas fundações).</p>
<p>Certa ocasião, Art estava presente numa recepção oferecido por De Gaulle ao lider russo Nikita Krushov, no Paris Opera House.  Art dirigiu-se até o segundo andar onde as janelas cobertas por cortinas davam para a Place de L&#8217;Opéra. Concentrados na praça estavam 20.000 membros do Partido Comunista Frances. Ele se inclinou no balcão de uma das janelas, e o grupo na praça festejou. Ele acenou a mão e o grupo de 20.000, acenou de volta..Ele repetiu e o grupo enlouqueceu&#8230;de entusiasmo&#8230;</p>
<p>Art sentava-se nos cafés ao invés de assistir às aulas como estava comprometido a faze-lo, e travou amizades com grandes escritores, jornalistas e outras personalidades. Um destes escritores contou-lhe que certa ocasião, ao ser apresentado a Hemingway, que em Paris era carinhosamente chamado de Papa, perguntou: &#8221; O que eu faço para ser um escritor?&#8221; Hemingway respondeu: &#8221; Primeiro voce precisa descongelar o refrigerador.&#8221; Hemingway foi o ídolo de Art, embora quando se conheceram houve um incidente que o fez dismistificar o escritor. Foram apresentados, os joelhos de Art tremiam, mas ele estava preparado para discutir qualquer das obras do escritor. Estavam num bar, Hemingway tomava um drink e após olhar para Art lhe perguntou: -&#8221;Jovem, voce já lutou contra um urso?&#8221;</p>
<p>Herald Tribune: Ao tempo de Art, o sonho de todo jornalista era trabalhar para o Herald Tribune. E ele, ainda totalmente despreparado, inclusive não sabendo quase nada de frances, considerou que pelo fato de já ter trabalhado com o Variety estava habilitado para o HT. Então certo dia apresentou-se no famoso jornal e foi entrevistado pelo diretor administrativo Eric Hawkins. Após ouvi-lo, Eric respondeu: &#8221; O jornal não está interessado em colunistas para entretenimentos, e quando estiver voce não será indicado, e agora vá para o inferno, fora daqui!&#8221; Art não se conformou com a rejeição. Passado alguns dias soube que Eric viajara para o interior da Inglaterra. Apresentou-se ao editor Geoff Parsons e disse: &#8221; O senhor Hawkins e eu conversamos que eu faria a coluna de entretenimentos&#8221; Foi contratado de imediato. Para terminar, relevo este fato pelo significado que teve na vida de Art. Como ele mesmo comenta em seu livro, passou a vida criando histórias sobre si mesmo. Histórias mentirosas, para ele, no contexto em que pretendia realizar sua vida não havia espaço para um garoto criado no Queens. E quando, 41 anos após uma vida bem sucedida em Paris, ele retorna aos USA, sua observação revela o tamanho de suas ambições puramente materiais. Ele afirma que, para ele e Ann, que chegaram em Paris cada um com uma pequena bolsa e um pouco de dinheiro, retornar à pátria levando 15 malas era a prova evidente de que Paris fora generosa com eles. Nada diferente de muitos que medem seu proprio sucesso pelo aumento dos bens materiais que acumulam vida afora. Esquecem que um dia um pouco mais à frente, tudo isto perde a razão de ser.</p>
<p>I&#8221;ll always have Paris: Buchwald, Art-G.P.Putnam&#8217;s Sons NY-1996</p>
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		<title>Minhas poesias (adolescencia)</title>
		<link>http://reginacs.com/?p=313</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Feb 2009 01:40:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Dia azul
 
Surgiu Maio!
Qual branca espuma
Que desponta sobre as ondas do mar&#8230;
O último crepúsculo de Abril,
Morreu triste em meu coração&#8230;
Mas quando na madrugada,
O orvalho beijou as primeiras flores de Maio,
A alegria brincou em meu olhar,
E a manhã virou canção em minha voz.
Surgiu Maio!
Na manhã azul cheia de sol ameno,
Fui passear pelos jardins..
Flores, pássaros e crianças,
Sorriam e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Dia azul</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Surgiu Maio!</p>
<p class="MsoNormal">Qual branca espuma</p>
<p class="MsoNormal">Que desponta sobre as ondas do mar&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">O último crepúsculo de Abril,</p>
<p class="MsoNormal">Morreu triste em meu coração&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Mas quando na madrugada,</p>
<p class="MsoNormal">O orvalho beijou as primeiras flores de Maio,</p>
<p class="MsoNormal">A alegria brincou em meu olhar,</p>
<p class="MsoNormal">E a manhã virou canção em minha voz.</p>
<p class="MsoNormal">Surgiu Maio!</p>
<p class="MsoNormal">Na manhã azul cheia de sol ameno,</p>
<p class="MsoNormal">Fui passear pelos jardins..</p>
<p class="MsoNormal">Flores, pássaros e crianças,</p>
<p class="MsoNormal">Sorriam e saudavam Maio.</p>
<p class="MsoNormal">E para o meu triste coração,</p>
<p class="MsoNormal">Maio trouxe de presente,</p>
<p class="MsoNormal">Um festivo dia azul&#8230;.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Sol nas ruas</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Na manhã azul luminosa,</p>
<p class="MsoNormal">Encontro o sol brincando nas ruas.</p>
<p class="MsoNormal">Seus raios de luz invadem o arvoredo</p>
<p class="MsoNormal">Ciranças que saem aos bandos das escolas</p>
<p class="MsoNormal">Brincam, gritam, gargalham&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">E o sol alegre</p>
<p class="MsoNormal">Baila no sorriso das crianças..</p>
<p class="MsoNormal">Sol!</p>
<p class="MsoNormal">Vem ser alegria em meu olhar!</p>
<p class="MsoNormal">Vira canção em meus lábios,</p>
<p class="MsoNormal">Aquece meu corpo, estou só,</p>
<p class="MsoNormal">Sinto frio..</p>
<p class="MsoNormal">Sol, me faz companhia!</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Minha Alma Peregrina</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Sou a nostalgia..</p>
<p class="MsoNormal">Sou a tristeza que caminha pela Terra</p>
<p class="MsoNormal">E chora baixinho numa tarde de sol..</p>
<p class="MsoNormal">Sou a melancolia,</p>
<p class="MsoNormal">Que procura dentro da alegria,</p>
<p class="MsoNormal">Uma alegria qualquer..</p>
<p class="MsoNormal">Sou o pranto que o riso sufoca,</p>
<p class="MsoNormal">A monotonia,</p>
<p class="MsoNormal">A extinguir qualquer chama de vida..</p>
<p class="MsoNormal">Sou o minuto que passa,</p>
<p class="MsoNormal">Que tranforma em cinzas</p>
<p class="MsoNormal">As brasas da esperança..</p>
<p class="MsoNormal">Sou lembrança,</p>
<p class="MsoNormal">Quero morar no esquecimento.</p>
<p class="MsoNormal">Sou matéria,</p>
<p class="MsoNormal">Quero voltar a ser pó&#8230;.</p>
<p class="MsoNormal">Sou alma peregrina,</p>
<p class="MsoNormal">Que procura a paz do Eterno&#8230;.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Cadeias</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Sou pássaro solitário,</p>
<p class="MsoNormal">Vagando pelos céus..</p>
<p class="MsoNormal">Que angustias carrego dentro de mim!</p>
<p class="MsoNormal">Quisera ser livre das cadeias</p>
<p class="MsoNormal">Que me prendem a este mortal fardo..</p>
<p class="MsoNormal">Vivo em eterna nostalgia,</p>
<p class="MsoNormal">Quisera não ser prisioneira,</p>
<p class="MsoNormal">Deste mísero ídolo de barro&#8230;.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Que pena&#8230;.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Quando criança voce gostava das moedinhas douradas&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Que pena,</p>
<p class="MsoNormal">Voce não gostava nem um pouquinho de mim&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Certa noite,</p>
<p class="MsoNormal">Voce retornou..</p>
<p class="MsoNormal">Então o luar ouviu de nós,</p>
<p class="MsoNormal">O poema das nossas lembranças..</p>
<p class="MsoNormal">Quando criança,</p>
<p class="MsoNormal">Voce embalou meu berço,</p>
<p class="MsoNormal">Era azul a cortina que velava meu sonhos.</p>
<p class="MsoNormal">Voce gostava de brincar comigo,</p>
<p class="MsoNormal">E até de me aborrecer!</p>
<p class="MsoNormal">E para que me deixasse em paz,</p>
<p class="MsoNormal">Alguem lhe dava moedinhas douradas</p>
<p class="MsoNormal">Voce retornou,</p>
<p class="MsoNormal">Veio me dizer adeus..</p>
<p class="MsoNormal">Adeus&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Levarei comigo vida afora,</p>
<p class="MsoNormal">A lembrança do seu olhar azul</p>
<p class="MsoNormal">O azul que velava meus sonhos&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">(Dedicado ao Mima que faleceu em Maio/adeus Mima..)</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Tédio</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Num azul calmo demais,</p>
<p class="MsoNormal">Pairo meu olhar ansioso..</p>
<p class="MsoNormal">Por que tanta paz</p>
<p class="MsoNormal">Se hoje eu quero me perder</p>
<p class="MsoNormal">Em alegrias e risos?</p>
<p class="MsoNormal">Velei a manhã que nasceu vadia</p>
<p class="MsoNormal">E se espreguiçou num horizonte sem sol</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Aguardei que viesse a tarde,</p>
<p class="MsoNormal">Bela, aquecida, feita de alegria</p>
<p class="MsoNormal">Eis porém um dia calmo</p>
<p class="MsoNormal">E aqui fico a olhar a tarde</p>
<p class="MsoNormal">Enquanto me envolve o tédio&#8230;.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>Um dia tu verás</p>
<p class="MsoNormal">(27-07-1964)</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Verás um dia,</p>
<p class="MsoNormal">Quando o sol se por no horizonte,</p>
<p class="MsoNormal">Que árido caminho percorrestes!</p>
<p class="MsoNormal">Saberás um dia,</p>
<p class="MsoNormal">Quando o sol se por no horizonte,</p>
<p class="MsoNormal">Que findou o teu dia de luz&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Tanta luz clareou o teu caminho,</p>
<p class="MsoNormal">Tonta mariposa!</p>
<p class="MsoNormal">Que te esquecestes,</p>
<p class="MsoNormal">Que há sombras neste mundo!</p>
<p class="MsoNormal">Verás um dia,</p>
<p class="MsoNormal">Quando o sol se por no horizonte,</p>
<p class="MsoNormal">Que findou o teu dia de luz.</p>
<p class="MsoNormal">E o teu olhar que hoje se recusa a chorar,</p>
<p class="MsoNormal">Chorará um dia,</p>
<p class="MsoNormal">Sobre o árido chão que percorrestes!</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Enquanto a chuva cai</p>
<p class="MsoNormal">(11-06-1964)</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Mesmo enquanto chora o céu,</p>
<p class="MsoNormal">Os pássaros no arvoredo cantam..</p>
<p class="MsoNormal">Eu que trazia a alma triste</p>
<p class="MsoNormal">E chorava com a tarde,</p>
<p class="MsoNormal">Ao ouvir os pássaros que cantavam,</p>
<p class="MsoNormal">Voltei a sentir dentro de mim,</p>
<p class="MsoNormal">A alegria que nasce da esprança&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">E eu-como os pássaros-</p>
<p class="MsoNormal">Enquanto chora o céu,</p>
<p class="MsoNormal">Antevejo,</p>
<p class="MsoNormal">Além da tarde cinzenta,</p>
<p class="MsoNormal">O sol que voltará a brilhar&#8230;.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="mso-spacerun: yes;">                                                                                                                                                                                                                               </span><span style="mso-spacerun: yes;">                                                                                                                                                                                                                                                                </span><span style="mso-spacerun: yes;">                                                                                                                                                                                                                                                                </span><span style="mso-spacerun: yes;">                                                                                                                                                                                                                                                                </span><span style="mso-spacerun: yes;">                                                                                                                        </span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span style="mso-spacerun: yes;">                                                                                                                                      </span><span style="mso-spacerun: yes;">   </span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
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		<title>KNB</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2009 21:33:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bibliotecas]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Den Haag, 2 mei 2008
ons kenmerk                  1919200703040/mr R.Wisse
betreft                            afwikkeling nalatenschap
geachte mevrouw CS Caldas
Uw brief zonder datum mocht de KNB op 29 april 2008 ontvangen. &#124;U geeft in deze brief reactie op de brief van [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Den Haag, 2 mei 2008</p>
<p>ons kenmerk                  1919200703040/mr R.Wisse</p>
<p>betreft                            afwikkeling nalatenschap</p>
<p>geachte mevrouw CS Caldas</p>
<p>Uw brief zonder datum mocht de KNB op 29 april 2008 ontvangen. |U geeft in deze brief reactie op de brief van notaris mr A.J.M. van Velzer en stelt drie aanvullende vragen.</p>
<p>Al eerder is dat u vragen met betrekking tot de nalatenschap van Ir J M van Swaay rechtstreeks aan de notaris kunt stellen. De tussenkomst van KNB is slechts bedoeld om het contact tussen u en de notaris weer zodanig te herstellen dat dat mogelijk is.</p>
<p>Nu de notaris tot nu toe uw vragen heeft beantwoord, zal ik uw brief doorsturen aan notaris mr AJM van Velzen van Buren van Velzen Guelen Netwerk notarissen te Den Haag met het verzoek om uw vragen rechtstreeks te beantwoorden. Ik heb verzocht KNB een kopie van deze reactie te sturen ten behoeve van het dossier.</p>
<p>Ik wijs u er nogmaals op dar de tussenkomst door KNB slecths een informele bemiddelingsprocedure is.</p>
<p>Hoogachtend,</p>
<p>mr M W E van Esch</p>
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		<title>Percepção Politica</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 02:24:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[PERCEPÇÃO POLÍTICA
O exemplo de Brunetto Latini
 
Regina Caldas
2004
 
 
 
        A vida de Brunetto Latini ( 1220-1294), coincide com um dos períodos mais agitados da história política florentina . Tendo recebido formação para se tornar notário, Brunetto foi treinado para escrever em latim nas mais variadas formas de contratos e na redação de atos e documentos governamentais. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">PERCEPÇÃO POLÍTICA</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">O exemplo de Brunetto Latini</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Regina Caldas</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">2004</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">        A vida de Brunetto Latini ( 1220-1294), coincide com um dos períodos mais agitados da história política florentina . Tendo recebido formação para se tornar notário, Brunetto foi treinado para escrever em latim nas mais variadas formas de contratos e na redação de atos e documentos governamentais. Como praticante de notário, atestou mortes, atos de ultima vontade, acordos de negócios particulares e do estado, entre Florença e outras cidades. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">         Brunetto Latini foi uma proeminente figura da vida pública florentina. Ocupou vários cargos de confiança como chefe de chancelaria, conselheiro e por duas vezes, embaixador. Foi também escritor, e seus livros são relatórios baseados em experiências adquiridas na vida pública. Foi na França, durante um curto período de exílio, como Dante e Machiavelli, que escreveu seus melhores livros: “Li Livres dou Tresor” (no estilo das enciclopédias medievais), o inacabado “Il Tesoretto”, um trabalho alegórico e didático em versos, e “Rettorica”, um comentário do livro de Cícero, “De inventione”. Seus escritos revelam a sua maior paixão na vida pública: a palavra e seu efeito na vida comunitária. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">           Aos olhos de Brunetto, a vida urbana significava a verdadeira forma de sociedade civilizada. Exagerando uma visão de Cícero, ele considerava a retórica, a suprema ciência de governar uma cidade. A arte de falar sem a qual a cidade não existia, pois faltariam justiça e solidariedade. Para ele a civilização originava-se na palavra, unindo os homens e levando-os a viverem juntos em algum lugar e debaixo de leis.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">            Li Livres dou Tresor, foi a primeira enciclopédia a ser escrita para ensinar as leis, e dirigida aos burgueses. Entretanto isto também trata de teologia, ciências naturais e história, mas os temas centrais são a ética, retórica e governo urbano. Seus mentores intelectuais foram Aristóteles e Cícero. O primeiro ajudou o autor a perceber as conexões entre ética, vida comunitária e política, enquanto com o segundo aprendeu a importância da retórica. Mas ele  foi além de endossar  seus inspiradores revelando uma extrema preocupação com os problemas políticos e morais dos espaços urbanos. Discutiu a dinâmica dos negócios e do dinheiro, a civilidade, a usura, o serviço comunitário, os departamentos de estado, a autoridade política e a justiça civil. A parte mais importante do Tresor aparece no livro III. Aqui ele trata da retórica e da “boa fala”, e se envolve com as cidades italianas e seus regimes comunais durante o período central do século XIII , discutindo as funções do “podestà”. Seus escritos nos oferecem uma percepção do homem como indivíduo e também uma visão acurada dos problemas de seu tempo. Ele aborda a natureza e origem dos governos, a ligação ideal entre o “podestà” e a comunidade, incluindo eleições e qualidades requeridas num bom governante. Trata também de todas as formalidades necessárias à chegada de um novo governante, a relação com o seu staff, reuniões com os conselhos comunitários, indicação de embaixadores, administração da justiça, suas responsabilidades sobre os direitos e propriedades dos cidadãos, preparo de seu sucessor, e tudo o que deve executar antes de deixar o governo. O livro é dirigido ao “podestà” e aos cidadãos. É um tratado prático e preciso, que além de ensinar as solenidades do cargo, também fala de justiça, imparcialidade, vontade divina e os benefícios da paz. ´</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">               Uma preocupação de Brunetto a respeito das eleições para o cargo de governar uma cidade, referia-se a seleção dos candidatos, quase sempre de origem nobre. Ele recomendava aos cidadãos que, ao fazerem suas escolhas considerassem acima de tudo a nobreza do coração, uma vida de costumes honrados,  seu trabalho e seu lar. Para tanto ele concluía: “Muitas pessoas não consideram os hábitos do candidato, mas sim o poder que ele comanda para a sua linhagem ou para os seus desejos. Eles estão, entretanto enganados, pois o ódio e a guerra têm se multiplicado entre nós, sendo isto o sinônimo de uma divisão entre os burgueses. E os cidadãos que amam uma facção odeiam as outras. Tiranos como Ezzelino da Romano, Torriani e outros, desfilavam aos olhos de Brunetto como resultado da tendência popular de eleger candidatos na base do seu poder, de suas ambições ou sua popularidade. Para ele, o poder deveria ser partilhado entre a experiência, os bem sucedidos e as eminências. Nas sociedades fortemente marcadas pelo status, deferências e  intelectualidade, a tendência é  que as altas classes tornem-se elitistas e cuidem apenas de proteger seus próprios interesses. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">                  Outra preocupação do notário, relativa ao governo, era de que os governantes deveriam manter afastadas suas relações de amizade enquanto ocupassem cargos de poder, já que isto diminuiria a dignidade do cargo, levantava suspeitas e estimulava a discórdia civil. A implicação era de que o “podestà” poderia ser tentado a ajudar os amigos violando as leis. Um podestà jamais deveria vender justiça ou receber presentes, afirmava ele.. E concluia que sendo a comunidade sempre dividida pelos interesses dos vários grupos sociais, a melhor maneira de se impor barreiras à corrupção e às dissidias seria obedecer a lei e temer a Deus. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">                    O código de Brunetto, a ser seguido pelo bom governante determinava:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Não aceite um segundo termo;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Não faça amigos enquanto estiver governando;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Não mantenha contactos pessoais;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Não adquira débitos com pessoa alguma;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Não se permita ser louvado pelo conselho;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Esteja acima das partes e facções;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Sempre consulte os cidadãos mais capazes;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Favoreça a opinião e o conselho da maioria;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Obedeça estritamente a lei em todas as circunstancias;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">Não aumente as taxas e impostos deixando a população endividada, salvo por manifesto benefício à cidade e pela aprovação do conselho. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">                   Como fica muito claro na concepção do notário, justiça não soluciona todos os problemas existentes dentro de uma comunidade, pois as pessoas diferem umas das outras e assim sempre será. O homem sempre tem uma concepção arbitrária ao reclamar para si os bens terrenos. Mas, estando a justiça no meio deles torna-se possível a convivência social.  </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">               </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">                     Em vários aspectos de seus escritos, Brunetto manifestou pensamentos e atitudes que retrataram a percepção local própria do século XIII. Porém, quando fala de política e sociedade, seus pensamentos são extraídos de um forte apego à cidade tendo-a como um fim em si mesma. E, numa época em que todo ato de governo era considerado fruto da vontade divina, sua visão política vai além de seu tempo. A noção medieval de que todo poder político provinha de Deus não era uma abstração. Continuamente, nas falas públicas o homem era conduzido a aceitar plenamente a vontade divina em seu destino. A doutrina era enunciada sob o juramento de que reis e governantes reconheciam a origem divina de sua autoridade. As conseqüências eram de ordem prática. Se toda a atividade política  origina-se de uma concepção religiosa e sujeita à uma ordem de valores eternos, quem governava estava imbuído de um poder superior incontestável para criar as leis, julgar, administrar  e decidir os destinos da cidade e de seus cidadãos, conduzi-los à guerra ou à paz. E as conseqüências para os cidadãos eram claras, os heréticos eram condenados à morte. Foi Brunetto Latini que, durante o tempo em que esteve exilado na França, primeiro manifestou sua compreensão da necessidade de separar a gestão do Estado de suas origens de cunho espiritual tornando-o secular. Mas, para que a semente de seu pensamento se espalhasse e provocasse mudanças para governos seculares levou tempo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;">                </span></p>
<p class="MsoNormal" style="mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="color: black;"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Katherine Mansfield</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 02:22:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Katherine Mansfield
Regina Caldas
 
 
Escritora neo-zelandesa, nascida em 1888, especializou-se em pequenos contos e poemas. Tornou-se notável pela sua delicadeza poética, psicologia e sensibilidade principalmente ao tratar de mulheres e crianças. Grande admiradora de Chekhov. Foi educada no Queen&#8217;s College em Londres. Retornou á terra natal para estudar música durante dois anos. Voltando à Londres casou-se mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Katherine Mansfield</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Regina Caldas</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;"> </span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;"> </span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Escritora neo-zelandesa, nascida em 1888, especializou-se em pequenos contos e poemas. Tornou-se notável pela sua delicadeza poética, psicologia e sensibilidade principalmente ao tratar de mulheres e crianças. Grande admiradora de Chekhov. Foi educada no Queen&#8217;s College em Londres. Retornou á terra natal para estudar música durante dois anos. Voltando à Londres casou-se mas abandonou seu marido alguns dias depois. Esteve a seguir na Bavária para dar à luz um nati-morto, filho do irmão gêmeo de um seu colega estudante de música pelo qual se apaixonara. A experiencia serviu de background à primeira parte de sua obra.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Muito da curta vida de Mansfield foi gasta com relações lésbicas infelizes. Impulsivamente casou-se com um músico que abandonou na noite de núpcias. Em 1918, casou-se com John Murry quando já estava tuberculosa e fazia inúmeras internações em sanatórios franceses e alemães. Colaborou com seu marido para escrever um trabalho sobre criticismo e editá-lo no Little Magazines e no Athenaeum. Faleceu em 1923, aos trinta e cinco anos.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">A obra de Katherine Mansfield é daquelas que permanecem à cabeceira de nossa cama para ser relida muitas vezes. É com muita leveza que ela nos conduz aos recônditos da mente humana. Não foi sem razão que despertou o ciúme de Virginia Woolf. Esta última, embora seja também autora de belos contos, não lida com as palavras com a mesma clareza e facilidade que percebemos em Mansfield.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Breve exposição da obra de K. Mansfield:</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Sua primeira coleção de contos: &#8220;In a German Pension&#8221; foi escrita na Alemanha, em 1911, muitos dos quais foram publicados antes em &#8220;Orage&#8217;s New Age&#8221;. Foi nesta época que conheceu Murry com quem se casou em 1918. Em 1916, ela e Murry fundaram um magazine &#8220;Signature&#8221; que resistiu apenas a 3 edições. &#8220;Prelude&#8221; foi publicado pelo Hogarth Press, e mais tarde fez parte da coleção &#8221; Bliss, and other stories&#8221; . </span><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black; mso-ansi-language: EN-US;" lang="EN-US">&#8220;The Garden Party, and other stories&#8221; foi sua última coleção. </span><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Duas coleções foram publicadas após sua morte: &#8220;The Dove&#8217;s Nest&#8221; e &#8220;Something Childish&#8221;, além de cartas e extratos de seu jornal.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Uma excelente coletânea de alguns de seus contos foi recentemente publicada em 2005 pela COSAC </span></p>
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		<title>Justiça segundo Platão</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 02:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[JUSTIÇA, SEGUNDO PLATÃO
Regina Caldas
2004
Platão legou-nos a primeira idéia do conceito de Justiça , ao narrar-nos em dois dos seus diálogos, República e Gorgias, as disputas entre Sócrates e Thrasymachus, e entre Sócrates e Callicles. O tema é universal, e através dos séculos tem sido discutido entre os grandes autores. Trata-se do conflito entre o poder [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">JUSTIÇA, SEGUNDO PLATÃO</p>
<p class="MsoNormal">Regina Caldas</p>
<p class="MsoNormal">2004</p>
<p class="MsoNormal">Platão legou-nos a primeira idéia do conceito de Justiça , ao narrar-nos em dois dos seus diálogos, República e Gorgias, as disputas entre Sócrates e Thrasymachus, e entre Sócrates e Callicles. O tema é universal, e através dos séculos tem sido discutido entre os grandes autores. Trata-se do conflito entre o poder e o que é correto, entre aqueles que acreditam que quem tem o poder age corretamente e que a justiça é mero expediente que serve para validar o poder do indivíduo e dos estados. Há também aqueles que afirmam que justiça não pode ser mensurada pela sua utilidade.</p>
<p class="MsoNormal">Sobre o tema encontramos em Platão, um episódio da guerra do Peloponeso, narrado pelo historiador Tucidides, reconstruindo um diálogo entre enviados atenienses e os representantes de Melos, uma pequena ilha pertencente a Esparta, que não queria se submeter aos seus invasores, os atenienses. Reconhecendo a superioridade de Atenas, os habitantes de Melos dirigem-se à reunião com um sentimento de inutilidade, pois, conforme acreditavam, se insistissem nos seus direitos e se recusassem a submissão, nada lhes restaria além da guerra e subseqüente escravidão. Quanto aos atenienses, aproximam-se informando que não estavam dispostos a perder muito tempo com aquela discussão, pois tinham um direito sobre eles, ou seja, estariam atacando a ilha por algum mal que os melienses lhes tinham causado. Por que falar tanto sobre coisas que não acreditamos? Perguntam os atenienses. Vamos direto ao ponto: vocês sabem tão bem quanto nós como o mundo funciona, trata-se apenas de uma questão entre poderes. De resto, o mais forte age conforme a sua vontade, e o mais fraco sofre o que lhe é imposto. A isto os melienses respondem: “vocês estão diante de nós falando de justiça e querem nos obrigar a obedecer a seus interesses”, querendo advertir que aquela política terminaria em desastre para os atenienses.</p>
<p class="MsoNormal">A história dos melienses induz Thrasymachus (A República), a concluir que “justiça não é nada além do interesse do mais forte”. Os governos criam leis democráticas, monárquicas ou ditatoriais com os olhos pregados em seus interesses. E estas leis que são feitas por eles tornam-se a justiça, e quem as transgride é punido e considerado injusto. E como se supõe que ser governo é ter o poder nas mãos, a conclusão é que onde quer que haja poder, qualquer principio de justiça reflete o interesse do mais forte. Da tese surgem algumas implicações: para o mais forte, outorga-se-lhe o direito como prerrogativa que fundamenta a justiça aplicada por ele, portanto suas demandas não podem ser consideradas injustas. Mas eles podem falhar na imposição de suas leis quando aqueles que se sentem prejudicados fazem suas objeções.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="outlookmessageheader"> </p>
<div class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="mso-ansi-language: EN-US;" lang="EN-US"></p>
<hr size="2" /></span></div>
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		<title>Dead in Venice</title>
		<link>http://reginacs.com/?p=280</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 02:16:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Dead in Venice: Thomas Mann:
Aschenbeck é um famoso escritor, divorciado, alemão residente em Munique que comumente passa suas férias de verão nas montanhas onde tem casa. Mas desta vez decide viajar para fora do país e escolhe Veneza para onde parte. Sente-se feliz e sonhador enquanto um gondoleiro o conduz através do canal até o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black; mso-ansi-language: EN-US;" lang="EN-US">Dead in </span><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black; mso-ansi-language: EN-US;" lang="EN-US">Venice</span><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black; mso-ansi-language: EN-US;" lang="EN-US">: Thomas Mann:</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Aschenbeck é um famoso escritor, divorciado, alemão residente em Munique que comumente passa suas férias de verão nas montanhas onde tem casa. Mas desta vez decide viajar para fora do país e escolhe Veneza para onde parte. Sente-se feliz e sonhador enquanto um gondoleiro o conduz através do canal até o hotel onde se hospeda.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Durante o jantar distrai-se com uma familia polonesa: duas filhas jovens, um rapaz de uns 17 anos (Tadzio), a dama de companhia e a mãe, uma dama de aspecto nobre cujo colo está ornado com um colar de pérolas do tamanho de cerejas. Aschenbeck, desde este primeiro momento sente-se atraido pelo jovem. Compara-o ao deus Apolo.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Mas constrange-se com tais pensamentos e se incrimina, tenta confundir uma paixão nascente com admiração pelo que é belo. Reflete que seu sentimento por Tadzio é semelhante a admiração que sentimos diante da luz refletida nas ondas marinhas, o sol se pondo, ou às estátuas gregas talhadas no mais puro mármore. Entrementes ele faz todas as tentativas de ver Tadzio. Na praia, no restaurante, na cidade. E enquanto tece todas as formas de justificativas para seus sentimentos, não se dá conta de que já está ultrapassando os sinais do bom senso. Temendo os impulsos da paixão, Aschenbeck decide viajar para outra praia. Paga suas contas no hotel e segue até a estação. Mas o destino lhe prepara uma armadilha. Sua bagagem não foi levada consigo e não chega ao destino. Sem a bagagem ele retorna ao hotel em Veneza. Dois dias depois a bagagem é reencontrada, mas ele não vai embora.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Aschenbeck está na praça São Marcos e vê tabuletas com alertas para que todos os que estão na cidade evitem o consumo de frutos do mar encapsulados (ostras, musles, etc), que poderiam causar infecção intestinal dado o excesso de calor. Ao mesmo tempo, a brisa traz um odor fétido, preocupado Aschenbeck vai até uma das lojas da cidade para descobrir que cheiro é aquele. Parece-lhe desinfetante. O lojista lhe responde que é o siroco. O escritor insiste dizendo que além do cheiro ruim há tabuletas na praça alertando os turistas para que evitem o consumo de certos alimentos. &#8220;-apenas precauções do prefeito, signore&#8221; Um tanto desconfiado, quando retorna ao hotel, Aschenbeck procura alguma notícia nos jornais, não há nada. Só pelo jornal alemão ele fica informado sobre algum problema intestinal que ocorre em Veneza.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Certo dia o escritor retorna á cidade e vê Tadzio e sua familia se divertindo numa praça. Começa a segui-los furtivamente. E quando eles tomam a gôndola para um passeio, Aschenbeck faz o mesmo, pedindo ao gondoleiro que siga à certa distãncia a gôndola dos poloneses. Durante o passeio sofre conflitos de consciencia, pois seus sentimentos por Tadzio o perturbam e estão fora de controle.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Em outra ocasião, quando se retira para o quarto após o jantar, desvia-se em direção ao segundo andar onde se situa o quarto de Tadzio. Aschenbeck reclina a cabeça na porta e vive a fantasia de que está ternamente recostado junto ao peito do amado. Desperta do sonho horrorizado e foge para seu quarto. Senta-se da forma habitual na poltrona que está em frente a janela e dá vista para o mar. Pensa na paixão avassaladora pelo jovem que o leva a praticar atos temerários que poderiam até despertar a atenção de outros, da familia do rapaz e abalar sua reputação.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Certa tarde apresenta-se no hotel um conjunto musical da região. São cancioneiros italianos. Os hóspedes estão espalhados pelo terraço e jardins. Aschenbeck vê Tadzio reclinado sobre o parapeito do terraço. Seu olhar apaixonado desliza sensualmente pelo corpo do rapaz, observa seus gestos, seu perfil, faz conjeturas, alimenta esperanças. Mas aquele cheiro insuportavel de desinfetante chega até suas narinas. Vai à recepção do hotel e pede os jornais. Nenhuma noticia. E não encontra mais os jornais alemães&#8230;.Retira-se para a cidade à procura de noticias. Num jornal alemão lê que a peste (la plague) está fazendo vítimas em Veneza. Muitos já morreram na região portuária. No dia seguinte Aschenbeck vai à cidade disposto a saber a verdade. Entra numa loja de passagens e questiona o lojista ingles que a principio nega que haja alguma epidemia na cidade. Mas ao perceber o olhar inquiridor de Aschenbeck pousado sobre seu rosto revela tudo. La Plague já fez centenas de vítimas, mas todas residentes na região do porto. O escritor se retira da loja, entra numa quitanda, compra algumas frutas e as consume alí por perto. Retorna ao hotel, procura a mãe de Tadzio e conta o que está acontecendo.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">O romance termina com Aschenbeck vendo Tadzio pela última vez. O jovem brinca na praia e na brincadeira é agredido por um amigo, cambaleia e corre para o mar onde brinca com seus braços de encontro às ondas, e a seguir olha para trás. Seu olhar encontra o ávido olhar de Aschenbeck, enquanto este em meio a delirios de amor sente-se mal e morre. E o mundo fica informado do falecimento de um grande escritor.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Thomas Mann teve desde a juventude tendências homosexuais. Fica visível na maioria de seus livros, que sofreu conflitos íntimos por conta disto. Extravasa sua homosexualidade em seus belos livros. Death in Venice, tanto no filme quanto na maioria dos estudos sobre o livro, as análises se voltam para os conflitos intimos de um homosexual. Cada um vê e interpreta os fatos no caminho que mais o atrai. De minha parte reporto-me à explicação que o lojista ingles dá à Aschenbeck sobre o silencio das autoridades. O medo das perdas economicas sendo mais importante que preservar vidas humanas expostas a doenças e calamidades. É assim que funciona o mundo. Prevalecem os interesses de governo ou de individuos que tenham poder para tanto. O poder determina o que ou quem será sacrificado. Vale a lição, pois quantos confiam na Justiça, nas Instituições nacionais ou internacionais, considerando-as baluartes que protegem o direito à Vida, à Paz, e ao progresso, pregando a igualdade entre todos?</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Tonio Kröger:</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Aponta alguns traços biográficos da infância e juventude de Thomas Mann. A origem de sua mãe (brasileira) considerada suficientemente exótica para influir de maneira negativa na formação do filho, e suas tendências homosexuais manifestadas na adolescencia.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Tonio enquanto adolescente nutre amor por um jovem amigo, Hans, ao lado de quem faz caminhadas todos os dias após as aulas. Nestes momentos entabulam diálogos que quase sempre terminam em conflitos íntimos para Tonio. Seu amado não aprecia literatura como ele. Seu amado tem um olhar frio e distante. Não corresponde ao seu amor? Aprenderá algum dia a valorizar a literatura? Em paralelo ao seu interesse por Hans, Tonio fixa-se em Inge, uma vizinha também adolescente de olhos azuis límpidos e cheios de doçura.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">A juventude local constuma tomar aulas de dança de salão. Entretenimento que Tonio detesta, algo impossível de distrair a atenção de quem gasta seu tempo estudando literatura, pois deseja se tornar escritor. Ainda assim para se aproximar de Inge, ele vai ao clube onde chegou um novo professor contratado na França que ensinará os jovens a dançar quadrilha. Tonio é um dos aprendizes. mas quando chega a sua vez de dançar como parceiro de Inge, as emoções o levam a errar os passos e a provocar um pequeno acidente. Humilhado foge do salão. Fica no corredor, infeliz, frustrado enquanto olha pela vidraça da janela. Seu olhar vaga pelos jardins lá fora, pelo azul do infinito e sua mente divaga no desejo de que que num certo momento Inge se aproxime dele, toque seus ombros ternamente e o convide para retornar ao salão. &#8221; Não aconteceu nada meu amor, volte para o salão e dance comigo. Eu o amo&#8221; E ele, mergulhado no azul do olhar amado sentirá a força deste amor que o conduzirá pelos caminhos que não deseja trilhar como retornar ao salão e simplesmente dançar. Mas ela não vem, pois não é assim que funciona o mundo conclui Tonio. Ele carregará vida afora a frustração deste sonho irreal.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Após a perda dos pais Tonio vai embora da cidade. Torna-se escritor conhecido, viaja, tem amigos. Um dia sente vontade de partir definitivamente em direção à Dinamarca. Visita a amiga pintora, Lisabeta Ivanovna, com quem mantém a maioria de seus diálogos, para lhe contar que irá embora, viverá na Dinamarca enquanto lhe der prazer. Os amigos mantém diálogos sobre temas recorrentes para Tonio, literatura. O que são os escritores? Guias da humanidade? Expõe seus sentimentos sobre o amor e sobre a arte de escrever, suas frustrações e se despede da amiga com a promessa de lhe dar notícias.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Rumo à Dinamarca Tonio interrompe a viagem para retornar à terra natal. Na tarde chuvosa retorna às ruas do passado, suas caminhadas ao lado de Hans, revê os monumentos da cidade, e tomado de imensa nostalgia, na manhã seguinte visita a casa onde nasceu. Aquela casa onde passou infancia e adolescencia foi transformada em Biblioteca Pública. Sem se revelar, Tonio faz um giro pela casa, toma e acaricia livros, mantém conversas formais com os funcionários. É um turista a mais que passa pela cidade. Segue para Copenhague, viaja pela costa sueca e finalmente aporta na pequena cidade à beira-mar, Aalsgaard, onde pretende viver por tempo indeterminado. Gosta do ambiente, relaciona-se com um homem do mar. No dia seguinte há um grande baile promovido por solicitação de um bando de turistas que chegou no hotel. À noite acomodado numa poltrona, num cantinho com pouca iluminação de onde pode apreciar o salão de baile´e ouvir a música sem chamar a atençao, retorna ao passado. O destino lhe prega uma peça. Não longe dele estáo Hans Hansen e Ingeborg, a loira Inge cujos olhos azuis o levaram a sonhar com o amor que jámais esqueceu. Recorda Hans, seus sentimentos pelo amigo, aquele com quem dividiu seus confusos sentimentos de quem apenas se alimenta com os desejos de se enamorar, sonhos apenas sonhos de poeta. Relembra o salão de baile de sua terra natal onde os jovens tomavam aulas de dança com um dançarino francês, relembra a proximidade de Inge e o perfume de seus cabelos que o inebriava enquanto dançavam a quadrilha, e a sua incapacidade de fixar atenção nos passos da dança que o reconduz à janela em cuja vidraça agora embaçada pelo arfar de sua respiração ansiosa lhe traz de volta aqueles pensamentos confusos que procuram justificativas para as ações de um ser que se julga diferente porque ama as letras e então deve viver ausente da convivência social. Pois as pessoas não entendem os escritores! aqueles seres especiais que sabem lidar com as palavras, que sabem expressar os sentimentos ocultos nos corações humanos..mas afinal, para que servem as palavras? Não encontra respostas, retira-se do salão tentando encontrá-las na carta que escreverá à amiga Lisabeta. Já no quarto, diante da escrivaninha, papel e caneta na mão desperta da visão de Hans e Inge juntos, e escreve sua primeira carta à pintora. E lhe afirma: &#8221; Eu venho aqui e vejo a mesma coisa, os mesmos conflitos e contradições no ar. É extraordinário que se você é tomado por uma idéia , você a encontrará expressada em qualquer lugar. e sempre a sentirá&#8230;&#8221;</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">&#8220;Mario e o mágico&#8221;</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Thomas Mann.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Neste conto, o autor relata as experiencias de uma familia alemã que passa férias numa praia italiana, Torre. Descreve o ambiente sob o forte calor do verão, seus frequentadores, seus hotéis, e tem uma visão cômica do comportamento dos italianos com seus gestos exagerados, seu patriotismo que resulta muitas vezes em situações constrangedoras para estes hóspedes, como o caso criado pelo vestuário, usado pela filhinha de quatro anos na praia. A criança veste apenas a parte de baixo de um maillot. Mas se cobre com um roupão. Quando quer se banhar no mar, o pai recomenda que só tire o roupão ao entrar na água. É o que a criança faz. Mas isto bastou para que um senhor se aproximasse do pai da menina para informá-lo que a criança ferira &#8220;il honore della nostra Italia&#8221;, a seguir chama a policia e comunica o fato. A familia é conduzida à delegacia e deve pagar a multa de 50 liras antes de serem liberados.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">A cena principal do conto se passa num salão da cidade onde um mágico se apresenta. Il signore Cipolla. Dai em diante a narração reflete os pensamentos desenrolados na imaginação do visitante alemão, que relata nos mínimos detalhes os gestos, falas e mágicas do prestidigitador. Descreve as provocações da platéia em especial de um jovem romano, a fascinação que o público sente pelos trabalhos desenvolvidos no palco por um mágico que não para de fumar, tomar cognac e falar &#8220;tutto in honore della patria mia, la bella Itália&#8221;. O público está hipnotizado. Na cena final, Cipolla convoca Mário para o palco. Mario, o garçon gentil que serve os filhinhos do casal de alemão. Mário o puro, o amigo, está sendo humilhado pelo mágico com perguntas sobre a decepção amorosa que o jovem sofre perchè uma bella ragazza rejeita seu amor. O mágico induz o rapaz a expor o fundo de seus sentimentos, a afirmar o que não sente, e o seduz como se o hipnotizasse trazendo-o junto a si, e a beijá-lo como se estivesse beijando a jovem amada. O público está paralizado diante da ousadia. Ouve-se um estampido de revolver. A seguir o corpo de Cipolla tomba ao chão. Mário matou o mágico.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Os contos acima, além de outros cinco, formam uma coletânea de alguns escritos de Thomas Mann, publicados pela Random House pela primeira vez em 1954.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">É admirável a forma como Mann (1875-1955- de origem alemã, ensaista e novelista), se expressa. Suas histórias se passam entre poucos ambientes, e o narrador centraliza a importância dos fatos na subjetividade de seus pensamentos. São pensamentos que refletem um Thomas Mann que talvez jámais tenha digerido sua própria história de vida. Pois a base onde o autor tenta juntar os cacos espalhados pela sua mente é quase sempre a mesma: praias ensolaradas da costa italiana, sua natureza bi-sexual, a mãe brasileira que é música. Sua origem deve te-lo incomodado muito.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Thomas Mann ganhou o peremio Nobel de Literatura em 1929, por suas narrativas que abordam a psicologia do temperamento dos artistas, sua crítica social, a forma como retratou a mitologia grega, alemã e hebreia. Existência e espírito formam a dualidade de seus romances. Recebeu influências de Shoppenhauer, Wagner, Nietzsche, além dos poetas romanticos alemães.</span></p>
<p><span style="font-size: 7.5pt; font-family: Verdana; color: black;">Mann não desenvolve interesses em entender a existência sob o ponto de vista político. Só com a ascenção do nazismo e fascismo ele desperta para uma visão política de cunho liberal exposta em suas obras após 1942: &#8220;Apêlo à Razão&#8221; e contos como Mário e o Mágico. Após 1933, Hitler assumindo o poder obriga Mann ao exílio. Em 1939 vai para os Estados Unidos, e em 1944, adota a cidadania daquele país. Seu romance pós II guerra, &#8220; </span></p>
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