Archive for August, 2007

Desemprego é problema local

Thursday, August 30th, 2007

Na 96a Conferência Internacional do Trabalho, em Genève, os 4.000 delegados vindos de todas as partes da Terra, discutiram as mudanças no mercado de trabalho, e chegaram a algumas conclusões inéditas. 

Num balanço feito por aqueles delegados, a conclusão mais interessante é aquela que alivia os efeitos da globalização no mercado mundial de trabalho. 

O comércio internacional não para de progredir, o PIB mundial dobrou desde a década de 60. Entretanto, os países em desenvolvimento não asseguraram as mudanças para os subdesenvolvidos no comércio internacional. Assim, a metade da mão-de-obra mundial ocupada no campo, na agricultura de subsistência ou no mercado informal dos países sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, não usufrui os ganhos mundiais conquistados na atualidade. Trata-se de um tremendo contraste num mundo que jamais produziu tanta riqueza e tanta expansão de crescimento como agora, enquanto aqueles continuam sobrevivendo com uma média de dois dólares ao dia. 

A difusão sem precedentes dos investimentos diretos estrangeiros na maioria dos países, não tem influenciado de forma decisiva os mercados de trabalho. As estatísticas revelam que as multinacionais não registraram um crescimento rápido depois da década de 70. Segundo a OIT, seus efetivos passaram de 40  para 70 milhões, até o ano 2000. Em 2004, a OIT apresentou dados que informam, que nos países em desenvolvimento, uma média de 565.000 homens e mulheres trabalham direto no fornecimento de serviços para os países desenvolvidos. Presumem que este número deverá dobrar até 2008, diminuindo assim os movimentos migratórios em busca de empregos nos países ricos. 

David Arkless, membro executivo da Manpower, US, no último encontro em Davos, afirmou que deixou de lamentar o deslocamento e a fuga de mão-de-obra, pois comparados com os ganhos de produtividade seus números são pequenos. Os ganhos de produtividade destroem muito mais empregos, ele afirma. 

 A industrialização na China e na Índia criou muitos novos postos de trabalho, podendo assim absorver sua mão-de-obra campesina excedente. Ao mesmo tempo, a economia mundial é confrontada com uma reconversão massiva de suas populações. Sobre um pouco mais de três bilhões de empregos no mundo, 84% nos países em desenvolvimento, 40% ainda trabalha na agricultura, 39% em serviços e apenas 21 % na indústria. Ou seja, não são as fábricas altamente automatizadas e de alta-tecnologia, seja em Shangai como em Lyon ou Bratislavia, que ocuparão todos estes ativos. 

O diretor da OIT, Juan Samovia, coloca o ponto nos is: “- a globalização constitui um recurso de grande eficácia econômica, mas não resolve os problemas sociais. Na China,  na União Européia ou em qualquer outra localidade, a criação do emprego exige uma visão local, e ela convida a investir além das lutas políticas”. 

As conclusões tiradas por aqueles que discutiram o mercado de trabalho  nos últimos dias, nos reporta mais uma vez aos benefícios do federalismo. Vejamos porque: 

Segundo os dados apontados, não é a grande indústria que absorve maior quantidade de mão-de-obra. Se a maior absorção se dá através da agricultura e do comércio, o apoio para o desenvolvimento destes dois campos de trabalho torna-se muito mais eficiente quando direcionado para as diversidades regionais. Tornando-se o mercado de trabalho um problema local, são as políticas públicas regionais que incentivarão as diversas modalidades de trabalho que atendam as necessidades locais. Regiões com potencial agrícola privilegiarão o desenvolvimento da agricultura e da pecuária, ao lado de pequenas (médias ou grandes de acordo com as finalidades) indústrias de transformação de alimentos, o que viria a aumentar sua oferta de empregos, aumento de consumo local além de criar um possível pólo exportador.  O esquema incrementaria o aumento de todas as atividades industriais e comerciais com elas conectadas. Da mesma forma, uma indústria seja de grande, médio ou pequeno porte, onde quer que se localize gera demandas de outras atividades promovendo como conseqüência aumento de emprego em seu entorno. 

Daí a importância da descentralização fiscal, meta que só é atingida plenamente pelos governos que adotam o federalismo constitucionalmente, e são por imposição legal, obrigados a respeitar as autonomias locais. O que o município arrecada, quando fica na localidade, proporciona imediata e direta aplicação dos recursos necessários para a implantação de modelos planejados pela própria comunidade. O sistema, além da comprovada eficácia no desenvolvimento econômico regional tem inúmeras outras vantagens. Pois, qualquer pólo de desenvolvimento regional atrai benefícios que se irradiam além de seu raio de ação. 

Mas é preciso conscientizar governos e sindicatos além dos trabalhadores, de que, se o mercado de trabalho permanece aquém da demanda, a solução existe, pois o problema maior está sendo detectado por especialistas da área: deve ser tratado a nível local. E questões locais não são resolvidas a partir de um governo centralizado. A centralização, pelo simples fato de criar distanciamento dos problemas que afetam as regiões num Brasil de extensão continental dificultam a distribuição de recursos de forma racional. Assim, o governo central acaba transformando investimentos em meras ferramentas para o atendimento de seus interesses políticos. 

Questões locais são pertinentes ao local onde a necessidade ocorre. Daí a importância da implantação dum governo que privilegie o federalismo pleno. 

Notas:

1-     o presente artigo foi escrito tendo como base informações sobre o último encontro das delegações internacionais que fazem parte da OIT, e que ocorreu recentemente em Geneve. 

2-     Juntando os dados levantados pela OIT: 

Empregos ao redor da Terra: +- 3 bilhões

Destes 3 bilhões, os países em desenvolvimento absorvem uma média de 84% subdivididos em: 

84% = 2.520.000, destes:

40% na agricultura…1.008.000–

39% em serviços     …982.800.–

21% na indústria…. …529.200— 

Dos 982.800. milhões de trabalhadores na área de serviços, mais da metade está empregada no atendimento direto às exportações aos países desenvolvidos:
565.000., Ou seja, mais de 55%

Regina Caldas

20/06/2006

   

 

 

 

Uma reforma islãmica

Thursday, August 30th, 2007

 

        

Tempos Modernos

Thursday, August 30th, 2007

 Regina Caldas 2004        

As nossas tradições ocidentais não podem ser vistas como irrelevantes pela sociedade atual. Ao contrario, devemos buscá-las como nossos melhores exemplos, quando estes relatam as experiências de nossos ancestrais. São estas vozes que nos ensinam a viver melhor no presente. Não podemos esquecê-las! Não se trata de querer viver no passado. Mas é preciso que o mesmo nos sirva de referencia. Negar às novas gerações o conhecimento de nossa memória histórica é como incentivar uma lenta e degradante deterioração de nossos valores morais e culturais. 

          Um sistema educacional serve para perpetuar os ideais de uma sociedade. Se desejamos evoluir, usamos nosso sistema educacional para este propósito. Isto não significa, entretanto que a sociedade determine por si mesma que melhoras almeja, pelo menos esta premissa é válida para aqueles que acreditam que a liberdade e o exercício individual de julgamento é o melhor caminho para o seu aperfeiçoamento. 

          A grade curricular brasileira é carregada de ideais bem intencionados. Mas que não resistem à realidade. Nosso sistema educacional é fraco e incompatível com qualquer expectativa de desenvolvimento econômico e inserção social. As conseqüências do descaso com a educação de nossos jovens e adultos são notadas em todos os setores da vida nacional. Perdemos o rumo, cada cidadão preocupando-se apenas em garantir a si mesmo o sucesso profissional. Gastamos cada precioso momento de nossas vidas correndo atrás de realizações materiais sem valorizarmos um contínuo desenvolvimento de todas as nossas capacidades intelectuais. 

          Nos Estados Unidos, John Dewey, filósofo e sociólogo, propôs uma revolução social na Educação, com o seu método de educar através das atividades ocupacionais. No passado, nossa escola foi pautada pelos princípios de uma educação liberal, porém administrada somente àqueles que faziam parte de uma elite. Quando as massas tiveram acesso à Educação, o conceito de como educá-las já estava resumido em alfabetizá-las para que pudessem ler manuais de trabalho ou assinar o próprio nome. A necessidade de se criar um programa voltado para a educação do trabalhador, levou  Esther Figueiredo Ferraz , quando Secretária da Educação no Governo do Estado de São Paulo, a seguir o mesmo caminho de John Dewey. À mesma época nasciam entidades patrocinadas por parcerias entre o Estado e a classe empresarial como SENAI, SESI, SENAC , SESC e  SEBRAE, investindo na educação profissional do trabalhador. Não se duvida que prestem grandes serviços à Nação, mas dar ao jovem apenas a ferramenta que lhe garanta o sucesso profissional, negando-lhe o contato com valores que serviriam de base para melhor compreensão do mundo e que aumentem a sua capacidade de um julgamento independente a fim de que ele desenvolva todo o seu potencial como ser humano é como alimentar o corpo, esquecendo-se de alimentar a mente. É expô-lo 24 horas por dia, à manipulação da mídia e de doutrinações irracionais. É transformá-lo num ser amorfo que só é feliz e sente-se seguro quando se identifica com o maior número de pessoas pensando e agindo de forma igual.   

               O conceito moderno de educação, “determinismo sociológico”, deduz que a atividade intelectual deve ser regulada pelas atividades econômicas, concluindo que quando uma sociedade passa por transformações muito decisivas o que ficou no passado torna-se irrelevante. Mas esta visão de mundo ignora que o humano em qualquer época, sofre das mesmas ansiedades de seus antepassados. Existe Deus? O que é viver bem? Por que existem as guerras? Quem somos nós? De onde viemos? Para onde caminhamos?  Só conhecendo o passado, aprendemos que apesar de não obtermos respostas para a maioria de nossos questionamentos mais angustiantes estes são, desde sempre, partilhados entre todos nós. Daí ser um direito dos jovens usufruir livremente do legado intelectual que herdamos do passado. Retornar à leitura de obras como de Platão, Aristóteles e tantos outros filósofos e historiadores, saber de que forma questionaram o Universo; conhecer Newton, Copérnico, Lavoisier, Darwin, Freud e tantos outros cientistas que colaboraram com o desenvolvimento da ciência e da Tecnologia; encantar-se com as histórias dos navegadores ou com os grandes romancistas, conhecer as formas de governo como a democracia herdada dos gregos, que possibilitou à humanidade o desenvolvimento econômico e social, ou os regimes totalitários que trouxeram a escravidão e a morte; enfim, a obra intelectual deixada por centenas destes gênios, precisa retornar ao nosso convívio. Através destas leituras, podemos compreender que nascemos com o privilégio do raciocínio e da percepção do ambiente que nos rodeia e podemos evoluir mentalmente se adquirirmos uma formação liberal consistente. Também importa que o jovem entenda, que todos os bens que lhe trazem conforto e qualidade de vida são frutos dos estudos, trabalho e dedicação de seres humanos especiais, que fazendo uso da liberdade de pensar e agir dedicaram-se a desenvolver sua criatividade e a sonhar em tornar realidade uma melhor qualidade de vida para todos. 

           Atualmente, as faculdades da terceira idade estão em moda. Seu curriculo expõe a curta visão de futuro que tem a nossa sociedade. O adulto adquire durante a vida um certo grau de amadurecimento que o habilita a compreender as grandes obras intelectuais que herdamos de nossos antepassados. Os idosos em nossa sociedade assumem responsabilidades perante a família cuidando de seus netos. Os pais preocupados com a vida profissional, delegam aos avós a tarefa de cuidar dos netos. Não poderiam os idosos adquirir bagagem cultural mais sólida para transmiti-las às crianças sob sua responsabilidade? Ao invés de gastarem tempo nas escolas da terceira idade aprendendo artesanato, danças, ginásticas, ao invés de se distraírem a fim de empurrar a vida como se não fossem mais úteis não poderiam adquirir cultura? Nossas crianças precisam do socorro de quem lhes possa dar boas informações. Não incentivar o idoso a cumprir um papel mais relevante dentro da família ou da sua comunidade é jogar fora um valioso material educativo, que além de ser fonte de cultura confiável, é também fonte de lazer e alegria para quem chegou saudável à terceira idade.

Responsabilidade social na Educação

Thursday, August 30th, 2007

Regina Caldas

São Paulo, setembro/2006 

Introdução:

A Educação nasce de uma responsabilidade social. Esta é a sua finalidade até entre os animais irracionais. Sem a educação nenhum ser vivo pode evoluir ou formar comunidades. 

O que é a Educação? 

É o meio pelo qual as gerações mais velhas transmitem às mais novas seus modos de convivência e seus valores culturais e morais acumulados através do tempo. 

O homem das cavernas, por gestos e gritos, expressou suas alegrias, tristezas, raiva e satisfação. Aprendendo a identificar seus sentimentos lhe foi possível organizar seu sistema de cooperação e sobreviver agregado. Suas necessidades básicas foram atendidas porque ele se organizou por meio da Educação. Por exemplo, a morte prematura de mães (parto), de pais (na caça e guerras), levou-o a desenvolver um sistema educacional que lhe permitisse cuidar adequadamente dos órfãos. A caça para alimentar o grupo lhe foi possível porque ele aprendeu a dividir e a transmitir tarefas através da cooperação. Tais atividades nasceram da percepção de uma responsabilidade social para garantir a sobrevivência do grupo. Sua impressão sobre o ambiente que o cercava e a forma como lidava com isto ficou expressa nas pinturas rupestres encontradas no interior das cavernas. Deste legado sabe-se que sua incipiente Educação já estava voltada para as suas necessidades sociais. Disciplinar as crianças e encontrar a caça para alimentar a comunidade. 

A Educação conduz à criatividade e promove a cooperação a fim de que metas sociais sejam alcançadas. A Educação beneficia e transforma a sociedade melhorando a qualidade de vida de todos. Quando a sociedade se organiza no intuito de promover convivência e desenvolvimento harmonioso entre os seus sujeitos seu raio de ação provém de um projeto educacional.

Existem momentos em que a humanidade não visualiza o papel social da Educação. São momentos em que o Homem entra num período de obscurantismo. Mas cada vez que a sociedade se sente ameaçada de decadência, também percebe que seus desvios  ocorreram porque não privilegiou a Educação como uma responsabilidade social. 

Qualquer instituição social tem como finalidade primordial o atendimento da comunidade. Este é o significado real da expressão “responsabilidade social”. Na Educação podemos percebê-la através da forma como a sociedade se organizou para atender às necessidades sociais que marcaram cada época da nossa história. Os israelitas educavam suas mulheres porque as consideravam guardiãs do lar e a elas caberia a missão de educar os filhos nas tradições judaicas. Da mesma forma, quando a palavra escrita pôde ser impressa, Martinho Lutero apressou-se em incentivar a alfabetização dos camponeses para que pudessem ler a bíblia em família. 

Antes de Lutero, a Educação formal tendia a atender os segmentos mais elevados da sociedade que recebiam uma formação aprimorada com os estudos das Artes Liberais. Esta elite educada liderava a sociedade. Para ocupar posições de liderança deveriam ser bem formados não só para o bom exercício da profissão, como também para que servissem de bons exemplos para toda a sociedade. 

Com a iniciativa de Lutero e o nascimento da era industrial a Educação tornou-se acessível às massas. E sua responsabilidade social se voltava para a capacitação profissional. A partir de então o estudo das Artes Liberais foi posto de lado. A Educação entrou em decadência e seus reflexos na sociedade não tardaram a se manifestar. A falta da cultura de valores tradicionais no sistema educacional esvaziou a mente humana da valorização do Ser. Conduziu-nos à cultura do Ter, seguida pela cultura das aparências. 

 A cultura das aparências domina as sociedades modernas. E vivemos um daqueles momentos, quando conforme afirma Fukuyama, sociólogo norte-americano, sentimos que chegamos ao final da História. Isto assinala que passaremos por mudanças profundas cujos ventos já se aproximam trazidos pelo choque de culturas que hoje presenciamos. Distantes de nossos valores morais, subjugados pelo relativismo das nossas ações, ficamos desorientados nas escolhas de nossos caminhos. Mas sabemos que temos que mudar. Quais as mudanças necessárias para se retomar um caminho que nos conduza à paz duradoura e ao progresso partilhado com um maior número de pessoas? Qual será a responsabilidade social da Educação neste momento de mudanças?  Considero que a responsabilidade social da Educação será resgatar a Educação humanística. Abrir a nossa mente além da cultura do Ter e da aparência. 

Nosso presente em decadência visualiza em meio às brumas de nossas incertezas quanto ao futuro, uma nova era através de uma nova Educação.  Trata-se do retorno à ética dos nossos antepassados.

Referendum na CE

Thursday, August 30th, 2007

Chirac defende uma Europa não liberal

 

     Chirac, Presidente da França, entrou em campanha pelo SIM ao referendum que, em 29 de maio de 2005, o europeu deverá dar à nova Constituição do MCE. Seu pleito é por uma Europa “forte e organizada” face ao ultraliberalismo anglo-saxão.Segundo p presidente francês, um não à Constituição teria um efeito bumerangue que se alastraria por outros paises. Segundo Chirac, se a França rejeita a Constituição deixará de existir politicamente no território europeu.

 

       Num debate mantido recentemente com 83 jovens no palácio do Eliseu, Chirac não tratou apenas do Sim à Constituição, mencionou a afirmação dos valores europeus e da defesa de seus interesses, em face ao ultraliberalismo anglo-saxão e a uma globalização frenética.

 

        Afirmando confiar no futuro e também na França, Chirac mencionou várias questões desde a limitação da Turquia, à escolha seletiva ao magistério, ao desemprego e à abertura das fronteiras.

 

      O Presidente Chirac, afirmou que acredita que uma democracia deve utilizar o referendum como meio de expressão. E, apesar do grande percentual de não, Chirac não pretende recuar levando a decisão para a via parlamentar. Mas acredita que na hipótese de vencer o não, seu país será considerado a “ovelha negra” da Europa.

 

      A União representa a força, ele tem afirmado. Diante de uma globalização que inquieta os franceses, e que se abre para uma corrente ultraliberal face aos Estados Unidos, e das grandes economias emergentes como a China, Índia, o Brasil e a Rússia, a União Européia deve adotar regras eficazes. Não lutaremos contra estas economias individualmente, a França não possui esta possibilidade, mas a Europa deve ser forte e organizada para se opor a esta evolução…

 

       Segundo ele, a Constituição Européia, elaborada por uma Convenção presidida por Valery Giscard D’Estaing , é a filha do pensamento francês. Sua inspiração é essencialmente francesa, e ela responde a uma lógica que é justamente antiliberal. 

 

       Chirac tem igualmente sedimentado esta nova etapa da construção européia sobre a afirmação de valores comuns que devem inspirar todas as políticas da União. E, quanto à proposta da Turquia, ele reafirmou que não tem nenhuma ligação com o referendum à Constituição e a eventual entrada de Ankara no MCE, mas sublinhou que: “os valores e maneiras de viver e de funcionar daquele país são incompatíveis com os nossos”.

 

         “N’ayons pas peur”, ele tem insistido, convidando a se orgulhar da Europa, primeira potencia comercial, primeira potencia exportadora do mundo, primeira potencia esportiva, e primeira potencia para ajudar os paises pobres do mundo!

 

Le Fígaro, abril/2005 Tradução: Regina Caldas

Investindo nas idéias certas

Thursday, August 30th, 2007

Como os filantropos ajudaram a fazer do conservadorismo um governo filosófico

James Piereson

Tradução: Regina Caldas

Wall Street Journal, maio/2005

Recentemente, um pouco antes da eleição de Novembro, uns 300 amigos e admiradores, reuniram-se no Hotel Plaza em Nova York, para homenagear John Kenneth Galbraith e Arthur M. Schlesinger Jr., os dois guerreiros do liberalismo do século XX. O evento, patrocinado pelo Instituto Franklin e Eleanor Roosevelt, foi projetado como “uma saudação à democracia”. Esta também foi uma ocasião para relembrar uma era em que o liberalismo seguia como maré alta nos Estados Unidos. O contraste entre o passado e o presente, talvez tenha sido árduo para muitos no auditório, naquela noite. Hoje, o declínio da fé, é espelhado no fato de que lá não havia ninguém da esquerda cuja influencia ou estatura, ainda que remotamente, se aproximasse daqueles que atados às décadas passadas, eram homenageados naquela tarde.

A longa queda do liberalismo nas décadas recentes tem sido, sem dúvida, não justamente árdua, mas uma perturbação revelada por aqueles convencidos de que o futuro poderia ser moldado por seus ideais. A ascensão do conservadorismo talvez revele dupla perplexidade. Mr Galbraith, em 1964, observou: “Estes são, sem dúvidas, os tempos do liberal. Quase todos descrevem a si próprio”. E ambos, ele e Mr Schlesinger, descartaram o pensamento conservador irrisòriamente, como sem substancia intelectual de qualquer natureza. Hoje, o conservadorismo não só ascende na esfera eleitoral, mas o pensamento conservador tem capturado a iniciativa no mundo das idéias também.

Naturalmente, tem sido tentado pelos liberais explicar esta mudança de sorte; porém alguns têm sido acurados, pensativos, ou construtivos. Durante o último ano da campanha presidencial, o tom geral foi bem capturado nos ataques dos liberais a George Bush, qualificando-o como “mentiroso” ou “idiota”, por seguir precisamente a espécie de causa-desdobramento do poder americano a favor da liberdade e democracia, num mundo em que liberais como Galbraith e Sclesinger, certa vez defenderam. Endereçado à ascensão do conservadorismo, a esquerda recorreu a explicações que realçam manipulação e astúcia, com a ajuda de pagamentos por fora aos políticos agigantando-se cada vez mais na historia. As idéias conservadoras jogam, mas muito menos, e são, estes jogos, geralmente caracterizados como armadilhas usadas para interesses corporativos. Uma regra particularmente sinistra é atribuída àqueles conservadores filantropos que tem ajudado nos fundos para pensadores, magazines e instituições de pesquisa, na presunção de que ninguém assumiria idéias ocultas para colocá-las adiante, se não fosse pago para fazê-lo.

Na verdade, a esquerda tem exposto um quase obsessivo interesse nas filantropias conservadoras. Alguns web sites são direcionados inteiramente para mapear as atividades das fundações filiais, estabelecidas pelas maiores corporações poluidoras, como o ativista Robert F. Kennedy as descreve em seu livro “Crimes contra a natureza”. De forma similar, os jornalistas David Brock e Eric Alterman, tem devotado muita energia para expor os projetos garantidos por aquelas instituições, bem como com suas ligações com outras organizações e seus lugares na ampla constelação do ativismo conservador. Relatos do “People for the American Way” e o “National Committee for responsive Philanthropy” , frisam com muita ênfase as supostamente nefandas estratégias e táticas usadas pelas fundações para avançarem em suas causas altamente duvidosas.

Invariavelmente, estes atacantes ignoram a substância das idéias, mais ou menos como se a famosa caracterização dos conservadores como “o partido dos néscios”, feita por John Stuart Mills , ainda fosse a regra no inicio do século XXI. Mas o fato é que os conservadores modernos tem sido engajado com o mundo das idéias de forma muito mais intensa, que a maioria dos liberais modernos. O colunista David Brooks, tem observado que, questionados para nomear as influencias em seus pensamentos, a maioria dos conservadores são capazes de listar um número de livros ou autores, enquanto liberais tem dificuldade de identificar algum. Este claro engajamento com um corpo coerente de idéias gera uma crucial ascensão dos conservadores, no qual eles têm centrado suas fundações.

No período entre o fim da II Guerra Mundial e os dias atuais, a filantropia conservadora chega através de duas fases distintas, entrando agora numa terceira. Surpreendente como isto aparenta: as duas fases anteriores foram definidas por idéias mais que por negócios mesquinhos ou interesses corporativos. A primeira fase, que começa em meio aos anos quarenta, indo bem até os setenta, foi mais guiada por um interesse no liberalismo clássico e libertarianismo que no conservadorismo, da forma como foi entendido mais recentemente. Os principais doadores foram o Fundo Wolker, as Fundações Relm e Eahart, o Liberty Fund, e líderes empresariais como Jasper Crane da Du Pont, Henry Weaver da General Motors, B.E. Hutchinson da Chrysler, e o empresário britânico Anthony Fischer. Aqueles doadores tinham modestas somas à sua disposição, dando juntos ao redor de três milhões de dólares ao ano, comparado com os 300 milhões que a Fundação Ford alocava anualmente na década de sessenta. Lá existiam seguramente importantes diferenças entre aqueles doadores. O Wolker Fund era geralmente libertário, enquanto a Fundação Eahart construía uma ponte dividida entre o liberalismo clássico com sua ênfase na liberdade, e conservador moderno, com sua ênfase na tradição e na ordem. Mas os interesses de todos eles foram, por designação, intelectual e teórico.

A influência seminal naqueles fundadores veio da leitura do livro “ The Road to Serfdom”, de Hayek , publicado em 1944, em Londres, e nos Estados Unidos no ano seguinte. Este delgado volume, uma chamada bem articulada para o combate ao socialismo, transformou seu autor, até então um obscuro professor da London School of Economics, em um herói entre os conservadores e liberais clássicos , em ambos os lados do Atlântico. Nenhum outro escritor àquela época tinha feito uma cobertura contra as idéias e políticas coletivistas com tanta audácia e clareza. Por tal razão, “The Road to Serfdom”, tornou-se o ponto de referencia para todos aqueles que temiam a expansão do Bem-estar Social (Welfare State).

Tido como um dos livros mais influentes do século vinte, “The Road to Serfdom”, causou sensação quando foi publicado, provocando exames e comentários de figuras de proa como Keynes e Orwell, e semeando censura e refutações de razões menos iluminadas. Uma versão condensada apareceu em 1945, no Reader’s Digest , atingindo mais de dois milhões de assinantes do magazine, e provocando bastante interesse em levar Hayek aos US, para um tour de conferências.

O “Road to Serfdom”, promoveu dois amplos temas: um negativo e outro positivo. O primeiro foi que o socialismo encaminhava quase inevitavelmente para a tirania e a perda da liberdade em todas as suas formas. O segundo era que o antídoto para o socialismo seria encontrado no renascimento do liberalismo clássico da forma como foi articulado por pensadores do Iluminismo britânico como Adam Smith, David Hume e Edmund Burke. O livro era de alguma forma altamente pessimista, pois o socialismo avançava em toda parte e tornava-se irresistível. (Para confirmar a análise de Hayek, a eleição parlamentar inglesa de 1945, viu o Partido Trabalhista vencendo na plataforma onde conclamou explicitamente para a nacionalização da indústria britânica, e, vitorioso, atuou para realizar a promessa). Ao mesmo tempo, Hayek viu um caminho lateral, através da reconstrução de uma tradição de pensamento que estava em processo de se perder.

Como o conservadorismo nos dias atuais, a visão de Hayek sofria de uma fraqueza fatal. Repousando na tradição mais que nos princípios, poderia cair lentamente ou resistir, mas nunca alterar fundamentalmente a direção na qual os eventos foram se movendo. Este foi o motivo pelo qual ele entrou em pânico ao enfatizar que ele próprio não era um conservador acima de tudo, mas, ao contrário, um liberal na tradição Whig. (um posterior ensaio dele, foi intitulado simplesmente: “ Why I am not a conservative”). Isto, como aconteceu, foi uma característica do pensamento de Hayek, que apelava em particular aos americanos.

A política americana, como Hayek entendia, foi originalmente construída nos princípios da Liberdade, e sua tradição política foi grandemente influenciada pelos ideais de Whig, de governo limitado e o preceito legal. Como uma conseqüência, defensores da tradição americana, foram eles próprios freqüentemente liberais no sentido europeu. Para americanos interessados na expansão governamental, a alternativa ao socialismo e ao Bem-Estar social não era o conservantismo e sim o individualismo.

Outra contribuição do “Road to Serfdom”, talvez mais influente na longa corrida de Hayek na crítica ao socialismo, foi sua ênfase na importância das idéias no crescimento dos movimentos políticos. Trocando a escalada da histórica escola do pensamento, Hayek insistiu que socialismo e estatismo eram produtos não de forças econômicas fora de qualquer controle, mas de idéias errôneas e destrutivas. Os princípios de Whig, que tinham influencia continental durante os séculos 18 e 19, foram postos de lado pelos pensadores germânicos, de Hegel e Marx, chegando em Sombart e Mannheim, cujas doutrinas coletivistas tinham capturado a imaginação dos intelectuais. Em outro ensaio: “ The Intellectuals and Socialism” (1949), Hayek mapeou uma ampla estratégia a longo prazo para combater esta mudança.

Homem prático de negócios, Hayek escreveu: “ Homens de negócios , acima de tudo, não entendem a linha entre idéias e movimentos políticos, e portanto, não vêem a necessidade para montar uma sustentada defesa intelectual de seus próprios interesses. Ele conclamou seus seguidores a aprender do sucesso do socialismo, o qual tinha se originado como uma construção de teóricos e filósofos, e só mais tarde emergiu como movimento político jogando candidatos para cargos, e apelando para eleitores.

“O que nós perdemos, escreveu Hayek, foi uma utopia liberal, um programa visto não como uma defesa das coisas como elas são, nem uma diluída espécie de socialismo, mas um verdadeiro radicalismo liberal, o qual não limita a si próprio ao que surge hoje como politicamente possível”. O conteúdo positivo daquele programa era necessariamente vago, mas ficou claro que Hayek enxergava um movimento operando ao grau de princípios e teoria, separado das agendas eleitoral e legislativa ou de imediatas controvérsias da vida política. Ele propôs, em outras palavras, uma verdadeira guerra de idéias, que pudesse apelar para o melhor e para as mais fervorosas almas da época, porém, que levasse uma geração ou mais para frutificar.

A plataforma de Hayek, teórica, abstrata e utópica, revelava uma singular base na qual construir um programa filantrópico. Não havia nenhum pretexto promovendo porções de reformas, ajudando um partido ou um candidato, passando alguma legislação, ou, deveras, produzindo conseqüências de qualquer natureza. Entretanto, os filantropos, eu tenho mencionado isto, responderam a este chamado.

Os escritos de Hayek tinham mais ou menos impacto direto na Grã-Bretanha, onde Anthony Fischer (com o encorajamento de Hayek) estabeleceu o Instituto para Affairs Econômicos em Londres, em 1955. Dirigido pelo economista Ralph Harris, o IEA, foi o reservatório original da liberdade de pensamento, publicando livros e panfletos que documentavam as ineficiências do socialismo e dos empreendimentos estatais.

Em 1947, o Fundo Volker enviou um grupo de norte-americanos para a Suíça, para organizar um encontro da Sociedade Monte Pellerin, fundada por Hayek para promover o livre mercado nas economias, e ampliar os ideais do liberalismo clássico. Em conformidade com a visão de Hayek, Mont Pellerin funcionou como um empreendimento exclusivamente para estudantes, evitando debates políticos em favor de um aprofundamento teórico sobre os fundamentos de uma sociedade livre. Um pouco mais tarde, Volker inscreveu Hayek apontando-o como professor de Ciências Sociais, ao título Adan Smith, para a Universidade de Edinburgh, no Comitê de Pensamento Social da Universidade de Chicago e também providenciou fundos para a Universidade de Nova York para contratar Ludwig Von Mises, mentor austríaco de Hayek e amigo.

Em adição àquelas indicações, Volker e outros doadores deram assistência à Escola de Chicago de Economia, assistida por Milton Friedman e George Stigler, e para a escola de Economia Política da Universidade da Virginia, assistida por James Buchanan, os três, mais tarde ganhadores do prêmio Nobel de Economia. Eles sustentaram dezenas, talvez milhares de estudantes graduados, a maioria em economia, mas também em campos afim como administração pública e História, muitos dos quais tornaram-se proeminentes professores por seu próprio mérito. Eles subsidiaram algumas instituições, geralmente de visão libertariana, incluindo a Fundação para Educação Econômica, o Instituto para Estudos Humanos, e o “Intercollegiate Society of Individualists”, que ajudaram a circular orientação de idéias de mercado entre professores, alunos e empresários.

É difícil relembrar hoje quão radical as idéias de um Friedman ou de um Hayek aparentavam ser nos anos 50 e 60, quando o futuro já apontava numa direção de planejamento central, socialismo e bem-estar social. Nesta fase dos acontecimentos, a lei da filantropia existia para manter a vitalidade de um remanescente de pensamento até que este brilhasse novamente, indo outra vez como uma alternativa para doutrinas que tinham falhado. Este movimento não encontrou o seu caminho no vasto mundo da política, e o debate público foi, em parte como temos visto, deliberado: dirigido segundo influencia além dos cabeçalhos do dia. Hayek e seus seguidores evitaram uma estratégia que talvez os tenha incapacitado a encontrar uma audiência ampliada. Mas, trabalhando como eles trabalharam contra as sementes intelectuais da época, tinham também pouco sucesso dentro das Universidades, e sem conquistar uma posição segura na Academia, era pequena a esperança de converter a próxima geração de professores. Em meados de 70, Hayek foi dispensado como um extremista, como um reacionário, e a influencia dos liberais clássicos decaiu.

Se o trabalho das fundações conservatoras neste período atraiu pouca atenção, além de seu círculo imediato- Waldemar Nielsen sequer os menciona em suas histórias: “As Grandes Fundações” e “Doadores de Ouro”- os líderes liberais filantropos foram, em contraste, avançando sua própria agenda com vigor e para aplauso geral. Aquelas fundações, Ford e Rockefeller, juntamente com a Carnegie Corp., guiaram-se pela visão de que o progresso social seria obtido através de sábios do conhecimento e trabalhos científicos, pela expansão de leis governamentais em novas áreas, e pelo uso de organizações internacionais para promover a cooperação entre os maiores poderes. Seus fundos foram bem entrincheirados e se relacionavam com as instituições: universidades, centros de pesquisas, organizações internacionais, e, ocasionalmente, corpos governamentais. Em suma, as fundações liberais formaram uma parte integral do estabelecimento liberal da época, uma circunstancia pela qual foram abertamente criticados (com pouco efeito) pelos conservadores e esquerdas radicais.

Uma significativa mudança na filantropia liberal ocorreu após McGeorge Bundy (diretor em Harvard e conselheiro de segurança nacional nas administrações Kennedy e Johnson), ter sido apontado presidente da Fundação Ford, em 1966. Preferindo ativismo às pesquisas e aos graduados, Bundy promoveu uma estratégia de “apelo filantrópico”. Mais tarde, Ford e outros doadores liberais investiram em um labirinto de grupos ativistas, promovendo feminismo, ações afirmativas, ecologia, desarmamento e outras causas afiliadas. O Fundo de Defesa Ecológica, o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, o Fundo de Leis da Mulher, foram produtos destas iniciativas.

Aqueles grupos consideravam-se representantes legitimados de suas respectivas causas. Naquela capacidade, promoveram idéias que conduziram para legislação, e então buscaram influenciar os corpos regulatórios e as cortes federais que implementavam e interpretavam as leis. Assim, Ford e Bundy, ajudaram a desenvolver uma estrutura institucional que, por meios de litígios e a força que isto exercia sobre as agencias administrativas, puderam puxar programas favorecidos além de qualquer limite contemplado pelos políticos que os decretavam.

Uma estratégia planejada para produzir grandes mudanças logrando o processo eleitoral, foi bem acionada pelas instituições filantrópicas ligando-as a especialistas e advogados. Isto, indiscutivelmente conduzia para resultados: quotas para mulheres e grupos minoritários, a expansão do bem-estar social, novas legislações para o meio ambiente e outras. Isto também produziu alguns barulhos espetaculares, mais notavelmente o esforço feito em 1968, pela Fundação Ford, para descentralizar as escolas publicas da cidade de Nova York. Acima de tudo, a aproximação de Bundy foi o instrumento usado para criar o que até agora é um fenômeno familiar no cenário político americano: o bem colocado grupo de advocacia alimentando um ressentimento contra a sociedade americana, e buscando compensação no interesse de seus membros.

Reforçando esta tendência havia a percepção de que, simultaneamente, o Partido Democrático começava a se alterar ao longo de linhas paralelas. Acompanhando o tumulto para sua Convenção de Chicago em 1968, os democratas estabeleceram uma comissão presidida pelo Senador George McGovern, cujo mandato seviria para tornar o nomeado processo, mais representativo. Rapidamente capturada pelos ativistas liberais, a comissão puxou nova seleção de leis delegadas, requerendo a representação da mulher, negros e jovens, e alinhadas com suas respectivas proporções na população.

O efeito foi desalojar funcionários , partidos oficiais e líderes que controlavam as convenções democráticas no passado, substituindo-os por ativistas falando para grupos determinados. Sob este avanço, os grupos que agora encontravam um lar no partido, enxergavam muito mais do que um Bundy tentou organizar, através da Fundação Ford. Em muitos casos foram os mesmos grupos.

Finalmente, o liberalismo foi reformado de acordo com os interesses de grupos. O Bem-Estar Social foi redefinido através de um pacote de programas no qual os americanos concederam assistência aos pobres, ao doente e ao incapaz, por um sistema no qual certos grupos definidos impuseram o suporte governamental como matéria de direito, e como compensação por injustiças passadas. A sociedade foi moldada como responsável, e os recebedores como suas lamentadas vítimas. Estes prestidigitadores tornaram difícil ao governo requerer dos beneficiários desta ajuda que adaptassem seu comportamento aos padrões da vida de classe média.

Como o liberalismo absorveu gradualmente as antagônicas ascensões da época, os clamores de grupos estabelecidos vieram sempre mais estridentes e as acusações de discriminação e injustiças se multiplicaram. À época, a nova ordem podia apagar aquelas características altruístas da filosofia liberal que apelaram à classe média americana, de 1930 até 1960.

Aqueles desdobramentos não foram previstos. Eles foram, não uma conseqüência de tolerância social ou fatores econômicos, ou pressão social. Antes, foram engendrados por um circulo mesquinho de ativistas com acesso ao dinheiro e influencia dentro do Partido Democrático. Eles também provocaram as avaliações de Hayek, que, alcançando longe preparou uma geração ou mais para substituí-los. Aqui, uma doutrina estabelecida e um partido político, com uma orgulhosa tradição, foram colocados de lado em poucos anos.

Naquele tempo, muitos observadores anotaram as regras usadas pelas fundações de caridade neste apoio. Colocando-se na vida política nacional, os filantropos liberais parlamentaram sua habilidade para consolidar técnicos, grupos de pesquisa e advocacia, num novo potencial para influencia. Com suas vantagens ai construídas sobre políticos eleitos e associações de negócios tradicionais, eles foram a quinta-essência expressada do que viria a ser conhecido como “novos políticos” , políticos largamente dirigidos por idéias. Isto era, sem dúvidas, um crucial desenvolvimento na nossa vida política, e, em resposta, alguns conservadores unidos pelos alarmados ou desiludidos liberais, começaram a buscar um caminho diferente.

Isto nos conduz à segunda fase da filantropia conservadora que começa a tomar forma em meados da década de 70, através do trabalho de um punhado de doadores, em especial as Fundações John M. Olin e Smith Richardison, e mais tarde a Fundação Bradley. O “Scaife Trusts” de Pittsburgh também foi envolvido até certo grau.

Estes fundadores foram mais conscientemente conservadores que libertarianos. Enquanto solidários aos escritos de Hayek e aos ideais do liberalismo clássico, adotaram um tolerante ideário intelectual abrangendo campos além dos econômicos: em especial, religião, política externa e caridades tradicionais. Contrastando com Hayek e seus seguidores, foram também preparados para engajar o mundo dos políticos e a política, e para empreender a guerra das idéias num estilo direto e agressivo.

As próprias fundações foram dotadas por negociantes bem sucedidos que desejavam preservar o sistema das empresas privadas que tinha possibilitado a prosperidade. Em meados de 70, a perspectiva para qualquer daqueles programas era especialmente vaga, mas o senso de nadar contra a maré deu aos seus esforços um ar de revigorada urgência. E eles mais tarde descobriram, no mundo intelectual, um grupo similar de aliados imbuídos com não menos urgência, de prioridades estabelecidas.

Da mesma forma como os antigos doadores olharam para Hayek como guia, aquelas fundações olharam para os neoconservadores. Escritores e editores como Irving Kristol, Norman Podhoretz, Hilton Kramer e Michael Novak , gastaram a maior parte do tempo de sua formação na esquerda. Antes, da mesma forma, Hayek tinha sido influenciado por George Orwell, Lionel Trilling e Raymond Aron, intelectuais da geração de Hayek, que tinham repisado no mal do totalitarismo sob um ponto de vista moral e político. Muitos deles, como Hayek, investigaram sua linhagem intelectual desde o século 18 (Whigs: partido liberal inglês à época), mas, fazendo isto, eles outra vez enfatizaram a moral e a cultura um pouco mais que a dimensão econômica, tipicamente preferindo a “Teoria dos sentimentos Morais de Adam Smith, que sua “Riqueza das Nações”. Em resumo, eles entenderam os fundamentos morais de uma sociedade livre como sendo mais importante que os fundamentos econômicos.

Os neoconservadores tinham uma vantagem adicional: Vindos da esquerda, entendiam os métodos de pensamento contemporâneo dos liberais e esquerdistas. Também entendiam que a guerra das idéias tinha que ser encontrada pelo engajamento nas controvérsias da realidade, com estacas assentadas no futuro. Através de seus escritos, e através das advertências que foram capazes de oferecer, ajudaram a orientar as fundações conservadoras para a contestação futura fazendo uso das idéias estabelecidas que poderiam governar a Nação.

A política mundial que esses escritores viram ao redor deles nos anos 70, era muito diferente daquela que preocupava Hayek em 1944, em Londres. Ao invés de liderar-nos sob a trilha do coletivismo, o bem-estar social produzira fragmentação, conflitos de grupos, desordem e perda geral de autoridade na sociedade. Nos Estados Unidos, além disso, o bem-estar social avançara não através da nacionalização das indústrias, mas através da expansão do incremento dos programas sociais, e aumento dos poderes regulatórios federais. Era a intersecção daqueles programas com a revolução cultural dos anos 50 e 70, que ascenderam, da forma como os neoconservadores viram, para o crime urbano, ilegitimidade, destruindo famílias e causando falhas educacionais. O problema contemporâneo era assim não tanto coletivismo ou socialismo, mas a perda da moral e da confiança em si mesmo que, em alguns caminhos é característica de todas as sociedades afluentes , um problema para o qual o liberalismo clássico não prometeu nenhuma solução óbvia.

Contrastando com o liberalismo de Hayek, o neoconservadorismo jamais desenvolveu uma única teoria de governo, economia ou sociedade. Como movimento foi mais uma persuasão, como Mr Kristoll chamava isto, ou como uma tendência, como Mr Podhoretz descrevia isto. Rejeitando ortodoxias e teorias abstratas igualmente, os neoconservadores tendiam a operar próximo a futuros eventos. Mr Kristoll pensava com simpatia em Hayek já que escreveu que “ele dava a impressão que considerava a realidade um enorme desvio da doutrina”.

Pegando com tal estresse o porvir, os neoconservadores drenaram a ciência social para acessar as conseqüências práticas dos vários programas e políticas relevantes do moderno bem-estar social. Documentando as conseqüências perturbadoras das iniciativas que prometiam o fim da pobreza ou a transformação das cidades, analistas como James Q. Wilson e Charles Murray, demonstraram que as idéias adotadas com a melhor das intenções foram pioradas. O efeito daqueles estudos jogou água fria nas enormes expectativas que haviam sido fomentadas pelos teoricos liberais e ativistas. Como as promessas estavam abaixo das expectativas, também estava o momentum atrás do bem-estar social.

Não que por principio os neoconservadores fossem contra o bem-estar social, ou necessariamente tivessem abraçado ou libertado o mercado como uma alternativa. Eles criticaram o bem-estar social porque este desmoralizou os pobres e os tornou dependentes do governo, e também objetaram duramente as bem adestradas medidas para ajudar os desempregados. Um bem-estar social conservador, que encorajasse ao trabalho, e os valores da classe média, era algo que poderiam endossar. Em política externa, acreditavam que a Guerra Fria era um vital esforço moral e político, e rejeitaram os esforços para conciliar a União Soviética, como ingênuo e pior. Em outro tempo, eles seriam chamados de liberais; nos anos 70, e além, foram definitivamente conservadores.

Como Hayek, os neoconservadores esperavam um importante papel dos intelectuais, mas eles não estavam preparados para que uma plena geração de seus esforços produzisse resultados. Era claro que intelectuais liberais e alas esquerdas promoveram idéias e programas que ficaram asperamente fora de influencia para a vasta maioria dos americanos. Isto abriu uma oportunidade. O trabalho do conservadorismo como disse Kristol, era mostrar ao povo americano que eles estavam certos e os intelectuais errados. Acima de tudo, isto é mais ou menos o que aconteceu.

O que os neoconservadores entenderam era que nenhuma aversão por capitalismo, nem a tendência para o socialismo eram uma função da análise econômica. Em meados dos anos 70, a promessa econômica do socialismo estava morta, sendo óbvio para qualquer um, que as economias socialistas não poderiam sempre alimentar seu próprio povo. O que atraia os intelectuais liberais para o socialismo era algo mais: forçosamente, a idéia de comunidade, na qual eles contrastaram individualmente para o individualismo e competição de uma sociedade de mercado.

Assim, como Mr Kristol e outros argüiram, uma defesa efetiva do capitalismo requer uma defesa das conquistas culturais nas quais uma civilização comercial é baseada. Teria que ser mostrado, que sociedades livres encorajam valores muito superiores sobre qualquer outros que o socialismo pudesse dar.

As fundações liberais seguiram este comando. Pensando prosseguir no financiamento de programas na economia de livre mercado, eles também doaram nos campos da história, filosofia, governo, arte e literatura. Considerando religião, moral e casamento como sendo tão importantes quanto economias e mercados, aproximaram-se destas. As fundações esforçaram-se por mudanças em cada área principal de debate e controvérsia. Alocaram fundos para instituições proeminentes, incluindo ILU ( Ivy League Universities) onde as idéias conservadoras foram minoria, e providenciaram o financiamento de magazines e jornais endereçados à um spectrum de matérias controversas.

Aqueles magazines, eles entenderam, foram produzidos não somente para a venda no mercado onde o empresário pudesse vê-los, mas também para Instituições com responsabilidades futuras, reputações a serem construídas e preservadas, e redes de trabalho de autores e financiadores. Acima de tudo, foram semeadores de idéias, cuidando de novos talentos. Não só o seu efeito cumulativo cresceu, mas artigos individuais publicados também puderam gerar conseqüências que alcançaram longe.

Os magazines neoconservadores “Comentário” e “Interesse Público” em particular, rotineiramente publicaram autores cujas críticas das idéias liberais e políticas foram factuais, direta e cruelmente lógica, e cujas análises apontavam o caminho para toda a reforma do bem-estar social no final dos anos 90, como paradigma alterando a política global americana que está sendo feita na administração Bush. Lá se encontrava também o “New Criterion”, um jornal de literatura e artes editado por Hilton Kramer e, o “The National Interest”, um periódico trimestral criado por Mr Kristol, e, por muito anos, editado por Owen Harries.

Com uma aproximação diferente e ênfase para o conservadorismo moderno, os neoconservadores ampliaram seu apelo, tornando isto mais efetivo na política mundial, e ajudando numa adaptação às mudanças dos tempos. O avanço dos conservadores nas recentes décadas deve muito a eles, e às suas parcerias com as fundações conservadoras.

Ainda ajudando instituições moldadas pelos neoconservadores, as fundações suportaram magazines, “think tanks”, e centros de estudos liderados pelos economistas do livre-mercado, libertarianos, conservadores religiosos e os eternos filósofos straussianos. Quando Ronald Reagan foi eleito em 1980, foi em algumas daquelas organizações que ele pode pesquisar e buscar informação. Quando George Bush foi eleito em 2000, havia uma proliferação daqueles grupos trabalhando ativamente em cada área das políticas públicas. Aquelas organizações tendo desenvolvido idéias e cuidando dos talentos, superaram os tempos e ajudaram a mudar a balança do poder entre liberais e conservadores nas América.

Tudo isto foi executado com modestos recursos financeiros, espantosamente modestos quando comparados com o que foi gasto pelos liberais. Recentemente, as cinco organizações liberais filantrópicas líderes, Fundações Ford, Rockefeller e MacArthur, a Pew Trusts e Carnegie Corporation, juntas noticiaram fundos de US $ 24 bilhões , e gastos anuais de US $ 1.2 bilhão. Contrastando, os fundos combinados das cinco maiores fundações conservadoras não excederam US $ 1.5 bilhão, e seus gastos anuais declarados atingiram US $100 milhões. Entretanto, eles foram capazes de alcançar uma grande porção com foco e disciplina, e por se aliarem a uma geração de escritores e estudantes de talento incomum.

A rede de publicações, programas universitários e centros de estudos construídas a partir de 1970 em diante continuou influenciando nos anos seguintes. Mas como sugeri no princípio, esta fase da filantropia conservadora segue agora o seu curso, em parte porque tem feito o seu trabalho, em parte porque as condições mudaram, e, em parte porque alguns dos principais doadores estão deixando a cena. Nas décadas futuras, novos financiadores, agora entrando em campo, delinearão o próximo capítulo da filantropia conservadora.

Esta próxima fase será necessariamente diferente daquelas que a antecederam. De um lado, a filantropia conservadora será baseada mais nos indivíduos, como tem sido o caso até agora. A prosperidade das últimas décadas, acompanhando o sucesso dos grupos e idéias conservadoras, criou uma coorte daqueles indivíduos, alguns com enorme riqueza, senão bastante mais prósperos para fazer doações significantes para os empreendimentos conservadores. Ao mesmo tempo, algumas fundações conservadoras – Olin, especialmente, dentre elas- gastam ou intencionam gastar fora dos negócios acordados com o desejo de seus fundadores, e outras tem começado a transferir suas prioridades.

A razão para esta mudança tem a ver com o fato que o conservadorismo está se tornando uma filosofia de governo, e governar se apóia na prática. Esta é uma evolução natural de um movimento que tem assumido responsabilidade nacional, e que precisa trabalhar com itens da agenda: bônus escolar, contas de aposentados, reformas legais, eliminação de taxas estaduais e, seguindo adiante, propor e decretar. Alem disso, vários doadores conservadores têm, eles mesmos, se envolvido na promoção de uma ou outra política especifica, vendo a aprovação de leis ou a implementação de uma reforma como a mais tangível medida de seu sucesso.

Significa isto uma necessidade futura de sustentar e renovar a base intelectual do conservadorismo? O dinamismo da vida Americana, e a implacável competição entre partidos políticos, os interesses de grupos, forçam cada movimento de idéias a testá-las em bases mais ou menos continuas, quando isto significa sobreviver e florescer. Qualquer um precisa só pensar sobre isto para render tributo aos senhores Galbraith e Sclesinger, e para se lembrar da precária e temporária natureza da influencia intelectual.

O conservadorismo tem efetuado este processo de renovação mais plenamente que qualquer de seus competidores no pós-guerra. Isto tem sido feito não através de uma ênfase na política, mas muito mais por vastos argumentos sobre onde temos ido, onde devemos ir, e que ameaças e obstáculos existem em nosso caminho.

“Quem é dono do futuro?”, Orwel perguntou. Esta é a grande questão da vida e a grande questão da política. Alguns querem ser persuadidos a abraçar o conservadorismo somente nos terrenos em que isto promova considerações sobre Segurança Social Privada, ou cubram obrigações julgadas. Afinal-como vimos dramaticamente atualizados no furor nacional sobre o destino de uma mulher se agarrando à vida sendo alimentada através de um tubo num hospital da Flórida – o ataque sobre o futuro, é cultural e moral.

Neste sentido, Hayeck e os neoconservadores tem estado corretos todo o tempo: qualquer movimento quer seja para manter ou argumentar sua influencia, precisa ser empreendido na futura batalha de idéias. Para assim fazer, os conservadores, não menos que os liberais, precisam da ajuda dos simpáticos filantropos.

O presente artigo foi publicado no Comentary de maio/2005, do WSJ.com OPINION JOURNAL, do The Wall Street Journal Editorial page.

Discurso equivocado

Thursday, August 30th, 2007

Regina Caldas

21/10/2003

Em Janeiro de 2002, num encontro de paises ricos, realizado no prédio do Fórum das Américas, situado em Nova York, um figurão das finanças mundiais perguntou ao secretário do Tesouro do Governo Norte-americano, John Snow, por que o FMI cobrava juros tão altos do Brasil. A resposta foi curta: “Por causa da corrupção”. Estranhamente, até o presente momento, jamais soube que o Governo Brasileiro ou alguma outra entidade nacional manifestasse repúdio à resposta do Sr Snow.

Recentemente, discursando na ONU, nosso Presidente, Sr Luiz Inácio da Silva, responsabilizou os países ricos pelo aumento da pobreza mundial. Segundo a ótica presidencial, apesar do colonialismo ter chegado ao fim, tal fato ocorreu apenas no âmbito político, pois para fins comerciais o protecionismo, a concentração dos investimentos e da tecnologia seriam barreiras excludentes aumentando o fosso entre ricos e pobres. Este tipo de discurso já não é mais novidade para ninguém. Ao contrário, tornou-se a bandeira preferida das ONGs que se postam diante dos portões de hotéis, estações de ski, ou estâncias onde os representantes dos paises mais influentes se encontram para discutir o Mundo. O interessante é que, num encontro como o desta semana ocorrido na ONU, onde se fizeram presentes 137 países, os jornais não nos informaram da presença de nenhum desses grupos. Não seria uma excelente ocasião para que estas ONGs clamassem por justiça social?

O discurso do Presidente é equivocado. Serve apenas como respaldo de um tremendo engodo. Porque sabemos que os maiores responsáveis pela pobreza no mundo são os governos incompetentes e corruptos. É fácil comprovar esta verdade. Basta rever a história recente de alguns povos dentre os mais pobres. Filipinas, Indonésia, Haiti, Cuba, Iraque, e tantos outros. São países onde o desvio de dinheiro para os bolsos de seus governantes gera a miséria que recai sobre os ombros de suas populações. Quem nunca ouviu falar da impressionante e caríssima coleção de sapatos da Senhora Imelda Marcos mulher do ex-governante filipino, Ferdinand Marcos? Quem não se lembra de um dos escândalos de corrupção na URSS, quando fotógrafos revelaram a suntuosa casa de campo da Ministra da Educação? Fora da Rússia, é claro! Alguém já se esqueceu do famoso Papa Doc, lá do Haiti, país assolado por uma dolorosa pobreza enquanto o seu medíocre presidente passava suas férias em Paris vivendo de forma nababesca? Quem lê a revista Forbes, sabe que Fidel Castro está na lista das maiores fortunas mundiais. E o Sadan Hussein? Com a conivência da ONU, não é ele o protagonista do escândalo denominado “Oil for food?” Sadam Hussein, tendo sido autorizado a vender petróleo embargado desde que o produto das vendas fosse revertido em alimentos para a população iraquiana, não honrando o compromisso assumido, trocou petróleo por armas. Desviou fortunas para bancos franceses, tendo como beneficiários sua própria família. E além de incontáveis práticas criminosas usadas para reprimir o seu povo, Sadan mandou construir luxuosos palácios para habitar com seus familiares de acordo com a época do ano e de seus humores. A Indonésia sofreu uma bancarrota no final de 98, que abalou o mercado financeiro internacional. Na ocasião, num editorial, o Economist revelou que a maior parte do dinheiro que a Indonésia tomava emprestado dos bancos internacionais de investimentos, era desviado para os negócios particulares da família Sukarno, que governava o país. A família Sukarno controla ainda hoje, quase toda a economia do país! No Brasil, escândalos por corrupção estão sempre na ordem do dia.

Quanto à incompetência para governar é desnecessário falar a respeito. Pois, quando um governante assume o comando de sua Nação, intencionado a usufruir o poder em benefício próprio, ele pouco está se importando em governar no interesse do povo.

Basta de discurso equivocado! O próprio presidente tem dado testemunho do quanto os paises ricos ajudam os pobres. Toma a iniciativa de socorrer financeiramente países vizinhos, e tem perdoado dívidas de paises africanos. E certamente não ignora que o volume de ajuda em dinheiro e outros bens que os Estados Unidos dão aos paises pobres têm sido em quantidades inimagináveis. Torna-se uma questão de consciência para o nosso Presidente, aproveitar de seu carisma para gritar a única verdade responsável pela pobreza no mundo: CORRUPÇÃO E INCOMPETENCIA DAQUELES QUE GOVERNAM OS PAISES POBRES.

É necessário que organismos dedicados a investimentos internacionais como o Banco Mundial, por exemplo, encontrem meios de tornar realidade o que pretendiam por volta de 1996 ou 97, quando publicaram alguns anúncios em revistas especializadas como o Economist, propondo financiar projetos de desenvolvimento regional, repassando o dinheiro direto para os autores dos projetos aprovados, sem a intermediação de governos. Só assim, os empréstimos dos investidores internacionais não serão repassados para as mãos de governantes corruptos e beneficiarão as populações pobres sem onerá-las com o peso resultante da malversação de fundos que costumeiramente faz quem os governa.

DIPLOMACIA

Thursday, August 30th, 2007

Davies, Norman; EUROPA; Oxford University Press; 1996

30/10/2006

Tradução Regina Caldas

A prática diplomática tal como o pensamento mercantilista desenvolveu-se em resposta ao crescimento do poder do Estado. No passado, monarcas sentiam-se felizes em chamar seus embaixadores de volta o mais cedo possível tão logo uma missão fosse concluída. No século 15, Veneza foi o único poder que mantinha uma rede permanente de embaixadores no exterior, até as nunciaturas papais e outras cidades italianas seguirem a liderança veneziana. Ao redor de 1.500, entretanto, as leis de soberania gradualmente viram na nomeação de embaixadores residentes um sinal de seu status e independência. Também valorizaram o influxo da inteligencia comercial e política. Um dos primeiros soberanos a perceber isto foi Fernando o Católico, cujo embaixador para a Corte de St James data de 1487, e foi originalmente encabeçada por Dr Rodrigo Gondesalvi de Puebla, e mais tarde por uma mulher, Catarina de Aragão, princesa de Gales, filha dos reis de Espanha, considerada como tendo a primeira visão compreensiva do serviço diplomático real, ao criar uma embaixada para a Franquia Otomana em 1526.

Mais tarde um corpo diplomático surgiu em cada corte e governo maiores. Vivendo em condições de algum perigo os diplomatas logo trabalharam nas necessárias leis de imunidade, reciprocidade, extraterritorial, credencial e precedência. Em 1515, o Papa determinou que o núncio atuaria como decano do corpo, que o embaixador imperial teria precedência sobre seus colegas, e que todos os outros embaixadores seriam sênior de acordo com a data da conversão de seu país ao cristianismo. Na prática tal arranjo não funcionou porque Carlos V preferiu a Espanha para a diplomacia imperial e porque, como o mais católico rei espanhol, ele recusou ceder precedência à França. Isto resultou numa querela entre os embaixadores da França e Espanha obstruindo suas posições por mais de 200 anos.

Certa ocasião em Haia, em 1661, quando os atendentes dos embaixadores da França e Espanha se encontraram numa viela, os diplomatas ficaram aferrados ao local por um dia inteiro até que o Conselho da cidade demoliu a barragem possibilitando que eles passassem em igualdade de condições.

Os moscovitas foram escrupulosos com regulamentos. Os Embaixadores do Czar foram acostumados a demandar precedência sobre a Corte do próprio Imperador. Em Varsóvia, um Embaixador moscovita chegou vestindo dois chapéus, um para ser levantado para o rei da Polônia na costumeira saudação, o outro para manter sua cabeça coberta de acordo com as instruções do Kremlin.

Na época de Machiavel*, diplomatas logo ganharam uma reputação de enganadores. Eles tinham que se familiarizar com códigos, cifras e tintas invisíveis. “Um Embaixador, afirmou Sir Henry Wootton, é um homem honesto enviado ao exterior para mentir pelo bem de seu país” Apesar de tudo, o crescimento da diplomacia permanente foi um importante marco na formação da comunidade das nações. Em 1643/8, quando uma grande conferência diplomática foi convocada em Münster e em Osnabrück, para terminar a Guerra dos Trinta anos, o “Concerto das Nações” estava nascendo.

*Nicoló Machiavelli, durante quatorze anos e cinco meses ocupou como chanceler, vinte e três legações no exterior. Destas missões, a mais importante foi a legação junto a César Bórgia, em 1502.

Algumas considerações sobre formas de Governo

Thursday, August 30th, 2007

Regina caldas

03/03/2006

Governo e Estado (comunidade política) fundem-se na tradicional teoria política.

O Estado é usualmente designado de acordo com sua forma de governo.

Reconhecemos a diferença entre Estado e governo, quando observamos que o Estado pode manter a sua identidade histórica ainda quando sofre mudanças fundamentais na sua forma de governo.

O Estado não é dissolvido por uma revolução que mude sua forma de Governo. Existe um senso de que Roma, por exemplo, é o mesmo Estado sob o domínio dos Tarquínios, sob a Republica e sob os Cesares. Em contraste, algumas rebeliões, como a Guerra da Secessão na América, sinalizam a dissolução do próprio Estado.

Apesar do fato de que o Estado envolve uma relação entre governantes e governados, a palavra também é usada para designar um termo no qual cabe a afinidade entre os governantes. Quando os cidadãos de uma república falam de Governo, usualmente referem-se à cúpula do governo, e não ao corpo dos cidadãos como um todo. Mas governo não consiste apenas em governantes da mesma forma que não existem educadores sem educandos.

A noção de governo inclui governantes e governados, mas quando se fala de governo a atenção se volta para o poder de governar e para a divisão deste poder em partes relacionadas.

Os grandes livros de teoria política indagam algumas questões básicas sobre governo. Qual a origem do Governo, sua natureza e necessidade? Que finalidade leva o Governo a servir e como estas finalidades definem seu escopo e limites? Qual a distinção entre bom e mau Governo, entre legitimo e ilegítimo, ou, governo justo ou injusto? Quais são as formas do bom ou do mau governo? Quais são os vários departamentos ou ramos do governo, e como podem funcionar na relação entre uns e outros? Estas questões estão relacionadas. A origem, natureza e necessidade de governo tem uma relação em seus fins e limites. Estas mesmas considerações entram na discussão entre a legitimidade e a justiça dos governos. Estes também têm uma classificação na relação e na apreciação das formas de governo. O caminho no qual as diversas divisões do governo podem ser relacionadas é afetado pelo caminho no qual as várias formas de governo diferem. A questão não é sempre vista da mesma forma. Hobbes, Locke e Rousseau, por exemplo, encontram seus princípios fundamentais na origem do governo. Eles começam indagando, o que habilita um homem a governar outro. É o exercício do poder político justificado e limitado pelo fim à que se destina? Respondendo estas questões eles distinguem entre bom e mau governo e apontam os abusos e corrupções aos quais um governo está sujeito. Outros pensadores políticos, entretanto fazem da comparação e classificação do governo o problema central na teoria de governo. Platão, Aristóteles, Montesquieu e Stuart Mills, analisam que a justiça ou a bondade de um governo deve ser julgada. Eles comparam várias formas de governo como mais ou menos desejáveis, próximos ao ideal ou próximos à corrupção, e no decorrer destas considerações, eles questionam a necessidade, legitimidade, e finalidades dos governos em geral.

Há um acordo em comum de que um governo é necessário para a existência do estado. Nenhuma comunidade pode dispensar um governo, pois sem o mesmo ninguém vive junto em paz. Tomás de Aquino entendia que uma vida social não poderia existir sem um governo que velasse pelo bem comum. Ninguém é anarquista como Thoreau ou Kropotkin, mas este último clama que “Guerra e Paz” de Leon Tolstoi , e “Essay on Liberty” de Stuart Mills, contém algumas idéias anarquistas. Marx e Engels talvez sejam outra possível exceção à regra. Se Marx e Engels tiveram uma visão oposta, eles assim agiram porque se encontravam em terreno no qual, com o advento das classes baixas da sociedade emergindo, tornou-se necessário um governo voltado para eles.

Todos concordam que o anarquismo (total falta de governo) é inconveniente à natureza humana. O homem, sendo o que é, qualquer forma de governo lhe cabe melhor do que nenhum. Alguns, como Hobbes e Kant, identificam a anarquia com o estado da natureza que para eles é estado de guerra. Mas Locke pensa que o estado da natureza não é o de guerra, entretanto encontra grandes vantagens vivendo numa sociedade civil justamente porque o governo tem remédios para as inconveniências provocadas pelo anarquismo. E, entre a opção de ter ou não um governo, eles acreditam que ninguém pode usufruir os benefícios de uma vida civilizada sem governo.

O acordo generalizado sobre a necessidade de um governo, tende a incluir ai dois elementos básicos: autoridade e poder. Nenhum governo é possível se o homem não obedece às suas leis. Mas é necessário que reconheça o direito do governo para dar a ele o seu comando, ainda que seja por temer as conseqüências que sofrerá se desobedecer. A obediência corresponde à autoridade e poder do governo. A autoridade é admirada e atrai obediência voluntária. Poder, sendo muitas vezes coercitivo, compele à obediência involuntária. Autoridade e poder são o direito e a força do governo. Um pode existir e talvez operar apartado do outro, mas, como Rousseau aponta, quando o direito é retirado, o governo perde sua legitimidade.

Numa famosa passagem, os Federalistas (USA) expõe que a lei pela autoridade ausente, pode existir numa sociedade de anjos. Mas, desde que o homem é homem, e não anjo, sua obediência só será assegurada pela força. Numa sociedade em que alguns homens são bons e outros maus, e todos, em algum momento podem ser ambas as coisas, a força é o único expediente a ser usado para convencê-los a fazer o que é necessário para o bem comum. Sempre que as instituições de governo têm a sua autoridade consentida pelos governados, eles não podem funcionar sem o uso do poder ou da força. Por tal motivo, Hamilton rejeita a idéia de governar o tempo todo pela simples força da lei, como sugerem aqueles doutores políticos cuja sagacidade desdenha as admoestações da instrução experimental. Se autoridade sem força é inefetiva para os propósitos de governar, talvez sem o direito é tirania. “Onde a lei termina, começa a tirania, afirmou Locke. O uso da força sem autorização adquire a forma de usurpação ou tirania. Se este é o exercício do poder além do direito, isto é tirania. A distinção entre a legitimidade da lei e todos os domínios pela força, resta não no uso do poder, mas se o poder que é usado é ou não autorizado legalmente”.

A noção de soberania envolve considerações de autoridade e poder. A palavra é de origem medieval e feudal. Significa a supremacia de um senhor da terra, que a ninguém deve lealdade, e para quem fidelidade é devida por todos os que estão acomodados em seus domínios. Desde que a supremacia do senhor soberano é revestida de direitos legais, de acordo com os costumes da titulação feudal, soberania é vista como a união do poder com a autoridade, não como o uso evidente da força.

Os filósofos antigos não usavam o termo soberania. Mas, suas discussões da distribuição do poder político, referem-se certamente à posse da autoridade, como também ao controle da força. Aristóteles questiona, por exemplo, qual é o poder supremo do Estado: a multidão? A riqueza? O bom? O melhor homem? Lidando com o mesmo problema dos grandes escritores modernos que questionam onde a soberania reside, Aristóteles entende, que o conflito entre as constituições oligárquicas e as democráticas, é matéria que se refere à definição legal da classe de leis: onde a constituição põe todo o poder nas mãos dos homens nascidos livres, onde ricos e pobres se assemelham. Deste modo, este sentido de soberania reflete a básica diferença entre governo absoluto e limitado, ou entre despotismo e regime constitucional, guiando para a diferença entre o homem soberano e o cargo soberano. O legislador que mantém a soberania em sua pessoa é um soberano absoluto se seu poder e autoridade não são limitados pela lei positiva.

Após discutir os direitos absolutos que constituem a soberania, Hobbes conclui que:

“A grande autoridade sendo indivisível cria terreno para a opinião daqueles que falam sobre a soberania dos reis, considerando-os “singulis majores” o maior poder que qualquer um dos seus súditos, entretanto, eles são “universis minores” isto é, tem menos poder que todos os súditos juntos” Para Hobbes não há diferença que a soberania seja exercida por um homem ou por uma assembléia. Pois em qualquer dos casos não está subordinado à lei civil. Aquino, entretanto difere de Hobbes, pois acredita que a autoridade do rei é limitada pelo caráter constitucional do governo monárquico. Hobbes concebe a soberania idêntica ao governo absoluto.

Contrastando com Hobbbes e Aquino, uma República, ou um Governo constitucionalmente organizado, substitui o governo soberano pelo homem soberano. De acordo com as noções republicanas de Rousseau, nem sempre um governo é por si só soberano, exceto quando representa a comunidade política como um todo, quando soberano e soberania são revestidos unicamente como uma delegação, um emprego, no qual os governantes exercem o poder como um cargo que lhes é delegado. Desde que este poder não lhes pertence, exceto por delegação, este pode ser limitado, modificado, ou retomado por arbítrio, destituindo o direito, incompatível com a natureza do corpo social, e contrário à finalidade da associação.

A unidade da soberania não é enfraquecida pelo fato de ser partilhada entre várias autoridades, e muito menos quando o governo é dividido entre poderes como Executivo, Legislativo e Judiciário, desde que este poder derive da Carta Constitucional. Já a soberania popular, onde o povo governa sem a magnitude da lei só é possível numa pequena comunidade. Mas ainda não foi encontrado nenhum povo de relativa importância que o tenha exercido. Poderíamos aqui incluir a Autoridade Palestina? Da forma como uma soberania popular é vista por Aquino, sim. Para ele, a fim de ordenar qualquer coisa que vise o bem comum, é necessária a existência de um líder no meio do povo, que ele nomeia de “personagem pública”. E, de forma similar, o uso da força coercitiva, para revestir o povo ou o personagem público, do poder de infligir penalidades. A noção de personagem pública, da forma como Aquino usa, é aquela substituída pela representação popular. O povo, numa primeira instancia executa todas as funções de governo, e só quando for de sua conveniência delega esse poder a um, ou a um grupo para atuar em seu nome e representá-lo.

O princípio fundamental de Locke, de que o homem, sendo livre por natureza, igual e independente ninguém pode colocá-lo fora deste estado e sujeitá-lo ao poder político de outrem fora do seu consentimento, expressa a idéia da soberania popular. Isto reaparece na Declaração da Independência dos Estados Unidos, na afirmação de que, desde que os governos são instituídos pelo homem para assegurar os seus direitos fundamentais, eles deverão derivar seu poder do consentimento dos governados.

Para Hegel, o homem tem falado em soberania popular como algo que se opõe à soberania da monarquia. E ele comenta que a soberania popular é formada por noções confusas baseadas nas idéias rústicas do povo. Mas os republicanos poderiam replicar que o senso no qual eles falam de soberania popular não pode ser oposta á soberania de governo que almeja um governo constitucional e não absoluto. E a supremacia do governo permanece limitada pelo fato que todos os seus poderes são delegados e podem ser retirados ou trocados de acordo com a vontade popular.

A teoria do governo Federal, discutida no “The Federalist” e também em Mills, no “Representative Government”, contempla uma divisão de soberania, não entre o povo e seus governos, mas entre dois diferentes governos, para os quais o povo concede certos poderes. Distinguindo entre o governo de um estado nacional, e o governo de uma União federal, Madison escreve: “Para um povo estabelecido dentro de uma Nação, a supremacia está totalmente revestida pela legislatura nacional. Entre comunidades unidas por propósitos em comum, ela é revestida em parte pela legislatura nacional, e, em parte pela municipal. No caso precedente, todas as autoridades locais são subordinadas ao supremo, e talvez controladas, direcionadas ou abolidas por este, de acordo com o seu desejo. No último, as autoridades municipais formam partes distintas e independentes do poder supremo. Não são mais sujeitas em suas respectivas esferas à autoridade suprema”. O governo federal ou os governos locais extraem do mesmo reservatório da soberania popular, mas a soberania da qual cada um deriva é limitada pela definição de matérias reservadas à jurisdição de cada um. A diferença fundamental entre a condição dos estados numa federação e a condição de colônias dependentes é que o governo imperial, de forma diferente de um governo federal, clama por soberania ilimitada.

Após situar as condições de soberania do Estado em relação ao seu próprio povo, Hegel afirma: “Isto é a soberania do estado em casa. Existe um outro lado da questão, soberania frente aos Estados estrangeiros”. Hegel encontra no Estado autônomo a mais fundamental liberdade que um povo possui, e também sua mais alta dignidade. Diferente da soberania de governo que une autoridade e poder na sua jurisdição interna, Estados Soberanos nas suas relações externas podem usar a força uns contra os outros quando seus interesses entram em conflito.

Em questão de Governo, o mais importante, a saber, não se refere apenas a que forma de governo se refere, mas qual é possível. Os pensadores políticos sempre deram excelentes idéias, mas importa que o legislador não tire suas decisões de conceitos abstratos, mas que perceba o que é melhor em relação às circunstancias. Mills e Montesquieu consideram que a melhor forma de Governo enxerga as circunstancias históricas de um povo num particular momento: suas condições econômicas, seu grau de cultura, suas experiências políticas.

As funções de governo estão divididas entre Legislativo, Executivo e Judiciário. Locke adiciona o que ele chama de “poder federativo”, isto é, o poder de fazer tratados e alianças, e, em geral de conduzir as políticas externas.

Na atualidade, o aumento da Administração pública e o aumento dos planos de governo levam a dar nova dimensão às atividades de governo. Entretanto, o aumento do tamanho do Estado exige respostas no campo legislativo, especialmente no campo dos Decretos administrativos que caem fora do domínio da lei em vigor.

Se a divisão de governo é exaustiva, mais complexa ainda é a relação entre os poderes na forma como se reportam uns aos outros. Segundo Montesquieu, num sistema de poderes separados, o legislativo, por exemplo, sendo dividido em duas partes (Congresso e Senado), estes se vigiam mutuamente através do privilégio da rejeição. E são ambos restringidos pelo executivo como o executivo o é por eles. Mas a questão maior é saber o quanto um governo legal pode ser preservado de cair no despotismo. Para os americanos Federalistas, o sistema de “verificação e equilíbrios” contido na sua Constituição, projeta uma estrutura interior de governo que são suas constituintes, que pelas suas mútuas relações mantém cada uma no seu próprio lugar.

Bibliografia:

“The great ideas” Mortimer J. Adler, Associate Editor- Britannica. Inc., 1952/86

Bem e Mal

Thursday, August 30th, 2007

A teoria do bem e do mal cruza as fronteiras de muitas ciências. É de fundamental importância em todas as ciências morais, ética, economia, política, jurisprudência. Aparece em todas as ciências que descrevem o comportamento humano como a psicologia e a sociologia.

A relação do bem e do mal com a verdade e a falsidade, beleza e feiúra, captura a discussão na lógica, estética, filosofia e arte. A verdade, como tem sido falado, é o bom na esfera do nosso pensamento. Assim, podemos afirmar que a beleza é uma qualidade possuída pelo bom quando objeto de contemplação e amor.

A discussão contemporânea de bem e mal adquire uma nova terminologia onde a substituição das várias ciências morais é tratada agora como parte da teoria geral de valores sofrendo influencia do que respeita à economia.

Segunda Marx, Aristóteles foi o primeiro a analisar a forma do valor, em seu tratado sobre ética e política como uma disciplina moral.

Na evolução econômica, a palavra “bens” tem especial significado referindo-se a commodities (utilidades), como na frase “bens e serviços”. De forma generalizada, qualquer coisa que pode ser usada ou trocada tem o caráter de bem econômico, tornando-se usualmente identificada com a palavra “valor”. Portanto, o bem se transforma em algo que para ser usado ou trocado tem valor. De acordo com Adam Smith, a palavra “valor” tem dois diferentes significados: às vezes a utilidade de algum objeto em particular, outras vezes, o poder de adquirir os objetos que selecionamos como convenientes para nós. As duas distinções são conhecidas como “valor de uso” e “valor de troca”. Marx aceita esta distinção, mas acredita que aí exista uma noção mais fundamental de valor. Ele crê ser possível extrair de ambos os valores uma noção mais abstrata de todas as coisas que são fruto do trabalho.

Entretanto, seja com Smith, Marx ou Aristóteles, a teoria de valor não se refere a todo tipo de bem, mas somente àqueles que os moralistas classificam como “bens externos” ou “bens da fortuna”. Mas, recentemente, o conceito de valor tem sido estendido por economistas e outros, para a avaliação de qualquer coisa que o homem considere desejável. Como conseqüência a controvérsia sobre a objetividade ou subjetividade do bem e do mal, agora fica nos termos da diferença entre fatos e valores, ou entre julgamento de fatos e ju8lgamento de valores.

Regina Caldas 2004