ABDICAÇÃO
Toma-me, ó Noite Eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho….Eu sou um Rei
Que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calams entreguei,
e meu cetro e coroa – eu os deixei
Na antecãmara, feitos em pedaços,
Minha cota de malha tão inútil,
Minhas esporas dum tinir tão fútil-
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a Realeza, corpo e alma,
e regressei à Noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
Lisboa, 01/02/1913