Archive for March, 2008

A queda de Edward Barnard (Somerset Maugham)

Monday, March 17th, 2008

Trasncrição de um diálogo contido neste conto:

Edward to Bateman:

” When I saw you this morning, Batemam, I seemed to see myself as I was two years ago. The same collar, and the same shoes, the same blue suit, the same energy. The same determination. By God, I was energetic. The sleepy methods of this place made my blood tingle. I went about and everywhere I saw possibilities for development and enterprise. There were fortunes to be made here. It seemed to me absurd that the copra should be taken away from here is sacks and the oil extracted in América. It would be far more economical to do all that on the spot, with cheap labour, and save freight, and I saw already the vast factories springing up on the island. Then the way that they extracted it from the coconut seemed to me hopelessly inadequate, and I invented a machine which divided the nut and scooped out the meat at the rate of two hundred and forty an hour. The harbour was not large enough. I made plans to enlarge it, then to form a syndicate to buy land, put up two or three large hotels, and bungalows for occasional residents. I had a scheme for improving the steamer service in order to attract visitors from California. In twenty years, instead of this half French, lazy little town of PapeeteI saw a great American city with ten-story buildings and street-cars, a theatre and an opera house, a stock exchange and a mayor”

“But go ahead Edward”, cried Bateman, “You’ve got the ideas and the capacity. Why, you’ll become the richest man between Australia and the States.”

“But I don’t want to”, Edward said.

Bateman: “Do you mean to say you don’t want money, big money, money running into millions? Do you know what you can do with it? Do you know the power it brings? And if you don’t care about it for yourself think what you can do, opening new channels for human enterprise, giving occupation to thousands. My brain reels at the visions your words have conjured up.”

Edward: ” My machine for cutting the coconuts will always remain unused, and so far as I’m concerned street-cars shall never run in the idle streets of Papeete. It came upon me little by little, I came to like the life here, with its ease and its leisure, and the people, with their good-nature and their happy smiling faces”.

cabe ao leitor tirar suas conclusões.

W. Somerset Maugham (comentário de um de seus contos)

Saturday, March 15th, 2008

William Somerset Maugham ( 1874-1965) Novelista ingles que usava material de forte apelo popular, embora seu trabalho seja reconhecido pelas sátiras, economia de palavras e excelente elaboração. Sua primeira novela “Liza of Lambeth” foi inspirada durante suas experiencias como médico interno em uma favela inlgesa. Sua reputação iniciou-se com suas comédias. É lembrado pela sua capacidade de imergir o leitor na ação narrada em suas histórias. Muitos de seus contos vividos nos trópicos foram estudos de casamentos mixtos, diferenças de classes e os efeitos do estresse que o clima causa nas pessoas. Foi agraciado com a Ordem do Mérito. Abaixo um resumo e pequena anãlise de seus melhores contos.

RAIN

Mr Macphail retorna de suas longas férias. Enquanto fuma tranquilo seu cachimbo confortavelmente acomodado em sua poltrona, de onde observa a chuva e sua esposa que faz companhia ao casal Davidson. Mr. Macphail e Mr Davidson são médicos e missionários. A intimidade entre eles é aquela imposta pelo tédio de uma travessia de navio onde se identificam por execerem as mesmas funções.

A viagem chega ao seu final, e o navio está prestes a aportar em Pago-Pago. No aguardo da chegada, os casais passam o tempo tecendo críticas àqueles que gastam as horas no navio em frente as mesas de jogos ou ouvindo músicas que classificam de indecentes.

Mr Macphail observa as expressões faciais de sua esposa que conversa com Mrs Davidson. Uma conversa que se prolonga por mais de duas horas. Na manhã seguinte, Mrs Davidson completa suas críticas aos nativos das ilhas onde ela e o marido são missionários, quando afirma para Mrs Macphail: ” eu concordo com meu marido quando diz que não entende como um homem fica traquilo ao ver sua esposa nos braços de outro homem. Mas para os nativos a dança é uma outra história não só imoral por si mesma, mas também porque leva à imoralidade. Em nossa missão ninguém mais dançou nos ultimos oito anos…”

O navio aporta e todos festejam. Os nativos vem de todas as partes, seja por curiosidade ou para vender suas frutas, colares de conchas e dentes de animais além de outras bugigangas. Os missionários tomam conhecimento das novidades, como uma epidemia de sarampo entre os Kanakas, com um caso fatal. Por telegrama chega um comunicado de que a escuna não poderá prosseguir viagem até que a epidemia termine. Os missionários são levados para uma casa onde alugam quartos. Miss Thompson também chega na casa em busca de acomodação acompanhada de um negociante. Mr Macphail os observa enquanto negociam o preço do quarto com, o dono da casa. E ele admira a capacidade que Miss Thompson demonstra ao negociar, pois está acostumado a pagar sem questionar.

Já no primeiro dia de estadia forçada em Pago Pago, quando o som de um gramofone chega até o refeitório. Daí o retorno à crítica ao estilo de música tocada no navio que leva os missionários a comentários sobre o modo de se vestir e às danças dos nativos das missões onde trabalham. O casal Davidson se revela intransigente. A depravação dos nativos com suas danças imorais e suas roupas que expõe seus corpos simboliza o pecado.
Os nativos são pecadores, embora não tenham noção alguma de que o sejam. Nestas regiões tropicais de calor infernal não se encontra uma única moça boa. e para que os nativos entendam o que seja o pecado é preciso lhes impor castigos pelas suas faltas. Cada pecado precisa ser remido com dinheiro ou com trabalho. E assim eu os faço entender, afirma Mr Davidson. -”Mas e se eles se recusarem a pagar?”, pergunta Mr Macphail. -” Precisa ser um homem muito corajoso para enfrentar meu marido, conte para ele a história de Fred Ohlson”, fala Mrs Davidson dirigindo-se ao marido que acede ao pedido.

” Fred Ohlson foi um negociante dinamarquês que residia na ilha por muitos anos e era muito rico. Ele não ficou muito feliz quando chegamos. Ele fazia as coisas funcionarem a seu modo. Pagava os nativos em bens e whisky. Sua esposa era nativa, ele lhe era infiel além de bêbado. Dei-lhe uma chance para se converter, mas riu de mim. Após uma pausa, Davidson concluiu: -”em dois anos ele tornou-se um homem arruinado. Perdeu tudo o que possuia. Eu o quebrei, e ele teve que vir a mim como um mendigo pedir que lhe arrumasse uma passagem para ir embora para Sidney.”

Em seguida Mrs Davidson comenta que seu marido é inteiramente dedicado à salvação daquelas almas pecadoras. E como médico, jámais mediu esforços para atender doentes em qualquer daquelas ilhas, muitas vezes colocando a vida em risco. E Mr davidson conclui: – “Tenho que me colocar em risco, pois se poço aos nativos que se coloquem nas mãos de Deus e confiem nele, tenho que dar o exemplo”…

A chuva continua. E do quarto de Mrs Thompson misturada a vozes masculinas o som das músicas indecentes aborrecem o casal Davidson. Num certo momento Mr Davidson se levanta e vai até o quarto de Miss Thompson. -”Vai fazer o seu trabalho”, comenta Mrs Davidson….Momentos mais tarde o missionário retorna frustrado. Foi ignorado por Miss Thompson, o que para ele soa como um desafio. E promete à esposa e ao casal que envidará todos os seus esforços para converter a moça. a partir de então o missionário faz várias incursões ao quarto de Miss Thompson, mas por suas queixas só ouve por parte da moça ironias e xingamentos. Até que, certa dia, a moça chama em seu quarto Mr Macphail . Quer ve-lo com urgencia, está muito doente. O missionário atende o pedido e fica sabendo que Mr Davdson esteve com o governador e conseguira que ela fosse deportada. Ela estava desesperada, não queria retornar aos Estados Unidos. Que ao menos lhe dessem uma chance de aguardar mais uma semana e pegar o navio para Sidney. Fez com que Mr Macphail se comprometesse de levar sua suplica ao governador. Ele vai, mas o governador se mostra intransigente. E quando retorna à hospedaria desagrada-lhe perceber no olhar de Mr Davidson um ar de vitória como se já soubesse de todo o acontecido.

Mr Macphail vai ao quarto de Miss Thompson para lhe contar o fracasso de sua intercessão, e o desespero da moça é tanto que ele lhe pergunta se o medo dela de retornar aos Estados Unidos seria por ter fugido da prisão. Ela confirma a suspeita, e diante desta circunstãncia o missionário crê ser desumano deportá-la. Vai discutir o assunto com Mr Davidson que implacavel concluiu que neste caso ela deve aceitar a deportação e as punições na prisão como uma prova do amor divino. Ela pecou tem que pagar , única forma de se redimir de seu passado. O fato leva Mr Davidson a passar grande parte de seu tempo no quarto da moça, e á cada retorno junto aos seus dá noticias de que está conseguinda da pecadora o arrependimento e a conformação com sua deportação. Chega o dia em que ela deverá tomar o navio para os Estados Unidos. E logo pela manhã batem na porta do quarto de Mr Macphail. Ao lado de um bando de nativos ele é conduzido até um despenhadeiro. Lá em baixo no mar boia o corpo de Mr Davidson. o missionário está morto e resta agora comunicar o fato á sua esposa e à Miss Thompson. Mr Macphail tomas as providencias para o funeral do amigo, dá a notícia a Mrs Davidson e a seguir bate na porta do quarto de Miss Thompson. A jovem ouve música com a poprta do quarto aberta e com um marinheiro ao seu lado. Já não tem aspecto de doente, está com o rosto pintado e um largo sorriso nos lábios escarlates. Mr Macphail pede que ela desligue o som e entra atrás dela no quarto. “O que voce fez miserável?” Ninguem pode descrever a expressão de desprezo ou de contido ódio da resposta que ela deu a Macphail: ” Vocês homens, obscenos, porcos sujos! Voces são todos iguais, porcos, porcos!”

Dr Macphail suspirou. Ele entendeu……

Rain é considerado um dos melhores contos de Maughan. Os diálogos revelam a forma como nos comportamos em relação ao nosso semelhante. Pensamos e agimos certo, enquanto o outro é o errado. Arrogantes impomos nossos pontos de vista, e se somos revestidos de poder não toleramos que o outro haja fora dos nossos padrões. Esta é uma das piores falhas do caráter humano. Talvez já no primeiro capítulo da Biblia, aquele que trata da criação do Homem, confundimos para sempre a afirmação de que Deus fez o Homem à Sua imagem e semelhança. Não, isto afrontaria as nossas pretensões. Pois para a nossa arrogãncia, soa muito mais legítimo que nosso semelhante seja o reflexo do que somos em nosso íntimo. E como não somos boa coisa enxergamos nosso caráter no outro. dai a origem de nossas críticas. O que faz Mr Davidson? Ele é o dono da Verdade e portanto se arroga o direito de violar a inocência do outro, no caso, dos nativos com os quais trabalha. Ele transfere sem o menor pudor suas malícias e seus pecados para os nativos que comungam sua inocencia com as leis da natureza. não só transfere, mas impõe sua noção de pecado usando a violència e qualquer meio desonesto para “salvar aquelas almas”….E no final do dia, de cara limpa estuda e discute a biblia com sua mulher porque isto “faz muito bem à alma”….como Mrs Davidson afirma. Cego não enxerga um palmo além do próprio nariz, sequer entende que sua temeridade quando enfrenta mau tempo e situações de risco par atender pacientes em ilhas distantes seu comportamento é temerário. Póe em risco a ´própria vida e as vidas daqueles que o acompanham nestas missões. Há virtude nisto? Não. Quando ultrapassamos os limites do bom senso falhamos.Falhamos até em entender que o mandamento máximo “ama teu próximo como a tí mesmo” nos dá a primazia na Lei do Amor. Também na Lei da Transformação. Primeiro o amor por nós mesmos e junto a transformação do nosso caráter. É a partir daí que passamos a enxergar o amor e as virtudes no nosso semelhante. Pois não o vemos como um reflexo daquilo que somos em nosso íntimo?