Archive for June, 2008

Resposta de uma amiga ao texto “Um vestido vermelho de baile”

Sunday, June 29th, 2008

Vestidos de todas as cores: querida que lindo! fiquei mesmo emocionada! Sabe todas nós já tivemos um vestido…vermelho na vida…ou a vida toda. ..Um sonho, o vestido de noiva trocado por um casamento sem festas, um vestido branco de debutantes …para dançar com quem não apareceu, o de veludo preto!! de uma mulher feita , e que alguém nem percebeu…E fomos vivendo. Hoje, não importa a cor do vestido, ousamos sonhar. E isso é o que vale! MSOA

Um vestido vermelho de baile

Sunday, June 29th, 2008

12/01/1965

 

 

Um diáfano véu de sereno dá à noite um ar de mistério e de quietude. Além do clube de campo, as luzes noturnas parecem estrelas aprisionadas pelos cactos e palmeiras que ornam o jardim. Vaidosa pelo belo vestido que veste, Andréia caminha pela alameda florida aspirando o perfume dos manacás. A noite é de festa, e ela espera fazer sucesso no salão de danças. Ninguém ainda chegou, ela veio cedo e por alguns momentos seguirá tranqüila pela trilha que leva até a beira do lago. Deixará que o frescor da noite acalme sua ansiedade antes da festa ter início. Encontra um envelhecido banco de madeira acostado no tronco de uma árvore e senta-se. Seus pensamentos se voltam para Henrique. Planeja a chegada de seu amor, enquanto olha demoradamente os contornos das matas além do lago. Romântica, deixa que a imaginação traga seu enamorado para junto de si. Ele surge das matas, levita sobre o lago, aproxima-se e lhe estende as mãos. Levanta-a, toma-a nos braços e dançam ao som dos suaves acordes que a brisa traz. A natureza improvisa uma orquestra com o murmúrio das ondas do lago agitadas pela brisa, o farfalhar das folhas que caem ao solo intercalados pelos acentos agudos dos pássaros noturnos. Andréia reclina-se sobre o ombro de Henrique que a envolve com ternura, e espera pelo tão sonhado beijo que dará á noite o toque de magia. Movida pelo sonho, a jovem se levanta e se põe a dançar. Seu vestido esvoaça e acompanha os movimentos de seu corpo. Suas mãos entregam-se a gestos de carinho nas faces de Henrique. Ela flutua entre as nuvens. Está apaixonada!

O tempo passa. De longe uma cascata de sons desperta Andréia de seus devaneios. O baile começou. A jovem se dirige ao salão, e tímida segue devagar a procura de apoio nos amigos. Encontra Marina. Seu belo vestido chama atenção e atrai elogios:

-“ Você está linda Andréia! O vermelho lhe cai bem!”

Andréia relembra o quanto lhe custou em tempo e dinheiro o desejado vestido.

Certa tarde, enquanto aguardava atendimento no consultório de seu dentista, folheava revistas de moda. Uma delas, Vogue, era sofisticada e feita em papel acetinado. Nunca se cansava de folhear tais revistas, beleza demais a engendrar sonhos e desejos secretos em sua cabecinha juvenil. Naquele dia as páginas exibiam desfiles de moda, páginas e páginas que a transportaram para um mundo que talvez jamais conheceria ao longo de sua vida. Numa destas apaixonou-se por um longo vermelho cereja, tafetá ondulado, decote bateaux preso sobre os ombros por um pequeno bouquet de pérolas. Como as festas de fim de ano se aproximavam, discretamente ela arrancou a página e a guardou em sua bolsa. Tempos depois saiu à procura do tecido. Não o encontrou nas lojas da cidade. Encomendou-o à uma tia residente na capital. Logo o correio lhe entregou a encomenda, e a seguir ela viveu momentos que tanto agradam às mulheres: agendar hora com a modista, as várias provas, o vestido no guarda-roupa e a espera de usá-lo.

Quase meia-noite. Nada de Henrique. Para não perder o momento de sua chegada, Andréia recusa convites para dançar e permanece quieta em seu canto, com os olhos fixos na larga porta de entrada do salão. O tempo passa, ela procura desculpas para a ausência do amado. Imagina-o na estrada, acidentado talvez, e sente a garganta sufocada pelo receio que isto seja verdade. De repente seu coração se acelera, Henrique chegou! Desacompanhado, impecável como sempre, olhinhos alegres que perscrutam o salão. A inquietação atormenta Andréia. O rapaz parece não vê-la. Impossível! Seu vestido vermelho chama a atenção, conclui.

A orquestra inicia uma série de blues. “Savoy blues”, “ That’s when I’ll come back to you”; “My heart”; “You’re next..” Uma seqüência de melodias românticas que qualquer casal apaixonado gosta de dançar juntinho e manifestar com gestos de carinho o que um sente pelo outro. Andréia cerra os olhos e espera que Henrique venha convidá-la para dançar. Mas ele não se aproxima, ela reabre os olhos. Ele está á sua frente e dança com outra! Que imagem dolorosa, que sentimento de frustração. Lágrimas turvam sua visão, como se assim evitasse vê-lo nos braços de outra. Afasta-se discretamente do salão e vai para o terraço. Ninguém está ali, ninguém bisbilhotará suas lágrimas. É o cantinho ideal para chorar sem ser vista. Com o rosto entre as mãos, ela não percebe a aproximação de Henrique. Ela chorava, poderia lhe dizer por que? Ela não lhe dá resposta e ele se despede com um leve gesto de adeus.

A noite recende ao perfume das madressilvas. Andréia respira fundo o penetrante perfume das flores e suas mãos deslizam trêmulas sobre o tafetá de seu vestido. Seu pensamento tenta se agarrar aos momentos em que esteve á beira do lago quando delirava fantasias de amor. Tudo ilusão, ela sabe que a noite acabou. Sem se despedir dos amigos retorna à cidade. Estaciona junto à praça e caminha um pouco. Anda a esmo, sem ouvir os lamentos dos bêbados, sem ouvir quando o relógio da catedral soa cinco badaladas. Sequer percebe que àquela hora as portas dos bares e padarias são abertas, e o aroma do pão quente e do café inunda a praça. A mágoa tira-lhe a razão das coisas simples da vida, embota sua percepção. Os lábios se contraem num ricto de amargura ao relembrar quantas vezes Henrique lhe fez a corte. Como soube alimentar sua esperança com olhares apaixonados quando a seguia pelas ruas. A esperança a fez investir num sonho. Suas lágrimas escorrem abundantes pelo decote, suas mãos torturam as saias num gesto de dor.

O sol inunda de luz a praça e o casario ao redor, e Andréia se retira. Em casa, refugia-se em seu quarto, despe-se, atira com desprezo sobre uma poltrona o lindo vestido. Como um bebê desamparado encolhe-se na cama, e o cansaço a faz adormecer. Raios indiscretos de sol atravessam a janela de seu quarto, escaldam o corpo da jovem, e compassivo se reflete num vestido vermelho de baile. Um vestido que agora relembra apenas uma ridícula fantasia…

Por amor ao Mundo- algumas anotações

Sunday, June 22nd, 2008

Biografia de Hannah Arendt

“Se não estou na posse do abstrato, com que poderei controlar o concreto? Se não estou na posse do concreto, com que poderei controlar o abstrato?” Juan-Gris- pag. 139

pag. 230: consta que Heidegger confessa à mulher que Hannah Arendt foi o amor de sua vida e a inspiração de seu trabalho. (desessete anos após seu romance com Hannah!).

pag. 235: Totalitarismo: a combinação de ideologia e terror demoliu o mundo da comunidade e do senso comum, o mundo assegurado, politicamente, por leis e, socialmente, por distinções ocupacionais, propriedade, diferenças individuais, laços particulares de amizade, objetos fabricados pelos homens.

“as agruras das montanhas estão atrás de nós, Diante de nós estão as agruras das planícies” B.Brecht

W.S.Maugham: Mackintosh

Monday, June 16th, 2008

Maugham sente prazer em revelar os piores traços de caráter de seus conterrâneos. Ele pinça aqueles tipos mais populares que de sua terra natal partem para as colonias inglesas onde vão ganhar dinheiro geralmente trabalhando a serviço do reino. São funcionários públicos que em seu país de origem passariam despercebidos dentro da sociedade. Mas em contato com os colonos se prevalecem porque são originários de uma cultura superior. É neste ambiente que se tornam soberbos e não raro crueis e exploradores na forma como tratam os nativos.

Pacto social

Thursday, June 12th, 2008

 

Regina Caldas

Junho/30/2007

Quando a representação popular tem voz dentro de um governo? Quando surge a possibilidade de uma ruptura dessa representatividade? Qual o ponto de equilíbrio entre o exercício do poder e a vontade da maioria? 

Quando um grupo social se une em busca de determinados objetivos sua primeira decisão é estabelecer uma hierarquia entre seus componentes. Sem a existência desta hierarquia e sem o respeito às regras de convivência estabelecidas por vontade do grupo cresce a insatisfação que termina por dispersá-los, e o propósito que os uniu não é alcançado. 

Quando um casal se une por laços afetivos almejando construir uma vida em comum, certos princípios ainda que tácitos ficam estabelecidos entre eles. Respeito mútuo, amparo, lealdade são alguns deles, sem os quais, passado o encanto da paixão, nada mais existe além de cada um retomar seu próprio caminho. 

Empresas são constituídas debaixo de uma determinada formalidade, dentre elas a definição de quem é quem dentro de uma hierarquia pré-estabelecida. E aí existe uma relação entre patrões e empregados com deveres e obrigações definidos, que para serem cumpridos exigem o conhecimento e o consentimento prévio de ambos os lados. 

O princípio é o mesmo dentro de uma sociedade organizada: associações de grupos demandam objetivos, consentimento, organização, administração, respeito a todos os princípios estabelecidos, além do respeito mútuo entre os partícipes. 

Quando refletimos sobre a existência do Estado, certos princípios surgem com clareza em nossas mentes. São eles: Divisão de Poder aglutinada no topo e assentada sobre uma base composta por toda a sociedade. Isto significa que em qualquer momento da vida nacional quem está no poder também é parte inseparável da base. E existe uma interdependência entre todos os indivíduos que constituem a Nação, pois de ambos, Poder e sociedade, depende a sobrevivência e o bem-estar geral. Trata-se de um pacto nacional estabelecido pelo consentimento de todos os cidadãos. O consentimento sempre será a base da formação do poder independente de sua forma.

O Freunde , nicht diese töne! Schiller- Ode à Alegria

Monday, June 9th, 2008

O Freunde, nicht diese töne!

Sondern lasst uns angenehmere anstimmen

und freudenvollere!

Freude, schöner Götterfunken,

Tochter aus Elysium,

Wir betreten feuertrunken,

Himmlische, dein Heiligtum!

Deine Zauber binden wieder,

Was die Mode streng geteilt;

Alle Menschen werden Brüder,

Wo dein sanfter Flügel weilt.

Wem der grosse Wurf gelungen,

Eines Freundes Freund zu sein,

Wer ein holdes Weib errungen,

Mische seinen Jubel ein!

Ja, wer auch nur eine Seele

Sein nennt auf dem Erdenrund!

Und wer’s nie gekonnt,  der stehle

Weinend sich aus diesem Bund.

Freude trinken alle Wesen

an den Brüsten der Natur;

Alle Guten, alle Bösen

Folgen ihrer Rosenspur,

küsse gab sie uns und Reben,

Einen Freund, geprüft im Tod,

Wollust ward dem Wurm gegeben,

Und der Cherub steht vor Gott!

Froh, wie seine Sonnen fliegen

Durch des Himmels prächtgen Plan,

laufet, Brüder, eure Bahn,

Freudig, wie ein Held zum Siegen.

Seid umschlungen Millionen,

Diesen Kuss der ganzen Welt!

Brüder! Uberm Sternenzelt

Muss ein lieber Vater wohnen,

Ihr stürzt nieder Millionen?

Ahnest du den Schöpfer, Welt?

Such’ihn über’m Sternenzelt!

Uber Sternen muss er wohnen.

HYMNE A LA JOIE DE SCHILLER

Sunday, June 8th, 2008

Mes frères, cessons nos plaintes!

Qu’un cri joyeux élève aux cieux nos chants

de fétes et nod accords pieux!

Joie! Joie! Fielle du vieil Empyrée,

Flamme prise au front des dieux,

Nous entrons l’âme enivrée

Dans ton temple glorieux.

Ton magique attrait resserre

Quand la mode en vain détruit;

L’homme est pour tout homme un frère,

Où ton aile nous conduit.

Si le ciel comblant ton âme,

D’un ami t’a fait l’ami,

S’il te donne un coeur de femme,

Suis nos pas au seuil béni!

Viens, si tu n’aimas qu’une heure

Qu’un seul étre sous les cieux!

Vous que nul amour n’effleure,

En pleurant, fuyez ces lieux!

Bois la joie au bruit des chants,

Tous, de roses, sa parure,

On leur part, bons et méchants,

Elle a tout: raisins qu’un presse,

Súrs amis, baisers de feu,

Donne au ver rampant l1ivresse,

et le chérubin voit Dieu.

Fiers, tels les soleils d’or volent

sur le plan vermeil des cieux,

faites frères votre voie:

Gais, tels von combattre

Les héros emplis de gloire!

Qu’ils s’enlacent tous les étres!

Un baiser au monde entier!

Frères, au plus haut des cieux,

Doit régner un tendre père.

Tous les êtres se prosternent.

Pressens-tu ce père, Monde?

Cherche alors le Créateur

Au-dessus des cieux d’étoiles.

Ode a alegria

Wednesday, June 4th, 2008

Texto de Schiller

Música de Beethoven

9ª Sinfonia

Meus irmãos! Paremos nosso pranto!

Que uma lágrima de alegria eleve aos céus nossos cantos

De festas e acordes piedosos.

Alegria! Alegria! Filha do Eliseu,

Flâmula presa á testa dos deuses,

Nós introduzimos a alma em deleite

Em teu templo glorioso.

Tua magia atrai mudança

Quando a moda em vão destrói.

Quem conseguiu o maior tesouro,

De ser o amigo de um amigo,

Quem já conquistou um coração feminino,

Rejubile-se conosco!

Sim, mesmo se alguém conquistar uma alma,

Uma única em todo o mundo!

Mas quem falhou nisto que chore na solidão!

.

Alegrias bebem todos os seres,

No seio da natureza.

Os bons, os maus,

Seguem teu rastro de rosas.

Ela nos deu beijos e vinhos,

Um amigo leal até o fim,

Deu força aos humildes,

E ao querubim que se levanta até Deus.

Alegres como sóis corram!

Pelo esplêndido espaço celestial

Se expressem irmãos em seus caminhos,

Como o herói frente a vitória!

Alegre, formosa centelha divina,

Filha do Eliseu,

Embriagados entramos

Em teu santuário celeste.

Abracem-se!

Enviem este beijo para todo o mundo!

Irmãos,

No mais alto dos céus

Reina um Pai Amado.

Milhões estão tristes diante Dele?

Mundo, você percebe seu Criador?

Procure-o além dos céus estrelados,

Acima das estrelas Ele está.