Archive for January, 2008

Estrangeirismos, conseguiremos viver sem?

Thursday, January 10th, 2008

Dezembro/2007

estão querendo acabar com o uso de palavras estrangeiras no Brasil. Apenas a título de demonstrar como elas fazem parte do nosso vocabulário, criei um rápido texto usando-as da maneira mais comum possivel,  nas nossas conversas do dia-a-dia e naquilo que escrevemos.

 

Após um rápido (breakfast) fui para o meu escritório. Sentei-me diante de meu (bureau) e liguei o (abat-jour), pois o dia ainda não amanhecera. Tinha pela frente a árdua tarefa de preparar meu (budget) para o novo ano que se iniciava. Trabalho detestável, pois me sentia cansada de um (reveillon) regado à (champagne), antecedido por um (cock-tail) servido em meu (Office) e onde já me excedera nos canapés e no (armagnac de blend Hors d’age) de aroma estonteante….

 

Com meus pensamentos que retornavam á noite anterior não resisti aos reclamos das lembranças. Aconcheguei-me na minha confortável (chaise-longue), cerrei os olhos e revivi meu maravilhoso (reveillon).  

 

Eu e meus amigos saímos do (Office) direto para a (night). Após uma rápida passagem pelo São Paulo (Yatch Club)  para buscarmos dois amigos que nos acompanhariam pelo resto da noite, fomos ao (Market Plaza Center) á procura de alguns pratos especiais que dessem aquele (charm) á nossa ceia de (reveillon). (Drinks) especiais para a ocasião. Decidíramos ter como prato principal de nossa ceia algumas pastas italianas preparadas naquela maravilhosa loja (  Rostisserie La Vera Pasta), famosa por suas pastas afrodisíacas. A night pedia isto! O difícil foi a escolha do cardápio. O (buffet) apresentava pratos de origem nacional e estrangeira, todos eles incorporados à nossa cultura e em harmoniosa convivência uns com os outros…  Por unanimidade, decidimos pelo (Sorrentine) de Gorgonzola com nozes que parecia apetitoso se acompanhado pelo molho de (champagne). Para sobremesas escolhemos crepe(Suzette) e (Mousse) de chocolate preto e branco, além de alguns (sorbets) de frutas cítricas pata limpar nosso paladar. Preferimos um cardápio simples porque o dia fora de comemoração iniciando-se com um (brunch) preparado pela (Artha eventos) em nosso (Office) e seguido de alguns (coffee breaks) para matar o tempo. Mas continuando… Saímos do (shoping) em direção ao estacionamento cantando: (mangia che te fá benne…)..Talvez já estivéssemos um pouco eufóricos…Seguimos para o (Yatch club) de Guarujá onde nosso (Yatch) estava ancorado. O marinheiro estava a postos á nossa espera com tudo organizado, frutas especiais ornando a mesa de jantar e sobre o (buffet) as saladas prontas, canapés, o (réchaud) pronto para manter aquecido o (Sorrentine), a (Dom Perignon) já colocada no balde.

 

Alguns minutos mais tarde estávamos de volta para o salão do (Yatch). Vestíamos trajes brancos de tecidos vaporosos (fashion), (voil, crepe georgette, shantungs e mousselinas). (Beautiful people), exclamei! Todos riram, estavam felizes. Preparamos nossos pratinhos de canapés, nossos aperitivos e fomos nos sentar na proa. Noite linda de verão, céu estrelado e o silencio interrompido de tempos em tempos pelo ritmo das ondas que vinham de encontro ao casco do (Yatch). Até que, olhando no relógio dei-me conta que faltavam apenas alguns segundos para a meia-noite. (Hellô, beautiful people!) Chegara o momento principal do (Reveillon). Retornamos ao salão cantando Feliz Ano Novo, Adeus Ano Velho e também, por que não?  Desejando-nos (a Happy New Year, Salud, Un Brindisi!) estrangeirismos que usamos por ser o nosso Brasil um fantástico (melting pot)! Onde povos de todas as raças convivem em harmonia.

 

À esta altura de minhas lembranças dei um salto da (chaise-longue)! O tempo passara rápido e não havia desculpa justificável para que eu não entregasse á minha secretária meu (budget) com meu fluxo de caixa, pois estaria ausente do trabalho durante algum tempo e ela estava encarregada de manter minhas contas em dia. Munida de coragem conclui meu trabalho. O resto foi fácil. Pela (Internet) transferi para o (e-mail) dela o meu (budget) caprichosamente preparado no (Microsoft Office Power Point) para que ela visualizasse tudo muito bem mastigado.

 

Por volta de onze da manhã senti fome. Fui à cozinha e preparei uma rápida (omelette com champignons), um suco de (grapefruit) muito reparador e a seguir fui até meu quarto terminar de arrumar minha bagagem de viagem. Minha (sansonitte) modelo (trekking) estava lotada. Conferi meus documentos, chamei um (táxi) e fui para Cumbica. Lá cheguei  com tempo suficiente para fazer meu (check-in). Bagagem despachada, documentos conferidos restava-me aguardar a chamada para meu vôo bebericando algum refrigerante no (lounge), não sem antes passar pela Saraiva para comprar revistas e jornais. Daqui a pouco rumo á temporada de (ski) em Davos. Por que Davos? Ora! Estamos em janeiro, gosto de “sondar” os passos de nossos políticos que por lá aportam para o encontro de líderes no Fórum Economico Mundial or…(World Economic Fórum). Os nossos chegam em clima de “Pompa e Circunstância”, pois alguém já viu brasileiro perder a (pose) quando tem chance de ser capa de revista? E como os (papparazzi) estão por todo canto eles capricham no (botox), no (coat) e no tom de voz nas entradas dos hotéis, nos retaurantes (privé)

 

Comecei a brincadeira ontem e me custou os figos que estava preparando para as festas de fim-de-ano..Distraída na Internet os figos queimaram…..    

 

      

 

             

 

Marc Chagall

Thursday, January 10th, 2008

MARC CHAGALL O PINTOR..O POETA…

 

 

 

Regina Caldas

 

2006

 

 

 

Marc Chagall foi um gênio não só pela sua arte, mas como homem que exilado e condenado na Rússia, preservou em seu trabalho, na maioria inspirado na Bíblia, no Hasidim e no folclore Yddish e russo, um sentimento de paz, beleza, alegria e harmonia.

 

Chagall, para quem o azul era a cor da nostalgia de sua pátria, de seus amados, de sua Bella.

 

Chagall que amava a vida, que amava o mundo. 

 

Em 10 de junho de 1973, respondendo a uma entrevista concedida a Aleksandr Kamensky, Chagall afirmou:

 

“O Mundo é bom se você o ama. Eu amo. O amor me ajuda a encontrar a cor. Eu posso afirmar que é o amor que encontra a cor, e eu apenas a transfiro para os meus quadros. Este é o modo como eu vejo a vida. Isto é belo e terrível, estranho também, provavelmente porque eu olho para isto com os olhos do amor. Hitler, Auschwitz –isto foi terrível! Isto é o passado, mas a humanidade está sendo ameaçada hoje. Querem deixar o amor distante. Mas o amor tem sempre existido, e a cor também. Desde o início esta tem sido a mensagem do meu trabalho. Isto está comigo, é muito forte para mim.”

 

Chagall, que da janela de seu apartamento em Paris, pintava a Torre Eiffel mantendo um olhar voltado para a cidade, e o outro distante para a sua terra natal..

 

Chagall o poeta:

 

My Land

 

1946

 

Marc Chagall

 

 

Only that land is mine

That lies in my soul.

As a native, with no documents,

I enter that land.

It sees my sorrow

And loneliness,

Puts me to sleep

And covers me with a fragrance-stone.

Gardens are blooming inside me,

My flowers I invented,

My own streets-

But there are no houses.

They have been destroyed since my childhood,

Their inhabitants stray in the air,

Seek a dwelling,

They live in my soul.

That’s why I smile sometimes

When the sun barely glimmers,

Or I cry

Like a light rain at night.

There was a time

When I had two heads,

When both face where covered with a film of love-

And evaporated like the scent of roses.

Now I imagine

That even when I walk back

I walk forward –

Toward high gates,

Beyond them, walls are strewn about,

Where worn-out thunders sleep,

And broken lightning.

 

 

THE SHIP

 

Two thousand years-my Exile,

My land is just a few years old.

Young as my son David,

I crawl on my knees with spread-out hands

And seek the stars and the Magen-David.

 

The Prophets swim past me,

Moses shines to me from afar.

I have long been enraptured by his beams

And by the wind blowing from him.

 

All those years I counted the tears,

Sought you in the sky, on the earth,

Two thousand years have I waited

For my heart to calm down and see you.

 

Like Jacob, I lay sound asleep,

I dreamed a dream:

An angel raises me on a ladder,

Extinguished souls sing around me.

About the new land Israel,

About two thousand years of our Exile,

And about David-my son,

They sang sweeter than Mozart and Bach.

 

 

TO ISRAEL

 

 

Should I pray to God, Who led my people to the fire,

Or should I paint Him in image of flame?

Should I get up from my place a new Jew

And go fight along with my race?

 

Should my eyes lament without a halt,

So the tears drown in a river?

I won’t let my grief approach

When I swim to your shore.

 

And when my weary foot gropes on the sand-

I shall lead my bride by the hand,

For you to see her-the holy bride in the sky.

As I will dream with her our last dream.

 

(1950)

 

 

 

 

 


Globalização 2

Thursday, January 10th, 2008

GLOBALIZAÇÃO

 

Na China, Carrefour abre seu 1.000 hipermercado

 

 

Lê Figaro, 30/10/2006

 

 

O distribuidor francês recruta mais de 10.000 assalariados chineses por ano.

Um verdadeiro pique. Mais de 50.000 visitantes, mais de 15.000 passagens no caixa. A abertura, sábado pela manhã do milésimo hipermercado Carrefour no mundo, anunciava um cartaz. Situado à doze quilômetros do centro de Pekin, na vila de Tongzhou, foi inaugurada com fanfarra e dragões, na presença do Vice-Ministro chinês do Comércio, e de Cristine Lagarde, Ministra delegada do Comércio para o exterior. As portas foram abertas às onze horas, numa compressão que se prolongou por todo o dia. “ A abertura de um magazine é atualmente um acontecimento”, constata Thierry Hellot, responsável pelas compras alimentares em Pekin: “As coisas se acalmarão dentro de três ou quatro dias.”

 

Para a ocasião, os efetivos de segurança foram dobrados (120 pessoas), e a polícia mobilizada. Os duzentos caixas e ensacadores não conseguiam evitar as filas de espera impressionantes! Este hipermercado é o 84º  na China e o 7º em Pekin. Declarou José Luis Duran, diretor-presidente do Carrefour, certo de estar à frtente de um grande negócio francês que é bom por ser chinês na China: 99% dos 40.000 empregados são chineses.

 

12 euros por cesta:

 

Em chinês, Careefour se traduz foneticamente  por “chalefou” o que vale dizer “boa sorte e prosperidade” para a família. Os chineses gostam. Em média, eles freqüentam o seu hipermercado 50 vezes por ano, e gastam 12 euros à cada visita (20 euros em Pekin e Shangai, 7 euros em certas províncias). Sábado, o aglutinamento na área rendeu bons casos . “E a primeira vez que venho ao Carrefour confiou um cliente, com seu carro bem cheio. Eu venho porque os preços estão mais baixos pela inauguração.”                       

 

 

A pressão da concorrência fiscal européia

Thursday, January 10th, 2008

A pressão da concorrência fiscal européia

 

 

Regina Caldas

5/07/2006

 

 

 

A eleição presidencial de 2007 vai reabrir o debate sobre a política fiscal francesa. A tendência européia é baixar os impostos em especial àqueles que taxam as empresas dentro da União. Ângela Merkel, por exemplo, já anunciou que entrou na concorrência fiscal pretendendo baixar ¼ do valor do imposto sobre as empresas até 2008. Isto significa baixar o imposto sobre as empresas e sobre o aprendizado de 38,65% para 29,19% em 2008. Assim, a Alemanha conservará ou atrairá as empresas tentadas a localizar suas atividades nos países que ofereçam condições fiscais mais interessantes. É a guerra fiscal bastante conhecida por nós brasileiros.

 

Os custos não abaixam na Europa! Afirmam os experts em economia fiscal. O clube de países (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Espanha e Malta),  que se davam ao luxo de taxas superiores a 33% , após 1996 diminuíram os impostos em média de 1% ao ano para as empresas. A expectativa, segundo a analista Agnès Bénassy–Quéré, que escreveu um artigo para a Telos, a taxa média na EU baixará dos 26% atuais para 12% até 2020, e 0% em 2032. Este cenário terá conseqüências. Para financiar as crescentes despesas com os trabalhadores, os governos terão que criar outras taxas. O imposto de renda oferece poucas alternativas porque os salários ganhos pela maioria são compensados com outros benefícios concedidos pelo Estado.

 

O único obstáculo à concorrência fiscal será reforçar uma concorrência européia. Sua Comissão fiscal procura uma harmonização na base de cálculo do imposto sobre as empresas. Mesmo que os diferentes países cheguem a um acordo, o que não será fácil, alguns ficarão livres para fixar as taxas que desejarem, As empresas não se deteriorarão mais onde os benefícios fiscais são melhores atualmente, mas a concorrência fiscal persistirá. Isto não deterá a revolução fiscal em marcha, diz Lionel Fontagné. Resta saber qual será a resposta francesa.

 

Conclusão: Governos, sindicatos e trabalhadores inteligentes compreendem que o papel de uma empresa é de alta relevância para a sociedade. A empresa gera renda, cria postos de trabalho, produz bens e serviços necessários à sobrevivência e bem estar dos seres humanos. Sem a vontade e o ideal de qualquer indivíduo de investir em algum negócio o capital que amealhou ao custo de sacrifícios que se impôs (às vezes por gerações), não existe a empresa. Governos, sindicatos e trabalhadores inteligentes que pretendam sobreviver prestigiam e respeitam suas empresas e seus empresários, facilitando-lhes a permanência e atuação no mercado e considerando que o lucro que obtém é mais do que merecido.

 

 

Nota: o presente texto tem como base o artigo: “La pression de la concurrence fiscale européenne” Lê Figaro 05/07/2006

 

falta de Clareza moral

Thursday, January 10th, 2008

 

                                      Podemos imaginar o impacto causado na Inglaterra  quando o príncipe Harry, 3º na linha de sucessão do trono britânico, travestido de nazista apareceu na primeira página do jornal “The Sun”, na manhã de 13/01, com a chamada: “ HARRY THE NAZY”.  Seria inconcebível imaginar que um jovem inglês (além da grave ofensa à memória do Holocausto, Londres foi bombardeada pela Alemanha durante a II Guerra Mundial), saísse por ai exibindo o inusitado. Tratando-se do príncipe, tamanha falta de clareza moral torna-se deprimente exemplo de mau gosto e insensibilidade.

 

                                      Ao receber o diplomata cubano nomeado para representar Cuba junto ao Vaticano, o Papa João Paulo II, não deixou por menos. Num discurso durante a recepção, o Papa ultrapassou os limites do bom senso elogiando ao exagero o governo cubano. Se a Nunciatura do Vaticano não censurou tal discurso temos a permissão para crer que lhe falta um pouco mais de clareza moral.

 

                                      As conclusões que tiramos das condutas do Vaticano e do Príncipe Harry é que perderam a noção do que é certo ou errado, do que é justo ou injusto. Cada vez a Humanidade mais se compromete com atitudes de crueldade, onde os interesses pessoais ou de grupos, sob o signo da mais absoluta indiferença, passam por cima do sofrimento alheio, e faltam com o respeito à dignidade do ser humano.

 

                                       Durante séculos temos procurado caminhos que nos conduzam a uma convivência melhor, debruçando-nos sobre as ciências humanas a fim de aperfeiçoar o Direito e a Justiça, mas parece que as nossas atitudes continuam selvagens desde e para sempre. Permanecemos encurralados num mundo onde peregrinamos sem rumos claros, privados da consciência do bem e do mal. Aonde chegaremos?

 

                                         Pela demonstração de solidariedade que a Humanidade deu diante do Tsuname que assolou 12 países asiáticos e africanos ceifando as vidas de mais de 150.000 pessoas, além da destruição de cidades inteiras, talvez possamos concluir que uma resposta de solidariedade para com o semelhante, só encontra eco em nossos corações quando uma tragédia muito visível nos fragiliza.  Caso contrário, não reagimos com a devida indignação a gestos de crueldade que continuamente ocorrem dentro das sociedades, não cobramos justiça e indiferentes ao sofrimento alheio, continuamos a viver as mediocridades do nosso dia-a-dia. Somos coniventes quando nos falta a necessária clareza moral que nos dê o sinal de alerta, sempre que nosso alheamento simboliza o consentimento para a prática do mal.     

 

                                          Cada vez mais vivemos entre as sombras. Entramos em acordos com nossos semelhantes sem considerarmos qual o preço que outros pagarão por isto. Como afirmou Locke: “Quem não pensa ser estranho um tratado de acordo onde o poder estabelecido com o mais pobre se assemelha ao cordeiro que sem resistência oferece seu pescoço para que o lobo arrogante o dilacere?” De forma semelhante, nosso silencio diante das injustiças, entorpecendo nossas mentes nos torna reféns do mal. No caminho que trilhamos, abandonamos a posse da consciência individual em nome de acordos coletivos que aparentam serem os melhores, quando, no entanto, sob a ótica da clareza moral, não passam de mera conivência com o exercício do poder do mais forte sobre o mais fraco. E, no caso da falta de clareza moral, o nosso acordo tem sido com o silencio.        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não ser…

Thursday, January 10th, 2008

NÃO SER

 

 

Fugi do caminho nem me lembro quando!

Talvez naquela manhã enquanto o albor da primavera

Sufocava-me a razão.

Eu insensata, não querendo aguardar um instante mais,

Subjugando a prudência, lancei-me de corpo e alma,

Naqueles desvios das estradas.

 

Desde então que loucura viver!

Viver e não ser!

Na calmaria dos finais de tarde,

A esperança de que chegue o alento.

E no instante perdido,

A vida que passou.

Nas mãos, um punhado de cinzas,

Basta um sopro,

E adeus a todas as lembranças.

 

Nada restou de você,

E o meu espaço se tornou pequeno.

Angustia que explode numa lágrima!

 

PUTIN

Thursday, January 10th, 2008

Putin: reabilita o passado comunista

 

Lê Figaro

02/08/2007

 

A Rússia de Vladimir Putin parece tentar drenar do período soviético uma forma de legitimidade e de continuidade. 

Em nome do “patriotismo”, as autoridades se voltam para a ressovietização da história do país, com o risco de perpetuar os métodos criminosos do regime comunista. 

Um vento revisionista sopra sobre a Rússia de Putin e seu retorno à história comunista. Prova que, como disse Orwell “nada é mais imprevisível que o passado”. Durante um reencontro em junho, com especialistas em ciências humanas, Putin julgou que a história da URSS teve “menos páginas negras que aquela dos USA”, e que “as repressões estalinistas foram menos terríveis que a guerra do Vietnam ou o nazismo”. “Nós não temos utilizado armas nucleares contra a população civil”, numa alusão ao bombardeamento de Hiroshima pelos USA, complementando que a Rússia não  “ espalhou agentes químicos por milhares de quilômetros de bordas”, como foi o caso no Vietnam, “nossas páginas negras não foram entretanto terríveis”, insistiu o presidente que, em nome  de um estranho relativismo histórico, prega uma aproximação “patriótica” da história. 

A mensagem é clara. Questão de condenar o totalitarismo comunista e suas milhões de mortes como desejou seu antecessor Boris Yeltsin, que sonhou com um tribunal de Nurenberg do comunismo, antes de renunciar no final de 1992, sob a pressão da nomenklatura ex-soviética. Longe de querer exorcizar os demônios totalitários, a Rússia de Putin parece ao contrário tentar drenar do passado comunista uma forma de legitimidade e de continuidade, sob o risco de perpetuar seus métodos criminosos. 

Vemos atualmente ressurgir os métodos esquecidos. Exemplo: o súbito confinamento a quatro dias, da jornalista russa Larissa Arap, punida por ousar denunciar os maus tratos infligidos às crianças de um hospital psiquiátrico. A Rússia não tem jamais feito sua “mea culpa” pela utilização repressiva deste tipo de estabelecimento pela URSS. Além disto, filmes e livros “patrióticos” subestimam os crimes de Stalin, para enfatizar seu papel de vitorioso do nazismo. A cada ano, o “dia do Tchékiste”, (nome histórico dos oficiais da polícia secreta), é celebrado com a participação do presidente, enquanto que o 70º aniversário do terrível ano de 1937, não é objeto de nenhuma manifestação oficial. 

A inquietação dos cientistas é tangível. 

Vindo de Vladmir Putin, ex-oficial da KGB e admirador do fundador dos serviços secretos comunistas, Felix Dzerjinski, de quem ele tem um busto no Kremlin desde sua chegada, este movimento de pêndulo é um pouco espantoso. O presidente russo declarou um dia que o colapso da URSS foi a maior catástrofe do século XX. Mas este retorno para trás, traduz, entretanto o estado de espírito geral duma população órfã dos sonhos comunistas.   “A Rússia não pode encarar o passado, é muito cedo, muito passional, sublinha o polítólogo Fedor Loukianov. 

Esta paixão sacraliza a história comunista. Ela está em vias de destruir o espírito da notável “revolução dos arquivos” que foi disciplinada sob Gorbatchev e Yeltsin. No local do “Memorial”, uma ONG dedicou uma lembrança às vítimas do comunismo, a inquietude é tangível. Nos corredores congestionados de papéis, onde o ambiente familiar relembra a época dos dissidentes, um pequeno grupo de historiadores executa um trabalho sobre-humano de classificação de milhões de vítimas, demovendo pequenas fichas. A organização tem consciência de ser daqui para frente perseguida como um inimigo. “Somos tratados como  marginais, que remove as más lembranças e divide a nação”, suspira o historiador Nikita Petrov. 

Os Fundos para a Democracia, do falecido Alexandre Yakovlev, número dois do Politburo sob Gorbatchev, apesar de estar aparte do debate público, continua a publicação de artigos inéditos sobre os grandes crimes do comunismo (mais de cinqüenta volumes, já foram publicados). Entretanto quando vivo, Yakovlev único homem da hierarquia soviética a se arrepender publicamente por ser membro da organização criminosa do PCUS, foi acusado de ser um traidor. Sua filha possui sua obra de memória enrolada em bobina (catimini) 

Outro exemplo: o velho diretor do Instituto dos Arquivos, Iouri Afanassiev, fundador da Universidade Humanitária de |Moscou, deixou seu posto em 2006, por ter sido financiado pelo ex-petroleiro Mikhail Khodorkovski, atualmente encarcerado na Sibéria. As pressões não são diretas, fazem entender que seria melhor sair… Afirma o historiador Nikita Petrov, que observa: “um acesso cada vez mais restrito aos arquivos…”.E “a volta de uma história mitológica”. 

O mesmo pessimismo afeta o cineasta Nikolai Dostal, que constata que “Os numerosos filmes ficam suspensos se não estão de acordo com a ideologia patriótica. Seu último filme sobre a vida do grande escritor dos campos, Varlam Chalamov, reflete o terror do século de Lênin foi, entretanto divulgado pela primeira vez em junho na televisão”. 

Nenhuma pressão do poder 

Os otimistas deduzem que as coisas não são tão catastróficas. Para o Fundo do russo no estrangeiro, notadamente, uma espantosa instituição criada sob o patrocínio de Alexandre Soljenitsyne, se diz confiante: “quem poderia imaginar que um centro traduza para a Rússia a memória de sua emigração pudesse vir à luz!”, se entusiasma o diretor Viktor Moskvine. 

Num belo imóvel colocado à disposição pela prefeitura de Moscou, milhares de peças de arquivo estão retornando, especialmente da França. Os Fundos, que possui sua própria editora, tornaram-se uma colméia que permite reconstruir o quebra-cabeça da aventura humana e política dos emigrados, um lado da história no qual a Rússia foi amputada. “Não sentimos nenhuma pressão do poder, ao contrário, assegura Moskvine. Ele garante que o patrocínio de Soljenitsyne assegura aos Fundos uma legitimidade” patriótica “aos olhos do Kremlin. O escritor foi condecorado em junho por Putin. Não menos paradoxal que ver o grande adversário*do totalitarismo comunista se encontrar às costas dum poder russo que ressovietiza sua história”. 

Soljenitsyne escreveu o famoso livro “Arquipélago de Gulag” relatando como funcionavam os campos de concentração russos e os trabalhos forçados. 

Tradução “Lê Figaro”: Regina Caldas

 

 

Tony Blair expõe em Bruxelas sua visão européia

Thursday, January 10th, 2008

mais uma da CE


 

TONY BLAIR EXPÕE EM BRUXELAS SUA VISÃO EUROPÉIA

26/06/2005

Tony Blair retorna a Bruxelas. O tumulto de um Conselho Europeu, particularmente turbulento, na última semana, ainda não desapareceu completamente da capital belga. Mas, a breve estadia do primeiro-ministro, hoje, se anuncia mais tempestuosa. O Sr Blair é de um humor pacífico. Ele vem, de acordo com o costume, expor aos euro-deputados, o programa que ele pretende usar a partir de primeiro de julho, durante a presidência britânica semestral da Europa.

Que programa! Nada mais que a reforma estrutural do budget da EU, que, segundo Blair, não se adapta mais às exigências do século XXI. Onde o futuro da União está em jogo. Prioridade à reforma seria o leitmotiv britânico? O terreno da política agrícola comum (PAC ), que redistribui 40% das finanças européias à 5% da população ativa, geram apenas 2% do PIB. Existe ai uma aberração a ser corrigida com urgência, pois a Europa não pode atender mais dez anos assim, antes de se adaptar aos desafios da globalização.

Na perspectiva de uma reforma, Londres está disposta a colocar 3 milhões de Libras por ano sobre a mesa. É uma anomalia que deve desaparecer, reconhece o primeiro ministro.

24/06/2005 BLAIR DEFENDE SUA VISÃO DE UMA EUROPA MODERNA:

]Blair, que se diz um europeu apaixonado, esteve ontem pacificando a EU sem entretanto abrir mão de sua visão de uma Europa modernizada. Diante do Parlamento Europeu, o primeiro-ministro britânico exortou seus dirigentes a modernizar o modelo social, e a parar de se insultarem. Ninguém pode acusar de traidores aqueles que desejam mudanças na Europa, visando especialmente o primeiro-ministro luxemburguês, Jean Claude Juncker, que vem sabotando o debut do mandato britânico. Após o não francês e holandês no referendum, e das falhas nas negociações do budget, os europeus querem ver suas vidas melhorar, eles estão dando o sinal de alarme, e é tempo de se revelar. Aos olhos de Blair, o modelo social europeu, não é mais único. Ele deixa 20 milhões de desempregados fora da corrida, enquanto que, ao mesmo tempo, a Índia fabrica mais diplomas que o velho continente, e, a China triplicou seus gastos de pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos.

A meta de nosso modelo social deve ser de reforçar nossa competitividade e ajudar as pessoas a fazer face à globalização. A Europa não sofre de uma crise das instituições, mas uma crise de liderança política. Procurando demolir a caricatura da filosofia de mercado anglo-saxão, ele falou que a Inglaterra acrescentou investimentos nos serviços públicos nos últimos cinco anos mais que todos os outros países europeus. Citou a luta contra a imigração ilegal e o terrorismo, e apelou para um reforço da capacidade de defesa européia.

Tradução de artigo do Le Figaro: Regina Caldas

Sonho Irreal

Thursday, January 10th, 2008

Sonho irreal

Regina Caldas

26/06/2006

Tuas asas batem em direção a outros crepúsculos,

Sigo teu rastro no inútil sonho de te alcançar.

Quando finda a tarde, cada tarde,

Meu coração freme na vã esperança

De te encontrar na linha do horizonte.

Enquanto os raios de sol jogam fugidia luz

Sobre tuas asas aventureiras

Meu olhar se perde na vã tentativa

De que teu vôo enfim

Encontre a paz no ninho que te ofereço.

És um sonho irreal,

O acalanto de um coração teimoso

Que se engana a cada final de tarde

Tecendo o fio da esperança,

O elo que me une a ti e me faz infeliz.

Sob quantos crepúsculos estendi minhas mãos

Tão próximas e tão distantes das tuas asas,

Asas aventureiras, desassossegadas,

Buscando o descanso que não encontrarás em outros ninhos.

Qual de nós vive um sonho irreal?

Ultrapassando os limites do bom senso….

Thursday, January 10th, 2008

Ultrapassando o limite do bom senso

Regina Caldas

 

 

 

         No jornal eletrônico “PrimeiraLeitura” ,  de 6/-5/2005 o jornalista  André Soliani informou  que no Itamaraty, a última versão da Declaração de Brasília, o comunicado final que será  assinado pelos 34 paises participantes da Cúpula América do Sul-Paises Árabes, vai pedir que Israel desocupe Jerusalém Oriental, além de exigir a retirada das tropas de Israel da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

 

          Jerusalém é a capital do antigo reino de David e Salomão. E muito anterior ao rei David (3º milênio a.C.) , a arqueologia identificou o local com Salém, capital de Melquisedec (Gen 14.17). Por volta de 1.400 a.C., a cidade foi dominada pelos jebuseus que a chamaram de Jebus. Mas, em 1058, o rei David a resgatou (Sião) e a fez capital da Palestina, ai introduziu a Arca da Aliança, delineou um projeto para a construção do Templo sobre o Monte Mória, edificado mais tarde por seu filho, o Rei Salomão. Nos séculos que se seguiram a cidade foi várias vezes atacada, e, numa destas vezes, o profeta Isaias advertiu o rei de Jerusalém que a cidade seria protegida por Deus. Em 586 a.C., Nabucodonosor, rei da Babilônia, arrasou a cidade, destruindo o Templo. Só em 536, Ciro, rei da Pérsia permitiu aos descendentes dos judeus capturados por Nabucodonosor, que retornassem para reconstruir Jerusalém. Em 444 a.C., o Templo estava reconstruído e as muralhas à volta da cidade prontas. Mais tarde, com as conquistas de Alexandre magno, Jerusalpem caiu sob o domínio grego que perseguiram os judeus, profanaram o Templo sob o reinado de Antioco IV. Por volta de 165 a.C., os macabeus rebelaram-se e conseguiram restaurar a independência judaica. Em 63 a.c., Pompeu tomou a cidade que foi governada por Herodes e seus descendentes que reconstruíram o Templo. Na história do Novo testamento, a cidade está ligada a Jesus Cristo, onde se desenrolaram os acontecimentos da Sua Paixão,  Morte e Ressurreição. Como predisse Jesus, a cidade foi novamente inteiramente destruída pelos romanos em 66-70 d.C., mas novamente reconstruída pelo Imperador Adriano, em 135 d.C., e, em 637 d.C., foi tomada pelos muçulmanos até a primeira grande guerra mundial, sem que, entretanto Jerusalém ficasse totalmente fechada aos peregrinos. Aos poucos, Jerusalém foi se abrindo aos peregrinos, tornando-se uma cidade espiritual para judeus, cristãos e muçulmanos. Segundo São Paulo, Jerusalém simboliza a Aliança de Deus com a Humanidade.

 

          Um país como o Brasil, que almeja fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, deveria conhecer em profundidade a Carta das Nações Unidas e respeitar todos os seus artigos. Desde a sua fundação, as Nações Unidas assumiram responsabilidades perante as disputas entre árabes e judeus pela Palestina. Em novembro de 1947, a Assembléia Geral da ONU, pela Resolução 181, aceitou a partilha da Palestina entre judeus e árabes, e, a internacionalização de Jerusalém que ficaria administrada pelas Nações Unidas. Israel rejeitou esta internacionalização, por saber que muitos países católicos da América do Sul estavam unidos ao bloco dos países árabes na ONU. Mas aceitaram a partilha da Palestina entre judeus e árabes, pois o fato criava o conceito de reconhecimento por parte da ONU, do direito do povo judeu de ter seu próprio estado, apesar daquela entidade não possuir capacidade legal para tanto, o que cabe à outros estados, não à ONU. De qualquer forma, a ONU em verdade falhou no cumprimento da Resolução 181, quando deixou de defender Jerusalém dos invasores árabes, e tentou fazer com que Israel saísse da Jerusalém Oriental e devolvesse a Velha Cidade para os jordanianos. Os dilemas históricos sobre a ocupação de Jerusalém por judeus, cristãos e muçulmanos, são visíveis na Resolução 242, existindo até ambigüidade na versão do texto do inglês para o francês. Neste caso, a versão original, em inglês, afirma que Israel deve se retirar dos territórios que foram ocupados e não de “todos” os territórios. E a resolução 242 mostra claramente que as bordas das quais Israel tem que se retirar tem que ser definidas em tratados de paz envolvendo Israel e seus vizinhos. Desta forma, é sem sentido e até um absurdo, que o Brasil pretendendo tornar-se parte do Conselho de Segurança da ONU, assine a tal Declaração de Brasília, ilegal perante a Resolução 242, e que não deixa de ser um arrogante ato de força. Será que outros membros da ONU, aos quais o Brasil tem pedido apoio para ser indicado para o Conselho de Segurança, vêm com bons olhos tamanha falta de tato da diplomacia brasileira?       

 

           Nosso país pretende liderar blocos de países pobres e alguns dos emergentes. Até ai tudo bem, é muito natural que almejemos nos colocar á frente de outras nações, especialmente se pretendemos colaborar na busca de soluções para os conflitos que jamais terminam em meio à humanidade. Mas, é bom que se saiba que o primeiro passo que se dá em direção ao exterior inicia-se através dos interesses comerciais. Não é possível querer fazer tudo de uma só vez. Tramitações de comércio externo já são complicadas e bastante delicadas para serem firmadas e gerarem a prosperidade que todos pretendem através da transação de bens. O Brasil poderia entender esta regra tão simples e se dedicar arduamente à ampliação de nossas relações comerciais com outros povos. E poderia deixar para o futuro, quando alcançarmos maturidade econômica, nossas pretensões de liderança política, que certamente virão no bojo do comércio. Caso contrário, nem comércio externo afluente, nem política externa influente, pois como dizem os antigos “quem tudo quer, nada tem!”