Dia azul
Surgiu Maio!
Qual branca espuma
Que desponta sobre as ondas do mar…
O último crepúsculo de Abril,
Morreu triste em meu coração…
Mas quando na madrugada,
O orvalho beijou as primeiras flores de Maio,
A alegria brincou em meu olhar,
E a manhã virou canção em minha voz.
Surgiu Maio!
Na manhã azul cheia de sol ameno,
Fui passear pelos jardins..
Flores, pássaros e crianças,
Sorriam e saudavam Maio.
E para o meu triste coração,
Maio trouxe de presente,
Um festivo dia azul….
Sol nas ruas
Na manhã azul luminosa,
Encontro o sol brincando nas ruas.
Seus raios de luz invadem o arvoredo
Ciranças que saem aos bandos das escolas
Brincam, gritam, gargalham…
E o sol alegre
Baila no sorriso das crianças..
Sol!
Vem ser alegria em meu olhar!
Vira canção em meus lábios,
Aquece meu corpo, estou só,
Sinto frio..
Sol, me faz companhia!
Minha Alma Peregrina
Sou a nostalgia..
Sou a tristeza que caminha pela Terra
E chora baixinho numa tarde de sol..
Sou a melancolia,
Que procura dentro da alegria,
Uma alegria qualquer..
Sou o pranto que o riso sufoca,
A monotonia,
A extinguir qualquer chama de vida..
Sou o minuto que passa,
Que tranforma em cinzas
As brasas da esperança..
Sou lembrança,
Quero morar no esquecimento.
Sou matéria,
Quero voltar a ser pó….
Sou alma peregrina,
Que procura a paz do Eterno….
Cadeias
Sou pássaro solitário,
Vagando pelos céus..
Que angustias carrego dentro de mim!
Quisera ser livre das cadeias
Que me prendem a este mortal fardo..
Vivo em eterna nostalgia,
Quisera não ser prisioneira,
Deste mísero ídolo de barro….
Que pena….
Quando criança voce gostava das moedinhas douradas…
Que pena,
Voce não gostava nem um pouquinho de mim…
Certa noite,
Voce retornou..
Então o luar ouviu de nós,
O poema das nossas lembranças..
Quando criança,
Voce embalou meu berço,
Era azul a cortina que velava meu sonhos.
Voce gostava de brincar comigo,
E até de me aborrecer!
E para que me deixasse em paz,
Alguem lhe dava moedinhas douradas
Voce retornou,
Veio me dizer adeus..
Adeus…
Levarei comigo vida afora,
A lembrança do seu olhar azul
O azul que velava meus sonhos…
(Dedicado ao Mima que faleceu em Maio/adeus Mima..)
Tédio
Num azul calmo demais,
Pairo meu olhar ansioso..
Por que tanta paz
Se hoje eu quero me perder
Em alegrias e risos?
Velei a manhã que nasceu vadia
E se espreguiçou num horizonte sem sol
Aguardei que viesse a tarde,
Bela, aquecida, feita de alegria
Eis porém um dia calmo
E aqui fico a olhar a tarde
Enquanto me envolve o tédio….
Um dia tu verás
(27-07-1964)
Verás um dia,
Quando o sol se por no horizonte,
Que árido caminho percorrestes!
Saberás um dia,
Quando o sol se por no horizonte,
Que findou o teu dia de luz…
Tanta luz clareou o teu caminho,
Tonta mariposa!
Que te esquecestes,
Que há sombras neste mundo!
Verás um dia,
Quando o sol se por no horizonte,
Que findou o teu dia de luz.
E o teu olhar que hoje se recusa a chorar,
Chorará um dia,
Sobre o árido chão que percorrestes!
Enquanto a chuva cai
(11-06-1964)
Mesmo enquanto chora o céu,
Os pássaros no arvoredo cantam..
Eu que trazia a alma triste
E chorava com a tarde,
Ao ouvir os pássaros que cantavam,
Voltei a sentir dentro de mim,
A alegria que nasce da esprança…
E eu-como os pássaros-
Enquanto chora o céu,
Antevejo,
Além da tarde cinzenta,
O sol que voltará a brilhar….